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Salário para sustentar uma família de 4 deveria ser de R$ 6.959,31, diz pesquisa 

Salário para sustentar uma família de 4 deveria ser de R$ 6.959,31, diz pesquisa 

Jorge Guimarães

A partir de 1º de janeiro de 2025, o salário mínimo no Brasil passou a ser de R$ 1.518, conforme decreto assinado pelo presidente Lula (PT), no último dia 30. O novo valor representa um aumento de R$ 106 em relação ao piso de 2024, que era de R$ 1.412, configurando um reajuste de 7,5%.  O reajuste a cada ano que é anunciado, tem impacto direto na economia, afetando diferentes setores. Primeiramente, beneficia trabalhadores formais e informais, aposentados e pensionistas que recebem benefícios garantidos ao piso nacional. Isso pode estimular o consumo, especialmente em áreas como alimentação, vestuário e bens de consumo imediatos, já que uma parcela significativa desse público tende a destinar os novos recursos dentre estes segmentos. Além disso, representa desafios para quem precisa arcar todos os meses com o valor.  O Agora ouviu um especialista para explicar todas as facetas em consequência do aumento. 

Empresas 

O reajuste do mínimo sempre gera discussões sobre seus efeitos na economia, especialmente nas empresas. Embora a medida tenha como objetivo melhorar o poder de compra dos trabalhadores e a produtividade do consumo, seu impacto no setor empresarial é multifacetado, dependendo do segmento de atuação.  Mas, não só isso. Segundo o economista Lazaro Ribeiro, o aumento também representa desafios para os empreendedores, sobretudo, os pequenos negócios e o setor rural, que enfrentam maior pressão nos custos operacionais

— Para as empresas de menor porte, o aumento do salário mínimo pode representar um desafio maior. Isso porque ele eleva os custos com a folha de pagamento, incluindo encargos sociais, como Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS), Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e benefícios atrelados ao salário, como vale-transporte e alimentação. Já as pequenas e médias empresas, que muitas vezes operam com margens de lucro reduzidas, podem enfrentar dificuldades para absorver esse aumento sem repassar os custos ao consumidor — alerta Ribeiro.

Conforme o  especialista, as grandes empresas, embora o impacto direto sobre a folha de pagamento seja menos significativo em termos proporcionais, o aumento do salário mínimo pode ter reflexos indiretos. Isso ocorre, segundo Ribeiro, porque o reajuste tende a influenciar negociações coletivas de categorias profissionais, gerando aumentos salariais. 

O economista destaca também que o aumento representa desafios para os empreendedores, principalmente, os pequenos negócios e o setor rural, que enfrentam maior pressão nos custos operacionais. 

— Já o governo, também sente o impacto nas contas públicas, já que o mínimo serve de base para o pagamento de benefícios sociais, como o INSS, e programas de transferência de renda, elevando as despesas obrigatórias — acrescenta. 

Consumo

Apesar da complicação na vida dos patrões, o reajuste é um dos principais mecanismos para fortalecer o poder de compra dos trabalhadores e, consequentemente, estimular o consumo na economia. Ao garantir um aumento nos rendimentos de milhões de brasileiros, principalmente aqueles que dependem exclusivamente dessa renda, Ribeiro lembra que o impacto pode ser sentido em diversos setores, sobretudo, no comércio e nos serviços.

Para ele, a relação entre o aumento do salário mínimo e o consumo é direta. Ribeiro explica que com mais dinheiro disponível, famílias tendem a priorizar despesas básicas, como alimentação, habitação e transporte. No entanto, à medida que as necessidades primárias são atendidas, também cresce a possibilidade de direcionar recursos para bens e serviços não essenciais, como vestuário, lazer e eletrodomésticos. Esse ciclo, segundo ele, contribui para a movimentação da economia local e para o fortalecimento de pequenos negócios.

— O aumento do salário mínimo beneficia aposentados, pensionistas e trabalhadores informais que utilizam essa referência para calcular seus ganhos, ampliando o alcance do impacto positivo. Entretanto, é preciso alertar que a efetividade do reajuste como estímulo ao consumo depende de outros fatores econômicos, como o controle da inflação, a taxa de juros e o nível de endividamento das famílias — frisa.

Para empresários e comerciantes, a expectativa de um aumento no consumo exige planejamento estratégico. Promoções, atendimento qualificado e investimentos em produtos e serviços mais acessíveis são algumas das ações que podem potencializar os efeitos do reajuste salarial, conforme um deles.

— Em um cenário econômico desafiador, como o que o Brasil enfrenta, o aumento do salário mínimo não apenas injeta ânimo no mercado consumidor, mas também desempenha um papel essencial na redução das desigualdades sociais e na promoção de uma economia mais dinâmica e inclusiva — fala o empresário, Júlio Célio Silva. 

Cálculo

O cálculo do aumento seguiu a nova regra de valorização do salário mínimo, que estará em vigor entre 2025 e 2030. O reajuste inclui 4,84% de correção com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos últimos 12 meses até novembro, para cobrir a inflação, acrescido de 2,5% referente ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país, garantindo um ganho real acima da inflação.

— O aumento do salário mínimo impacta diretamente cerca de 60 milhões de brasileiros, incluindo aposentados e pensionistas que recebem pelo piso nacional, além de influenciar benefícios como o seguro-desemprego e o abono salarial — detalha Ribeiro.

Valor real

Embora o governo federal tenha anunciado um aumento de R$ 106 no salário mínimo para 2025, o valor ainda está longe de atender às necessidades básicas de uma família brasileira. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o salário necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de, pelo menos, R$ 6.959,31.

O levantamento, realizado em novembro de 2024, considera os custos essenciais com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, esporte, lazer e previdência. Esse valor necessário é quase cinco vezes maior do que o salário mínimo proposto, refletindo a defasagem histórica entre o piso salarial e o custo de vida. 

— O estudo evidencia os desafios enfrentados pelas famílias brasileiras para manter um padrão de vida adequado. Apesar do reajuste representar um aumento parcial para os trabalhadores que dependem do mínimo, ele está longe de cobrir todas as despesas básicas, especialmente em um cenário de inflação elevada em itens essenciais como alimentação e habitação — finaliza Lazaro. 

Equiparação

A remuneração do deputado estadual é correspondente a 75% da remuneração do deputado federal, conforme o parágrafo 2º do artigo 27 da Constituição Federal e a lei 24.266 de 2022. Sendo o total bruto da remuneração mensal do deputado estadual de R$ 33.006,39, o que equivale a quase vinte e dois salários mínimos.  Já o federal, o Decreto Legislativo 172/2022 definiu a remuneração bruta mensal, em R$ 44.008,52 a partir de 1º de fevereiro de 2024. O mesmo decreto prevê reajuste desse valor para R$ 46.366,19 em 1º de fevereiro de 2025, o que equivale a 30 salários mínimos e meio. Já em relação aos ganhos dos vereadores da Câmara de Divinópolis, que recebem R$ 11.370,53, valor este chegando a quase sete salários e meio. 

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