Agricultura familiar se fortalece nas feiras livres

Da Redação
Divinópolis, ao longo dos tempos, vem consolidando um importante movimento de fortalecimento da agricultura familiar, setor que tem recebido cada vez mais atenção e incentivo da municipalidade. Esse apoio se traduz especialmente nas tradicionais feiras realizadas na cidade, que se tornaram espaços não apenas de comercialização de alimentos frescos e de qualidade, mas também de preservação da cultura local.
Tradições
Nesses ambientes, o consumidor encontra muito mais do que produtos: descobre histórias, tradições e saberes que atravessam gerações. As feiras representam a valorização de quem vive e produz no campo, garantindo renda às famílias agricultoras e estimulando a economia local. Além disso, promovem encontros que aproximam cidade e zona rural, fortalecendo laços comunitários e criando um ambiente de convivência, troca e aprendizado.
— Assim, Divinópolis reafirma seu compromisso com a sustentabilidade, com o estímulo à produção de base familiar e com a preservação de um patrimônio cultural que se renova a cada feira, carregando consigo o sabor, a identidade e a riqueza de sua gente — avalia o economista Leandro Maia.
Feiras
Ao longo da história, as feiras se consolidaram como parte essencial da identidade de Divinópolis, reunindo tradição, trabalho e convivência comunitária. A mais antiga delas, no bairro Niterói, completa 50 anos de existência e se mantém firme como ponto de encontro entre produtores e consumidores. São cerca de 80 feirantes em 110 barracas, que recebem, a cada domingo, um público estimado entre 1.500 e 2.000 pessoas.
Assim como também a feira do bairro Esplanada, onde a tradição também tem força. A feira local, que chega aos 40 anos, é hoje a mais movimentada da cidade. São 170 feirantes distribuídos em 200 barracas, atraindo até 4 mil visitantes a cada sábado, em busca de alimentos frescos, artesanato e um ambiente que mistura cultura, sabores e afetos.
Para o feirante Antônio Carlos, que comercializa hortaliças na feira, sua atuação nela é parte fundamental da vida.
— Comecei a acompanhar meu pai ainda jovem e hoje sigo com meus filhos. Aqui não é só trabalho, é história de família — relata.
Já a consumidora Helena Mendes, frequentadora assídua da feira do Esplanada, reforça o valor desses encontros para a comunidade.
— Venho toda semana. Além de comprar produtos de qualidade, encontro amigos, converso e sinto essa energia boa. É um espaço que faz parte da vida da gente — afirma.
— Assim, as feiras na cidade, seguem firmes no tempo, não apenas como espaços de abastecimento, mas como patrimônio cultural e social que une gerações e fortalece os laços entre cidade e campo — comenta Maia.
Novas
E nos últimos anos, novos espaços também foram incorporados ao cotidiano da cidade, como a feira do Distrito de Santo Antônio dos Campos, Ermida, iniciada este ano e que já conta com 25 barracas. Outras regiões são exemplos a do Manoel Valinhas, Santuário, Planalto, Porto Velho e entorno da Rodoviária, também foram locais contemplados, ampliando as oportunidades de acesso a produtos frescos e de qualidade. Além disso, as feiras mensais acontecem na sede da Prefeitura, primeira sexta-feira do mês, e no Centro de Atendimento ao Cidadão (CAC), na segunda sexta-feira do mês. Sendo as mesmas organizadas pela Associação dos Pequenos Produtores da Agricultura Familiar de Divinópolis (Aprafad) e Cooperativa dos Produtores da Agricultura Familiar de Divinópolis e Região (Cooprafad), entidades que reúnem agricultores familiares do município.
Variedade e proximidade
Quem frequenta as feiras encontra uma ampla gama de produtos: hortaliças, frutas, legumes, alimentos processados, artesanato, flores e quitandas que remetem à tradição das famílias rurais. A cada barraca, uma história de dedicação e de laços que unem produtores e consumidores.
A aposentada Maria de Moraes, frequentadora assídua há mais de 40 anos da Feira do Esplanada, afirma que o espaço vai muito além das compras.
— É um local de convivência. Venho não só para levar verduras e legumes fresquinhos, mas também para encontrar pessoas, conversar e me sentir parte dessa comunidade — contou, com sacolas cheias e um sorriso acolhedor.
Histórias que emocionam
E dentre tantas histórias tem a do feirante Maurício Teodoro Ferreira, que há três décadas participa das feiras dos bairros Niterói e Esplanada, e é exemplo da importância desse espaço. Conhecido pelos tradicionais biscoitos caseiros, ele vê no apoio municipal uma parceria fundamental.
— Estou muito feliz com o que conquistamos até aqui. A Prefeitura sempre nos incentiva e nos apoia, e isso faz toda a diferença para que possamos continuar crescendo — afirmou.
Suporte logístico
Para garantir a organização e o bom funcionamento das feiras, a Prefeitura atua diretamente no suporte logístico. Entre as ações estão o empréstimo de barracas por comodato, banheiros móveis bem posicionados, além de apoio em divulgação e estrutura de segurança.
O gerente de feiras, hortas e apreensão de animais, Júlio César, declara que as feiras fazem parte da cultura divinopolitana.
— Além de serem um polo que fomenta o comércio e o agronegócio de forma ampla, são também um espaço de entretenimento que motiva a população a sempre visitar a feira — pontua.
Parcerias
A reportagem conversou com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Divinópolis, Igor Cardoso, que destacou o compromisso da gestão municipal com o fortalecimento da agricultura familiar. Segundo ele, já estão em andamento parcerias com diversas entidades para a promoção de novas ações voltadas ao setor. O objetivo é ampliar as oportunidades de comercialização, oferecer mais suporte aos produtores e garantir que a agricultura familiar siga ocupando um papel de destaque no desenvolvimento econômico e social da cidade. Igor ressaltou ainda que as iniciativas buscam valorizar o trabalho do homem e da mulher do campo, além de aproximar os produtos locais da mesa dos consumidores divinopolitanos.
— As feiras livres têm papel fundamental para o fortalecimento da agricultura familiar e, em Divinópolis, temos buscado ampliar cada vez mais esse espaço de valorização do produtor local. Estamos trabalhando em alguns projetos em conjunto com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e, em breve, a Prefeitura deve lançar programas de grande impacto voltados especificamente para a agricultura familiar, visando ampliar renda e oportunidades para nossos agricultores — disse Igor.
O secretário também destacou grande parceria, com outra entidade local, que há muito tempo vem trabalhando em prol do desenvolvimento econômico da cidade.
— Além disso, destaco o projeto Mais Grãos, da Agência Novo Oeste, que vem recebendo suporte da Prefeitura para sua implementação. Essa iniciativa tem como foco modernizar a cadeia produtiva e fortalecer a produção regional, garantindo melhores condições para quem vive da terra e movimentando a nossa economia local — finalizou Cardoso.
Papel estratégico
Leandro Maia destaca também que a agricultura familiar desempenha um papel estratégico para o desenvolvimento econômico de uma cidade. Segundo ele, além de garantir o abastecimento interno com produtos frescos e de qualidade, esse segmento fortalece a circulação de renda local, gera empregos diretos e indiretos e contribui para a segurança alimentar da população.
— A agricultura familiar é uma engrenagem essencial para a economia. Quando o município valoriza e apoia o pequeno produtor, o dinheiro permanece na cidade, fortalecendo o comércio, os serviços e estimulando novas cadeias produtivas. Trata-se de um modelo sustentável, que une crescimento econômico, preservação cultural e bem-estar social — finalizou Maia.
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