Saúde ainda é gargalo para os divinopolitanos

Bruno Bueno
A Saúde é um dos principais temas do aniversário de 112 de Divinópolis, comemorado neste sábado. O município conta com três hospitais particulares, um complexo de saúde híbrido e uma unidade de pronto atendimento.
Apesar do grande potencial, enfrenta um caos na assistência dos pacientes. Mas nem sempre foi assim.
Santa Lúcia
Das instituições que se mantêm ativas, o Santa Lúcia foi o primeiro hospital a ser inaugurado. Sua fundação aconteceu em outubro de 1959. 60 anos depois, tornou-se o primeiro da região Centro-Oeste a receber o certificado de Acreditado pela Organização Nacional de Acreditação (ONA), em fevereiro de 2019.
Conta atualmente com mais de 100 médicos atuando em 40 especialidades diferentes.
Foto: Divulgação
Legenda: Hospital está localizado na Avenida JK
São Judas Tadeu
Outro hospital importante na cidade é o São Judas Tadeu, inaugurado em setembro de 1965 pelo médico Hélio Coelho de Sousa. Ele foi o único proprietário até 1996. A partir desta data, o hospital passou a ser gerenciado por profissionais que, juntamente com a diretoria, atuam em prol do crescimento da empresa.
Hélio morreu em fevereiro do ano passado.
Foto: Divulgação
Legenda: Hospital está instalado na região Central
São João de Deus
A história de Divinópolis se cruza com a do Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD). A trajetória de sucesso começa em 1963 com o início das obras. Três anos depois, a escola de enfermagem começou a funcionar. No dia 1º de junho de 1968, era inaugurado o Hospital São João de Deus, que passou a ser referência na região Centro-Oeste.
De lá para cá, muita coisa aconteceu. Em 1972, implantou o primeiro marcapasso na região. No ano seguinte, os serviços de fisioterapia, psiquiatria e mastologia foram inaugurados. A ala de hematologia e hemoterapia chegou em 1981. Outra marca importante aconteceu em 1987 com o início das cirurgias de catarata.
Foto: Divulgação
Legenda: CSSJD foi construído e funciona bairro Niterói
Trajetória
O primeiro transplante de rim aconteceu em 1991. No ano seguinte, o São João de Deus faz história e inaugura a ala de UTI Adulto. A Associação de Combate ao Câncer no Centro-Oeste (Acom) é inaugurada em 1995 e se torna referência na região.
O novo prédio do hospital foi inaugurado em 2010. No entanto, a unidade começou a sofrer problemas administrativos e ficar insustentável. Em 2013, o Ministério Público realizou uma intervenção para tentar resolver o problema. Uma comissão interventora assumiu em 2016.
Nova fase
Em 2017, o hospital inaugurou a Sala Vermelha da unidade. No ano seguinte, completou 50 anos e passou a se chamar Complexo de Saúde São João de Deus. Com a presença de Elis Regina Guimarães e outras pessoas importantes na diretoria, o hospital seguiu avançando.
Em 2022, o Complexo recebe a acreditação ONA nível 1, que avalia a segurança do paciente e a qualidade da assistência prestada. No ano seguinte, o hospital deu início às obras do novo CTI Adulto. A história de superação e referência foi coroada com a premiação “Empresa Brasileira do Ano” em 2023.
— São João de Deus não é apenas um hospital. É uma instituição que representa muito não só para Divinópolis, mas para toda a região — comenta Elis Regina Guimarães, CEO do hospital.
Atualmente, funciona de forma híbrida e atende pacientes através do SUS, saúde suplementar e particulares.
Santa Mônica
O Hospital Santa Mônica foi fundado por um grupo de médicos no dia 15 de novembro de 1993 em Divinópolis. Recentemente, foi adquirido pelo grupo NotreDame Intermédica.
O bloco cirúrgico possui 09 salas cirúrgicas e pós-operatório para 10 leitos. É equipado para procedimentos de urgência, emergência e eletivos, pacientes adultos e pediátricos, nas especialidades de clínica médica, pediatria, ortopedia, ginecologia, neurologia, urologia, bucomaxilo, cirurgia geral e plástica, com avançados recursos digitais.
São mais de 150 cirurgiões e 35 enfermeiros assistenciais para procedimentos de média e alta complexidade.
Foto: Divulgação
Legenda: Santa Mônica fica no bairro Padre Libério
UPA
Além dos hospitais particulares, Divinópolis tem a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto Cordeiro Martins, inaugurada no dia 28 de março de 2014.
Na época, a unidade foi administrada pela Santa Casa de Formiga em parceria com a Prefeitura de Divinópolis.
Foto: Divulgação
Legenda: UPA Divinópolis está localizada no bairro Ponte Funda
Entra gestão, sai gestão
Em 2018, a entidade formiguense foi denunciada pelo Conselho Municipal de Saúde de um desvio de quase R$ 2,5 milhões. No ano seguinte, a UPA passou a ser administrada pelo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social (IBDS).
A Prefeitura rescindiu o contrato em 2021, alegando irregularidades na prestação de contas pertinentes ao contrato firmado entre o instituto e o Município. A ação foi deflagrada após uma denúncia sobre a falta de medicamentos para sedação de pacientes com covid-19 na unidade.
Um ano depois, a gestão foi repassada ao Instituto Brasileiro de Políticas Públicas (Ibrapp).
Caos em 2024
Divinópolis viveu, em abril de 2024, outro caos na Saúde. O Ibrapp anunciou que a taxa de ocupação de leitos infantis ultrapassou 300%. Além disso, 21 crianças aguardavam vaga hospitalar e outras cinco estavam em observação.
A situação se tornou ainda mais caótica quando Thallya Beatriz, de apenas quatro anos, morreu na UPA. A Prefeitura informou que ela teve um quadro convulsivo. No entanto, a família da menina contesta a versão.
Os desdobramentos levaram a Prefeitura a ir em busca de mais uma rescisão, desta vez com o Ibrapp. Agora, a expectativa é que o Consórcio Intermunicipal de Saúde da Região Ampliada Oeste para Gerenciamento dos Serviços de Urgência e Emergência (CIS-URG Oeste), responsável pela gestão do Samu, assuma a UPA. Os trâmites estão em andamento.
— Essa decisão nos responsabiliza a trabalhar ainda mais para a saúde da população e estamos felizes com a confiança — enfatizou o presidente do consórcio, prefeito de Itaguara, Geraldo Donizete Chumbinho.
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