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Educação

Servidores da educação vão às ruas e cobram recomposição salarial de 41,83%

Por Bruno
Servidores da educação vão às ruas e cobram recomposição salarial de 41,83%

Da Redação

Trabalhadores da educação da rede estadual iniciaram, na manhã desta quarta-feira, 4, uma greve por tempo indeterminado em diversas cidades de Minas Gerais, incluindo Divinópolis. A paralisação foi convocada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), que reivindica a recomposição de 41,83%, percentual que, segundo o sindicato, corresponde às perdas inflacionárias acumuladas entre 2019 e 2025. O  governador Romeu Zema (Novo) anunciou, nesta semana, um reajuste de 5,4%, mas o valor não atende a categoria.

Protesto nas ruas

Em Divinópolis, profissionais da educação se concentraram na região central da cidade para marcar o início do movimento. Com faixas, cartazes e palavras de ordem, os servidores criticaram o índice apresentado pelo governo estadual e defenderam a valorização da carreira. A mobilização faz parte de um calendário estadual que prevê assembleias, visitas às escolas e atos públicos ao longo dos próximos dias.

A diretora do Sind-UTE/MG, Maria Catarina Vale, afirmou que o protesto desta quarta-feira simboliza a insatisfação da categoria com o que classificou como “descaso” do governo estadual com a educação pública. 

— Estamos aqui para mostrar ao governo que não adianta anunciar 5,4% como se fosse uma grande conquista. É um reajuste linear para todo o funcionalismo, mas o que queremos é a recomposição de mais de 40% que ele nos deve desde 2019 — declarou.

Valor abaixo

Segundo Maria Catarina, o percentual de 5,4% não atende às necessidades da categoria e não recompõe as perdas acumuladas ao longo dos últimos anos. Ela destacou que o financiamento da educação possui vinculação constitucional e que os recursos destinados ao setor não podem ser confundidos com outras áreas do orçamento. 

— O financiamento da educação é próprio, independe de qualquer outra situação financeira. O problema é que o governo não aplica corretamente esses recursos — afirmou.

Outro ponto central da reivindicação é o cumprimento do Piso Salarial Profissional Nacional do magistério. De acordo com a dirigente sindical, o Estado não estaria aplicando integralmente o piso conforme determina a legislação federal. 

— O piso precisa ser cumprido em Minas Gerais. O governo diz que paga proporcionalmente, mas a lei é clara quanto ao que deve ser garantido aos profissionais da educação — disse.

Maria Catarina também criticou a judicialização de uma lei estadual que, segundo ela, assegurava o pagamento do piso para diferentes carreiras da educação, inclusive aposentados. 

— O governo judicializou a lei que garantia o pagamento do piso em Minas para oito carreiras, extensivo aos aposentados. Alinhado com a Justiça, nós perdemos esse direito. Portanto, é muita coisa acumulada. A categoria não aguenta mais o excesso de trabalho, a pressão e a retirada de direitos — pontuou.

Reivindicações vão além

A dirigente afirmou ainda que a greve não se resume à questão salarial, mas envolve um conjunto de demandas relacionadas às condições de trabalho e à defesa da educação pública. Ela citou, como exemplo, a situação das Auxiliares de Serviços da Educação Básica (ASBs). 

— Tivemos trabalhadoras que não recebiam sequer um salário mínimo há dois anos. Lutamos para corrigir isso e conquistamos na Justiça o direito à insalubridade. Muitas ainda nem procuraram o sindicato para buscar esse direito — afirmou, ao reforçar a importância da mobilização da base.

Greve?

Em Divinópolis, a coordenação local do sindicato também reforçou o chamado à adesão. A coordenadora do Sind-UTE na cidade, Marilda Abreu, explicou que a reivindicação de 41,82% corresponde às perdas salariais acumuladas desde o início da atual gestão estadual. Ela destacou que a greve foi oficialmente iniciada nesta quarta-feira e que o sindicato está em fase de mobilização nas escolas para ampliar a adesão ao movimento. 

— Nossa greve começa hoje e é por tempo indeterminado. Estamos visitando as escolas e preparando a próxima assembleia, marcada para o dia 11. É fundamental que nossos companheiros e companheiras façam adesão para que o movimento seja forte e represente de fato a categoria — disse.

Debate em Belo Horizonte

De acordo com as lideranças, o governo já sinalizou a possibilidade de corte de ponto dos servidores que aderirem à paralisação, o que, na avaliação do sindicato, representa tentativa de enfraquecer o movimento. O sindicato informou que realizará nova Assembleia Estadual no dia 11 de março, em Belo Horizonte, para avaliar a adesão à greve e deliberar sobre os próximos passos do movimento. A expectativa é que representantes de todas as regiões do Estado participem do encontro.

— Queremos que, pelo menos nesse dia, todas as escolas estejam representadas. Claro que desejamos mobilização contínua, mas a assembleia será fundamental para avaliar o movimento em todo o Estado — completou a dirigente.

Cenas dos próximos capítulos
Até o fechamento desta edição, o Governo de Minas não havia se manifestado sobre as declarações feitas pelas representantes do sindicato durante o ato em Divinópolis. Enquanto as negociações não avançam, a paralisação deve impactar o funcionamento das escolas estaduais em Divinópolis e em outras cidades mineiras. O sindicato orienta pais e alunos a acompanharem as informações junto às unidades escolares e reforça que a mobilização tem como objetivo, segundo a entidade, garantir a valorização profissional e a qualidade da educação pública no Estado.

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