‘Setembro Amarelo’ inicia luta contra o aumento do suicídio

Da Redação
O mês dedicado a prevenção ao suicídio, conhecido como ‘Setembro Amarelo’, é uma campanha nacional criada em 2014 que tem como objetivo conscientizar a sociedade a apoiar a luta contra o autoextermínio. A campanha é realizada há 30 anos em vários países do mundo.
O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é comemorado no dia 10 de setembro, por isso, a partir do dia primeiro do mês, se realiza país afora diversas campanhas com o intuito de conscientizar a sociedade e fomentar práticas e informações sobre a prevenção.
Em Divinópolis
Entre as entidades que vão promover alguma ação alusiva ao tema, está o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Centro-Oeste de Minas (Sintram), que disponibilizará rodas de conversa com os servidores, juntamente com profissionais da Uemg e da Una.
O presidente do sindicato, Marco Aurélio Gomes, falou sobre as ações do ‘Setembro Amarelo’.
— O mês inteiro nós vamos fazer rodas de conversa em parceria com os psicólogos da Uemg e também da Faculdade Una. Para chamar também a atenção nós vamos iluminar o nosso prédio durante todo o mês, mesmo ele sendo amarelo, para chamar mesmo a população para esse debate. O Sintram, além disso, vai realizar o acompanhamento durante esse mês com atendimentos psicológico dentro do sindicato — revelou.
Cuidados
A psicóloga Daniela Veríssimo, falou com o Agora sobre agir para ajudar pessoas que enfrentam pensamentos de autoextermínio e já começa apresentando uma problemática.
— Falar sobre suicídio ainda é um tabu em muitos círculos, mas a verdade é que o silêncio pode ser fatal — afirmou a psicóloga.
De acordo com a profissional, existem medidas eficazes na prevenção e valorização da vida, que começam com a promoção de ambientes acolhedores e a criação de redes de apoio.
— A escuta ativa é fundamental, muitas pessoas que enfrentam pensamentos de autoextermínio precisam de alguém que as ouça sem julgamento, que as acolha em sua dor — destacou.
Além disso, conforme a psicóloga, o acesso facilitado a serviços de saúde mental, como a psicoterapia e a psiquiatria, é essencial.
— A formação de profissionais capacitados para identificar sinais de risco e intervir de maneira eficaz pode salvar vidas — disse.
Daniela ainda destaca sobre um outro ponto importante que deve ser abordado desde o início, com as crianças e jovens.
— Outro ponto crucial é a educação emocional, que deve começar desde cedo. Ensinar crianças e jovens a lidar com suas emoções, a reconhecer seus sentimentos e a buscar ajuda quando necessário pode fazer toda a diferença. A campanha também enfatiza a importância de discutir e combater o estigma que ainda envolve transtornos mentais. Quando falamos abertamente sobre saúde mental, damos às pessoas a permissão para buscar ajuda e encontrar apoio — complementou.
Por fim, a psicóloga ainda ressalta o papel da campanha que o ‘Setembro Amarelo’ representa.
— Para muitas pessoas, o ‘Setembro Amarelo’ é a primeira vez que se sentem seguras para falar sobre suas próprias lutas. Isso mostra o poder da campanha: ela não apenas informa, mas também conecta. Precisamos continuar incentivando essa conexão, mostrando que pedir ajuda é um ato de coragem e que ninguém está sozinho — finalizou.
No Brasil
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), mostram que no Brasil, são registrados cerca de 14 mil casos de suicídio, gerando uma média de 38 mortes por dia. Ainda segundo a Organização, os dados apontam cerca de 112.230 casos registrados no período de 2010 a 2019.
No Brasil, as campanhas recebem o apoio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM).
Um ponto delicado abordado pela ABP, é sobre o aumento de taxas de suicídio em países do Leste Asiático, América Central e América do Sul, em contrapartida, alguns europeus, registraram um declínio nas taxas. No caso de Minas Gerais, de acordo com a Secretaria de Saúde, foi detectado um aumento de 15% nos casos até agosto de 2024.
No caso das pessoas entre 15 a 29 anos, o suicídio corresponde a quarta principal causa de morte deste público e os dados mostram que as ocorrências aumentaram nos últimos 5 anos. Entre os anos de 2016 e 2021, foi registrado um crescimento de 49,3% na taxa de mortalidade entre pessoas nesta faixa etária.
Além disso, foi registrado também um aumento de 45% em jovens de 15 a 19 anos, com isso, o índice de mortalidade chega a 6,6 por 100 mil neste público. Ainda de acordo com a ABP, os índices de autoextermínio dos brasileiros mostram que 12,6% a cada 100 mil são homens e 5,4% a cada 100 mil são mulheres.
No mundo
A situação no contexto global, de acordo com a OMS, é de que mais de 700 mil casos de suicídio são registrados anualmente, entretanto, a situação fica ainda pior quando se leva em consideração os casos subnotificados, podendo levar os números a ultrapassaram 1milhão por ano.
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