Sindicatos se preparam para greve geral

Maria Tereza Oliveira
Após dois protestos realizados pela educação no mês passado, na semana que vem, os servidores realizam uma greve geral contra a reforma da Previdência. Os sindicatos já estão se organizando para o ato no dia 14. Na terça, os servidores se reuniram e, ontem, panfletaram no Centro da cidade sobre a importância do movimento. Em Divinópolis, a greve geral está agendada para as 15h, com concentração na praça da Catedral.
O Movimento Unificado de Divinópolis (MUD) reúne lideranças sindicais e movimentos sociais, como o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro Oeste (Sintram), Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-Ute), Sindicatos de Professores - Rede Particular (Sinpro), Sindicato de Trabalhadores da Rede Municipal de Educação (Sintemmd), Sindicato dos Rodoviários, Sindicato dos Hoteleiros e Turismo (Sineth), Sindicato do Comércio (SindComércio), Sindicato da Construção Civil do Centro-Oeste (Sinduscon), Sindicato dos Bancários e Diretório Acadêmico da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg).
Organização
Com o intuito de organizar o protesto e discutir estratégias de mobilização dos trabalhadores, na terça-feira, a MUD realizou uma reunião na sede do Sindicato dos Rodoviários. Durante o encontro foram discutidas ações, dentre elas, a realizada ontem: foi armada uma tenda no quarteirão fechado da rua São Paulo para panfletar sobre o movimento.
De acordo vice-presidente do Sintram, Wellington Silva, a reunião teve saldo positivo com participação de várias lideranças de movimentos sindicais.
— O objetivo é esclarecer à população sobre os retrocessos da reforma da Previdência e convocando os trabalhadores para a greve geral — disse.
Também foram coletadas assinaturas para o abaixo assinado “Nacional em Defesa da Previdência Social e das Aposentadorias” e contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 06/2019. O documento é encabeçado pelas centrais sindicais do Brasil e movimentos sociais e será encaminhado ao presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), pedindo apoio aos parlamentares para que votem contra a proposta.
Além da tenda fixa e da ação de panfletagem nas principais ruas do Centro da cidade, o MUD utilizou um carro de som para convocar os trabalhadores e distribuir informativos nas portas de fábricas e indústrias da cidade.
Paralisação
De acordo com nota divulgada pelo Sintram, a ideia é que o ato também conte com os servidores municipais.
— A partir da semana que vem vamos visitar os setores da Prefeitura, chamando o pessoal para realmente aderirem, ao menos por duas horas, manifestando contra a reforma da Previdência, uma vez que a proposta atingirá também os servidores públicos. É fundamental somarmos forças neste ato em defesa do nosso direito a aposentadoria — salientou Wellington.
Aposentadoria ameaçada?
O ato é nacional e, tem como intuito, mostrar a resistência da categoria em relação às mudanças propostas com a reforma da Previdência para os trabalhadores da educação. Da mesma forma está a resistência às medidas de contingência de gastos na área da educação.
A reforma da Previdência causou polêmica desde que foi proposta pela primeira vez, ainda no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB) em 2017. Foram realizadas várias manifestações contrárias à proposta e, com o tempo, embora permanecesse como um fantasma, ficou esquecida pela população. Até que o presidente Jair Bolsonaro (PSL) reacendeu as discussões ao propor uma reforma ainda mais severa.
Dentre as principais insatisfações do texto da reforma, destaca-se a obrigatoriedade da idade mínima para aposentadoria de 65 anos para os homens e 62 para mulheres.
Além disso, o aumento do tempo de contribuição, de 15 para 20 anos, e o fim das condições especiais para trabalhadores rurais e professores terem direito ao benefício também não agradaram parte da população.
Cortes impopulares
O Ministério da Educação (MEC) bloqueou, no fim de abril, uma parte do orçamento das 63 universidades e dos 38 institutos federais de ensino. O corte, conforme alega o governo, foi aplicado sobre gastos não obrigatórios, como água, luz, terceirizados, obras, equipamentos e realização de pesquisas.
Já as despesas obrigatórias, como assistência estudantil e pagamento de salários e aposentadorias, não foram afetadas. No total, considerando todas as universidades, o corte é de R$ 1,7 bilhão.
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