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Soma de penas de crimes cometidos por influenciadora pode passar de 40 anos

Soma de penas de crimes cometidos por influenciadora pode passar de 40 anos

Lucas Maciel

A prisão da influenciadora digital Emma Spinner, ocorrida na noite de segunda-feira, 17, em Betim, segue gerando repercussões e desdobramentos importantes. A influenciadora, natural de Divinópolis, foi capturada durante uma fiscalização da Polícia Rodoviária Federal (PRF), quando constatou que havia um mandado de prisão em aberto contra ela. 

Spinner, que vivia nos Estados Unidos com visto temporário, é investigada por uma série de crimes cometidos por meio de suas redes sociais, como extorsão, injúria racial, discriminação religiosa e calúnias. O caso continua a ser investigado, e novas informações continuam a surgir.

Isso porque a Polícia Civil (PC) revelou, em coletiva realizada nesta terça-feira, 18, novas informações sobre a prisão da influenciadora e detalhou os crimes cometidos por ela, nessa, que foi a maior investigação contra crimes digitais na história recente do Centro-Oeste mineiro, principalmente diante do número de vítimas e de ocorrências realizadas contra Emma Spinner. 

Investigação

O chefe do 7º Departamento da Polícia Civil, Flávio Destro e o delegado Weslley Castro, foram os encarregados em detalhar a investigação que culminou no indiciamento da influenciadora.

A iapuração teve início em junho deste ano, após várias vítimas procurarem a Polícia Civil para registrar denúncias contra a investigada. Os ataques eram realizados de diversas formas por meio das redes sociais de Spinner, que contava com mais de 70 mil seguidores.

— As vítimas procuraram a Polícia Civil, e assim que tomamos conhecimento das práticas delituosas, foi determinada a instauração de um inquérito policial, dando início às investigações — explicou Flávio Destro.

O processo investigativo durou cerca de três meses. Em setembro, Emma Spinner foi indiciada por crimes contra a honra, discriminação religiosa e ameaças. Durante a apuração, a Polícia Civil conseguiu derrubar cinco perfis de Spinner no Instagram e mais dois no Facebook.

O Ministério Público e o Poder Judiciário acompanharam de perto as investigações, realizadas em conjunto com a Polícia Civil, que colheu as provas necessárias para que as medidas cautelares, como quebras de sigilos, fossem autorizadas.

Vítimas 

Quanto às vítimas, a Justiça decretou sigilo no processo, a fim de preservar a intimidade de todas. No entanto, o delegado Weslley Castro revelou o número delas ouvidas no início dos processos.

— Posso adiantar que foram ouvidas 24 vítimas, além de testemunhas. Esse é um número expressivo de pessoas envolvidas na investigação — afirmou o delegado.

Contudo, o número pode ser ainda maior, já que algumas pessoas não procuraram a PC para formalizar a queixa. Esse caso pode ser considerado uma das maiores investigações sobre crimes digitais da história recente do Centro-Oeste mineiro, como destacou Flávio Destro.

— Considerando a quantidade de vítimas e os diversos crimes praticados, essa foi a maior investigação recente na região, voltada à apuração de crimes digitais. Muitas vítimas procuraram a Polícia Civil, registraram ocorrências e apresentaram representação criminal — afirmou Destro.

Prisão

Após o indiciamento, um mandado de prisão foi expedido contra Spinner no início de novembro. Além disso, a Polícia Civil solicitou à Interpol a difusão vermelha, para que ela fosse localizada e presa em qualquer país. No entanto, essa solicitação foi liberada apenas nesta segunda-feira, 16, quando Spinner já havia retornado ao Brasil.

— Realizamos todas as diligências possíveis e necessárias, considerando a complexidade do caso, que envolveu não só crimes virtuais, mas também a cooperação entre diferentes países e forças policiais — declarou Weslley Castro.

A investigação, porém, ainda não está concluída e a Polícia Civil busca encontrar as pessoas que ajudavam e forneciam informações para Emma. Se encontradas, elas também podem responder criminalmente.

— Essa segunda parte da investigação agora visa identificar se, porventura, tinham pessoas alimentando a autora com informações, já que há relatos de vítimas que sequer a conheciam — comentou Flávio Destro. 

Crimes

O indiciamento realizado pela Polícia Civil incluiu mais de 50 delitos. Desses, 38 foram acatados pelo Ministério Público, que ofereceu denúncias contra a investigada.

As acusações incluem denunciação caluniosa, divulgação de pornografia, ameaça, perseguição, racismo e injúria religiosa.

O inquérito também revelou que a investigada chegou a solicitar dinheiro de suas vítimas, configurando extorsão. Ela afirmou que cessaria as ofensas e a imputação de fatos criminosos caso fosse paga. Em um dos casos, o valor exigido foi de R$ 20 mil, conforme relato de uma das vítimas à Polícia Civil.

— A prática da extorsão não exige, necessariamente, a entrega do dinheiro. Trata-se do que chamamos de crime formal, ou seja, basta a exigência para que o crime se consuma — esclareceu o delegado-geral, Flávio Destro.

Considerando as penas mínimas de cada um dos crimes, Emma Spinner pode ser condenada a mais de 40 anos de prisão.

— São crimes de grande gravidade, cometidos por meio das redes sociais, e envolvem inúmeras vítimas. As penas, de forma abstrata, podem ser bastante severas — concluiu o delegado.

A Influenciadora segue presa em Betim, mas a tendência é que ela seja transferida para Divinópolis em breve.

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