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Política

Sugestão de redução nos gastos da Câmara gera polêmica entre vereadores

Por Portal Agora
Sugestão de redução nos gastos da Câmara gera polêmica entre vereadores

Maria Tereza Oliveira

Um tema que sempre causa polêmicas e discussões são os gastos do Poder Público. A Prefeitura, por exemplo, é constantemente alvo de críticas de vereadores e população, devido aos cargos comissionados e outras despesas. Por outro lado, a Câmara não fica para trás e os salários dos parlamentares, assim como os gastos nos gabinetes, também são motivos de críticas. O vereador Matheus Costa (CDN) começou uma petição com o intuito de colher assinaturas para a elaboração de um projeto de lei. O objetivo da proposta seria a redução de 25% dos gastos da Câmara.

Dentre as medidas econômicas há a redução do número de vereadores, diminuição de 25% do salário dos vereadores e extinção da verba de gabinete.

Porém parece que o assunto não foi bem recebido por alguns vereadores e causou mal-estar nos corredores e nas reuniões ordinárias.

“Cuidar de seu mandato”

Durante a reunião da última quinta-feira, 22, foram trocadas diversas farpas entre nos pronunciamentos.

Houve vereador que explicou o porquê de precisar de quatro assessores, outro justificou os gastos do gabinete.

Também houve parlamentar que pediu que o vereador autor da proposta “cuidasse do próprio mandato.

Tirando da própria carne

De acordo com a assessoria do parlamentar, após supostamente ter sido “desafiado” por um colega, Matheus exonerou na sexta-feira, 23, um de seus assessores.

— Além disso, foi feito um ofício para que Matheus devolva toda a verba de gabinete que usou até agora para a Prefeitura — garantiu.

No texto da petição, os cortes são justificados devido à atual situação econômica enfrentada por Divinópolis.

— Para alcançarmos uma cidade mais justa, é preciso cortar na própria carne, reduzir a discrepância entre a situação confortável da Câmara, com a realidade que a cidade enfrenta. Somos nós, representantes do povo, quem precisamos dar o exemplo — alegou.

Outras realidades

Para ilustrar a fala de Matheus, perante as discrepâncias entre Câmara e o povo, os servidores da Câmara – incluindo os vereadores – já receberam a 1ª parcela do 13º salário deste ano. Enquanto isso, servidores da rede estadual ainda recebem, em suaves prestações, o 13º salário referente ao ano passado.

Cerca de 600 mil funcionários públicos em Minas tiveram o direito dividido em 11 vezes. Desde que foi proposta pelo governador Romeu Zema (Novo), em janeiro, a situação provocou a ira de inúmeros servidores.

As três primeiras parcelas foram de R$ 300 e, gradativamente, os valores continuam subindo para R$ 400, R$ 500, R$ 600, até chegar a R$ 800.

Petição

A petição, feita por Costa no início do mês, contava com quase 400 assinaturas, registradas até a noite de ontem. De acordo com a assessoria do vereador, a meta inicial era de que 300 pessoas aderissem à ideia.

Conforme o texto anexado na petição, além da redução de 25% dos gastos, o intuito do projeto é que a Casa Legisladora devolva R$ 5 milhões.

— Para serem investidos em Saúde, Educação, Infraestrutura, Segurança e outras áreas do Município — sugere o texto.

Salários reduzidos

Uma das propostas é a redução de 25% nos salários dos vereadores. Atualmente, os edis divinopolitanos recebem mensalmente R$ 11.572,41. Se a medida estivesse em vigor, a remuneração dos parlamentares seria de R$ 8.679,30.

Os salários dos assessores parlamentares deveriam ser reduzidos, de acordo com o texto. Em média, o ordenado de assessor é R$ 4,5 mil. A remuneração para esta função varia entre R$ 2 mil e R$ 7 mil. Por ano, a Câmara gasta cerca de R$ 3,672 milhões apenas com assessores parlamentares.

Menos vereadores e assessores

O número de vereadores também é uma das reduções que a proposta cita. De 17, a quantidade passaria para 13.

Os assessores também seriam reduzidos, segundo o projeto. Cada parlamentar conta com quatro assessores, que trabalham 150 horas mensalmente. A proposta prevê o corte de um funcionário para esta função.

Redução de comissionados

Uma das principais queixas da população, tanto para o Executivo quanto para o Legislativo, são os cargos comissionados. De acordo com a Câmara, atualmente são 131 servidores comissionados.

A proposta quer que este número seja reduzido em 25%. Se a petição se tornar lei, a quantidade cairia para aproximadamente 100 comissionados na Casa.

Somando todos os 164 servidores – sendo 131 comissionados e 33 efetivos – além dos salários dos vereadores, atualmente a Câmara gasta em média R$ 950 mil com folha de pagamento.

Sem verbas e carros

Outra mudança seria quanto às verbas dos gabinetes. Atualmente o assunto voltou aos holofotes, quando a coluna Preto no Branco do último dia 2 revelou alguns valores gastos nos gabinetes.

Enquanto alguns parlamentares consumem cerca de R$ 10, há quem gaste R$ 1 mil. Levando os mais gastadores como base, caso a verba fosse extinta, a Casa economizaria R$ 204 mil por ano e R$ 816 mil a cada mandato, supondo que cada vereador gaste R$ 1 mil por mês.

Porém, a economia pode ser dobrada, já que atualmente a verba de cada vereador para seu gabinete é de cerca de R$ 2 mil.

Outra extinção proposta seriam os carros oficiais.

Mais mudanças

Além destes cortes, a projeto de Matheus Costa inclui a redução de 25% com gastos gerais. Dentre estes gastos, estão combustível, hospedagem, homenagens etc.

Outra alteração seria os horários das reuniões ordinárias. Atualmente, são realizadas às terças e quintas, a partir de 14h. O novo horário proposto seria às 19h.

Projeto

A iniciativa não para na petição. Matheus Costa vai apresentar um Projeto de Lei (PL), em setembro, ou no máximo na virada para outubro. A petição, de acordo com a assessoria do vereador, é para que o projeto seja amparado pela vontade popular.

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