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Economia

Supermercados da cidade limitam vendas de arroz

Supermercados da cidade limitam vendas de arroz

Jorge Guimarães

As recentes enchentes que assolaram o Rio Grande do Sul, o maior produtor de arroz do Brasil, estão provocando preocupações significativas em relação ao abastecimento e aos preços do produto. Essa região desempenha um papel crucial na produção nacional do arroz, fornecendo uma parte substancial da demanda interna, já que é responsável por 70% da produção nacional. No entanto, as enchentes repentinas e os eventos climáticos extremos têm colocado em risco essa importante cadeia de suprimentos.

Situação preocupante

O arroz é um elemento fundamental na dieta dos brasileiros e sua escassez pode ter consequências significativas em várias esferas. Primeiramente, a falta do produto pode levar a um desabastecimento em diversas regiões do país, afetando diretamente os consumidores e os setores alimentício e de restaurantes. Com menos arroz disponível no mercado interno, os preços podem aumentar, impactando especialmente as famílias de baixa renda, que dependem desse alimento como uma fonte acessível de nutrição.

Conforme o economista Leandro Maia, para lidar com essa situação desafiadora, é essencial que sejam implementadas medidas eficazes e coordenadas. Isso inclui, segundo ele, o apoio governamental aos agricultores afetados, investimentos em infraestrutura para prevenção de enchentes e programas mais seguros que amenizem desastres naturais. 

— Além disso, estratégias de diversificação de culturas e adoção de tecnologias resilientes ao clima podem ajudar a reduzir a vulnerabilidade do setor agrícola a eventos climáticos extremos no futuro — avaliou o economista, Leandro Maia.

Além disso, o Brasil é um importante exportador de arroz para diversos países, e a escassez causada pelas enchentes no RS pode ter repercussões nos mercados internacionais. Isso também pode afetar em perdas econômicas significativas para os produtores e exportadores do grão. 

— Em resumo, as enchentes estão gerando preocupações legítimas sobre o abastecimento e os preços do arroz. Destacando-se a importância de uma abordagem mais forte e imediata, dos governantes, para lidar com os desafios decorrentes das mudanças climáticas e dos desastres naturais — definiu o economista.

Fake news

As fake news, têm se tornado uma preocupação crescente em diversos setores da sociedade, e sua influência maldosa pode ser especialmente prejudicial quando se trata da economia e do abastecimento de produtos essenciais, como o arroz. No contexto de uma possível escassez no mercado interno, as fake news podem amplificar os problemas existentes e criar uma atmosfera de incerteza e pânico que impacta negativamente toda a cadeia de suprimentos e a economia como um todo.

— Primeiramente, as fake news podem transmitir o medo e a ansiedade dos consumidores em relação à disponibilidade do arroz, levando a comportamentos irracionais, como o estoque excessivo do produto. Esse fenômeno, conhecido como corrida aos supermercados, pode esgotar rapidamente os estoques existentes e criar uma falsa sensação de escassez, mesmo que a oferta real do produto não esteja comprometida — pontua Leandro Maia.

Outro impacto significativo das fakes na economia em relação à escassez de arroz, ou outro qualquer produto, é a instabilidade dos preços. Notícias falsas que sugerem uma iminente falta de arroz podem desencadear especulações nos mercados financeiros e aumentar a demanda resultando em oscilações bruscas nos preços que prejudicam tanto os produtores quanto os consumidores.

— As notícias falsas representam uma ameaça real para a economia em situações de possível escassez de arroz no mercado interno, minando a confiança do público, provocando a instabilidade dos preços e prejudicando a eficiência dos sistemas de distribuição de alimentos. Para proteger a estabilidade econômica e garantir o acesso a alimentos essenciais, é crucial combater a disseminação destas notícias e promover uma cultura de informação responsável e baseada em fatos — avalia o economista.

Como foi o caso da dona de casa Beatriz Alves, que já recebeu inúmeras mensagens sobre o assunto, e as considerou como fakes news.

— Entre muitas que recebi estão falando até que vão faltar óleo, trigo e leite e é para gente ir imediatamente às compras. Isso pode levar a uma correria aos supermercados, como aconteceu no início da pandemia, e com isso os preços se elevarem muito mais, causando um impacto no nosso bolso. Não passo mesmo para frente essas notícias, que não vem de órgãos oficiais — disse.

Divinópolis

Em Divinópolis, desde a última segunda-feira, às redes de supermercados limitaram, como forma preventiva, a venda do arroz, pacote de 5 quilos, de acordo com suas estratégias. Então cabe ao consumidor fazer sua pesquisa, para melhor realizar sua compra. Conforme a reportagem verificou, têm redes que limitaram a compra em três pacotes por cada CPF, outras em 5 e tem até seis pacotes por cliente.

— Na verdade, a limitação vem de encontro com as dificuldades dos fornecedores e, também para evitar que os clientes que compram muito volume, zerem os estoques, deixando assim os consumidores finais desabastecidos. E como é um dos produtos de maior giro do mercado, essa situação adversa se reflete imediatamente na logística da entrega do mesmo. Lembrando que já tem fornecedor com estoque zerado — detalha o gerente de produção de uma determinada rede de supermercados, Sérgio Antônio de Oliveira. 

Já em outra rede, que está entre as dez maiores atacadistas do país, as mesmas medidas foram  adotadas, em relação à limitação na venda do arroz.

— Estamos limitando  até que o abastecimento volte a sua  a normalidade. E para podermos atender toda nossa demanda, que vai do grande ao pequeno comerciante, passando pela dona de casa, limitamos a compra em 30 pacotes, de cinco quilos, o equivalente a cinco fardos de arroz  — definiu o diretor Comercial e de Marketing, Filipe Amaral. 

Importar

Para evitar um possível aumento no preço, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) vai importar o produto já industrializado e empacotado principalmente no Mercosul, informou, na última terça, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro. E uma das primeiras medidas a serem tomadas é a edição de uma medida provisória autorizando a Conab a fazer compras, na ordem de 1 milhão de toneladas, justamente para evitar desabastecimento e a especulação.

Foto/Jorge Guimarães 

O arroz está com limitações nas vendas nos supermercados 

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