Suspeita de caso da vaca louca acende alerta em Minas Gerais

Da Redação
Um caso suspeito de contaminação pela doença da vaca louca é investigado pelo governo de Minas. O caso investigado é de um homem de 78 anos, morador da cidade de Ubaporanga, na Zona da Mata.
Apesar do quadro ser considerado suspeito, as autoridades afirmam que o caso do paciente provavelmente seja da Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma doença neurodegenerativa, caracterizada por provocar uma desordem cerebral com perda de memória e tremores.
Doença
A enfermidade, com nome oficial de Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), é um diagnóstico neurodegenerativo fatal que afeta o sistema nervoso central de bovinos. A principal forma de contaminação é devido a ingestão de uma proteína infecciosa chamada de príon. No caso dos animais, a contaminação pela doença é fatal, por isso, eles costumam ser sacrificados.
Quando o ser humano ingere alguma carne contaminada, o que geralmente é a principal forma de contágio, desenvolve uma variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob (vDCJ).
Nos animais, os principais sintomas da EEB são, mudança de comportamento, como isolamento, medo e agressividade, tremores musculares, dificuldade para andar, depressão, hipersensibilidade ao som e ao toque. Além disso, espasmos, postura anormal, falta de coordenação e perda de peso ou diminuição da produção de leite.
Primeiros casos
As primeiras ocorrências foram registradas no Reino Unido em 1986. Nesta época, um surto causado na região por meio da alimentação de bezerros jovens com farinha de carne e ossos bovinos infectados por príons.
No Brasil
Até ontem, 12, nenhum caso da vaca louca havia sido registrado no Brasil. Apenas um caso atípico foi notificado no Pará em 2023. O Ministério da Agricultura e Pecuária confirmou na época que não se tratava de um caso clássico da doença e que essa enfermidade não proporcionava riscos de transmissão.
Entre os anos de 2005 e 2014, o Brasil recebeu 603 notificações de casos suspeitos de DCJ. Do total, 55 foram confirmados, 52 descartados, 92 indefinidos e 404 tiveram a classificação final ignorada ou deixada em branco.
DCJ
A DCJ é um tipo de EET que atinge os humanos. As EET são chamadas assim por causa do seu poder de transmissibilidade e suas características neuropatológicas que provocam alterações espongiformes no cérebro das pessoas (aspectos esponjosos). A causa e transmissão desta doença estão ligadas a uma partícula proteinácea infectante denominada de “Príon” (do Inglês Proteinaceous Infections Particles).
Vale destacar que a transmissão da variante da DCJ é uma outra doença que também está associada ao consumo de carne e de subprodutos de bovinos contaminados pela Encefalopatia Espongiforme Transmissível (EET).
Sintomas
A pessoa contaminada apresenta enfraquecimento ou perda de algum dos sentidos, sensação de dormência ou formigamento em algumas partes do corpo, depressão e ansiedade. Além disso, a doença ainda causa psicose e alucinações auditivas ou visuais nas pessoas, além de abstinência, agitação, irritabilidade, insônia e esquecimento.
Manifestações da doença
As principais formas clínicas da DCJ são listadas em quatro: Esporádica - sendo a maioria pela forma aleatória, com 85%; Hereditária - acontece entre 10% e 15%¨por mutação hereditária no prion, decorrente de uma mudança no gene que codifica a produção da proteína priônica;
Iatrogênica, - sendo consequência de procedimentos cirúrgicos ou por meio do uso de instrumentos contaminados; Por fim, a variante da DCJ, uma outra manifestação da doença está associada ao consumo de carnes e subprodutos de bovinos contaminados pelo Encefalite Espongiforme Bovina (Doença da Vaca Louca).
Como não existe um tratamento e nem vacinas que combatam a doença, o recomendado para os fazendeiros é que sejam consumidas apenas rações autorizadas por órgãos competentes.
Prevenção
Uma forma comumente utilizada por países quando há suspeita de contaminação em animais, seria a proibição da importação da mercadoria.
Desde 1998, o governo brasileiro proibiu a importação de derivados de sangue humano doados por pessoas residentes no Reino Unido, além da importação e da comercialização de carne bovina e produtos de uso em saúde, cuja matéria-prima seja originada de países que apresentaram casos de EEB autóctones.
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