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Transporte público em Divinópolis já registra demissões em função da crise provocada pela pandemia

Por Portal Agora
Transporte público em Divinópolis já registra demissões em função da crise provocada pela pandemia

Paulo Vitor Souza

O sistema de transporte público do país vive um momento de crise sem precedentes. A principal causa apontada pelas empresas para a dificuldade enfrentada é a queda de demanda, agravada pelas medidas de isolamento que começam a ser afrouxadas no Estado. Com a nova flexibilização das atividades do comércio, o sistema vive a expectativa da volta do volume de passageiros e o retorno da capacidade total de operação, que foi reduzida há mais de três meses.

No Estado, as grandes cidades, como a capital mineira tiveram queda expressiva na média diária de movimentação no sistema de transportes no período em que Minas Gerais se protegia contra a pandemia. De acordo com a Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbano, até o fim do mês de abril, 314 cidades pelo Brasil já demonstravam diminuição de ônibus em circulação. O impacto da pandemia foi ainda mais evidenciado com a demora de auxílios anunciados às empresas pelos governos estaduais e federal.

Divinópolis

Na cidade, a situação do consórcio responsável pela manutenção das linhas de ônibus não é distante da realidade nacional. O diretor executivo da Consórcio TransOeste, Felipe Carvalho,  explica que a falta de incentivo fiscal do poder público é um agravante da crise.

— O transporte público em Divinópolis é um reflexo do que vive outros municípios mineiros e a capital Belo Horizonte. Aqui pode estar pior, porque não houve nenhum auxílio financeiro do Poder Executivo — explica.

Com a queda de arrecadação, as empresas temem um colapso financeiro, que segundo Felipe Carvalho, poderá ocasionar atraso de salários e falta de material de manutenção, como óleo diesel. O diretor do TransOeste ressalta que demissões já foram realizadas, e que os funcionários estão recebendo de maneira parcelada.

— A continuar desta maneira, existe risco de atrasos nos salários e falta de combustível, o que consequentemente pode paralisar os serviços (...) já houve demissões e os trabalhadores continuam recebendo de forma parcelada — pontuou.

Medidas

Com o avanço da pandemia nas cidades, medidas de segurança passaram a fazer parte do dia-dia de quem é usuário do transporte público. Em Divinópolis, apesar de as empresas, incluindo a Trancid realizarem higienização interna nos veículos duas vezes ao dia, a principal reclamação da população é a superlotação constante do sistema.

A reportagem conversou com a Dona Edna Moreira, moradora do bairro Cacoco. Segundo ela, há certa omissão em relação ao grande número de passageiros com que os ônibus estão lidando.

— Pra gente nunca foi fácil, e nós usamos isso daqui [transporte público] porque realmente é necessidade. Nos bairros como meu, que estão mais afastados, são poucas as linhas que chegam até lá, e a gente precisa esperar muito para conseguir chegar em casa — desabafou.

A superlotação dos veículos também é um dos pontos abordados pelo diretor executivo do consórcio.

— A população quer hoje mais ônibus com menos passageiros. Esta conta não tem como sustentar apenas pela tarifa. Tem que existir subsídio financeiro —apontou.

Perguntado qual a perspectiva para o setor financeiramente, Felipe defendeu que a gestão municipal precisa dar suporte para que o transporte público não entre em colapso. Ele também criticou o sistema municipal de gratuidade de passagens para pessoas idosas e portadoras de necessidades especiais.

— A saída é se criar fontes alternativas de custeio do sistema que não seja a tarifa. Hoje, a tarifa é a única receita do sistema. Todos os ônus o usuário é quem paga, até as gratuidades e o ISS [Imposto sobre serviços] por exemplo. Tem coisa mais injusta que um cidadão pagar para outra pessoa andar de graça? Quem tem que arcar com a gratuidade é o poder público. Já solicitamos reiteradamente subsídios públicos e desoneração de impostos — finalizou.

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