Carregando clima…
Educação

UFSJ rejeita proposta e mantém paralisação

UFSJ rejeita proposta e mantém paralisação

Matheus Augusto

Quase 60 instituições federais seguem em greve por tempo indeterminado no Brasil. A Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) rejeitou, nesta semana, a proposta oferecida pelo governo federal. A Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), sem aulas desde o último dia 2, também não tem perspectivas de retomar os trabalhos. 

A proposta do governo federal não prevê reajuste para este ano, apenas para 2025 (9%) e 2026 (3,5%). Esse é um dos principais entraves, afirmou a primeira secretária da Seção Sindical de Docentes da UFSJ (ADUFSJ), Tatiane Godoy.

— A categoria rechaçou a proposta que reafirma parte do que já havia sido apresentado no dia 19 de abril e um dos pontos principais é o reajuste zero para 2024 — justificou. 

Outra cobrança é pela recomposição do orçamento da universidade, considerado insuficiente.

— O aporte é de R$ 347 milhões, mas o Sindicato Nacional dos Docentes (ANDES) calcula que o necessário para corrigir as perdas inflacionárias desde 2016 seria uma recomposição de R$ 2,5 bilhões — informou a seção sindical. 

Pelas redes sociais, o Sindicato dos Servidores da Universidade Federal de São João del-Rei (Sinds-UFSJ) lamentou a postura do governo federal, “apresentando uma proposta pífia de reajuste” aos técnicos-administrativos. 

— Além do mais, terminou a reunião estipulando um prazo para a greve terminar. (...) O governo federal tem que entender que quem decide o momento de finalizar as negociações é a classe trabalhadora organizada em nossas bases — criticou. 

Uma nova assembleia geral está marcada para hoje, às 14h, para definir os próximos passos. 

Planejamento

O Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Conep) da UFSJ também aprovou, na quarta-feira, 22, a Resolução 002, regulamentando os procedimentos para a reposição das atividades acadêmicas dos cursos de graduação ao término da greve - ainda sem data para ser encerrada. 

— A decisão visa minimizar os impactos das greves sobre o calendário acadêmico e garantir a continuidade dos estudos dos discentes — informou a universidade. 

O texto determina que as faltas dos alunos durante o período de greve não serão computadas no Sistema Integrado de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA).

— Essa decisão busca proteger os estudantes de eventuais penalizações decorrentes da paralisação — justifica. 

Fica suspensa, ainda, a data-limite de fechamento dos diários e atas de resultados finais estabelecidos no calendário escolar deste ano. 

— Essa suspensão garante que os prazos sejam reavaliados e ajustados de acordo com o novo calendário a ser definido.

Um calendário específico será elaborado e aprovado pelo Conselho 

A Resolução Nº 002 já está em vigor, reafirmando o compromisso da UFSJ com a manutenção da qualidade e o bem-estar de sua comunidade acadêmica durante e após os períodos de greve.

Governo federal

O governo federal propôs, na última semana, um reajuste variável de 13,3% a 31%, começando no próximo ano até 2026. 

— Os que ganham mais terão o aumento mínimo de 13,3%. Quem recebe menos ganhará o reajuste máximo de 31% — informou a Agência Brasil. 

A expectativa era de que o pagamento começasse já no segundo semestre. 

Uemg

A Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) também segue em greve. Uma assembleia geral dos docentes está marcada para hoje, às 14h. A categoria permanece sem perspectivas de ter suas demandas atendidas - reajuste salarial, orçamento da universidade, concurso público e outras. 

Em entrevista à Itatiaia, nesta semana, o governador Romeu Zema (Novo) afirmou que o Estado tem condições de conceder apenas 3,62%, ainda em trâmite na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). 

— Eu gostaria de dar um reajuste de 20%, de 30%, sei que tanto o pessoal da segurança, da educação e de outras áreas trabalham duro e merecem. Mas não serei irresponsável, como já tivemos casos no passado, de se dar o reajuste e depois não ter o recurso para levar adiante as políticas públicas. Você ficar sem medicamento, pessoas falecerem? — justificou. 

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…