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Economia

Um salário mínimo para 120 fraldas por mês

Por Portal Agora
Um salário mínimo para 120 fraldas por mês

 

Matheus Augusto

Um idoso com um histórico de doença e, entre ele e a solução de parte de seus problemas, a burocracia. Sofrendo de incontinência urinária, o homem, de 73 anos, faz o uso de quatro fraldas diariamente. Recebendo cerca de um salário mínimo, toda a sua renda é destinada à compra de remédios. Buscando auxílio dentro do município, através dos programas governamentais, a melhor ajuda encontrada foi um desconto de R$ 3 na compra das fraldas.

No entanto, para conseguir o material gratuitamente, será necessário entrar na Justiça.

Dificuldades

O advogado Eduardo Augusto recebeu a esposa do paciente - ambos preferiram não ser identificados - em seu escritório para conhecer melhor a história deles. Segundo ele, quase toda a renda do casal é usada para pagar as despesas com fraldas e remédios, em razão dos problemas de saúde do marido.

— Os dois têm 73 anos. Ambos muito doentes; o marido mais ainda, pois está acamado. Ele sofre com o alzheimer, incontinência urinária e já teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC). O cidadão deve estar recebendo um salário mínimo, mas acaba gastando muito com remédios e fraldas. São quatro fraldas por dia — contou.

O advogado explicou as medidas cabíveis e a orientou a procurar o setor administrativo de Saúde. No local, a surpresa: a única maneira de conseguir as fraldas gratuitamente seria através de consultas periódicas ou por meios judiciais.

— Minha secretária foi com ela até o setor de Saúde da cidade e teve a notícia de que não são mais feitos processos administrativos. Ou seja, pelo Município, as pessoas não recebem mais fraldas, lá no administrativo, sem a necessidade do processo. Isso é um absurdo. E mais: só recebe por dez dias. Então, ou seja, no caso dele, doente, que não tem cura, de dez em dez dias a pessoa tem que ir ao Sistema Único de Saúde (SUS), no posto, pegar um novo relatório para apresentar para ter a fralda. Isso é desumano — ressalta.

O único benefício encontrado foi um desconto de R$ 3, através do programa do governo federal “Farmácia Popular”. 

— Eles dão um documento da negativa falando que tem direito [às fraldas] na Farmácia Popular. Chegando lá, as pessoas não recebem as fraldas de graça. Elas têm um desconto de R$ 3 no produto — relata o advogado.

Ajuda

Ao Agora, o advogado Eduardo Augusto afirmou que irá entrar com um processo judicial, sem custo para o casal, a fim de que eles consigam obter o material para os cuidados médicos. Apesar disso, ele destaca que é fundamental superar essa barreira burocrática.

— Eu vou entrar com um processo judicial para ela, gratuitamente. Mas isso tinha que ser evitado. Porque a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) tem essa obrigação e joga para o Estado, para a Justiça, para o juiz. É brincadeira. As coisas têm que melhorar, que funcionar, para resolver casos como esse na esfera administrativa, e não na Justiça — pontuou.

Essa é uma das principais críticas feitas pelo advogado: a burocracia impede o problema de ser solucionado administrativamente. Ou seja, o pedido de fraldas acaba se acumulando em meio a tantos outros na Justiça.

— A Secretaria Municipal de Saúde deveria ter um setor de processos administrativos, para entregar as fraldas para quem precisa, no mínimo, num prazo de 30 dias. (...) Fazer esses processos, e não empurrar para a Justiça, porque o setor judiciário já está cheio de processos “normais”. Agora, a Secretaria envia a demanda para o juiz resolver — frisa. 

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