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Polícia

14º homicídio do ano ocorre três dias após lançamento da operação ‘Juntos Pela Vida’

14º homicídio do ano ocorre três dias após lançamento da operação ‘Juntos Pela Vida’

Da Redação

Divinópolis registrou na manhã deste sábado, 19, seu 14º homicídio do ano, apenas três dias após o lançamento da operação "Juntos Pela Vida", iniciativa da Polícia Militar para conter a escalada do crime na cidade. O assassianato ocorreu no bairro Bela Vista, onde um homem de 35 anos foi executado a tiros em frente a uma loja de conveniência prestes a ser inaugurada na rua Noé Rosa, 350.  

Segundo relatos, um veículo chegou ao local por volta das 10h30, e um dos ocupantes efetuou vários disparos contra a vítima, que morreu no local. Outras duas pessoas foram atingidas e socorridas em estado grave para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). A identidade dos feridos não foi divulgada, e as motivações do crime ainda são desconhecidas.  

A vítima fatal tinha passagens policiais por dano, furto, ameaça, vias de fato e direção perigosa, mas não há confirmação sobre seu possível envolvimento em crimes recentes. A Polícia Civil assumiu as investigações e deve analisar imagens de câmeras de segurança para identificar os autores.  

"Juntos Pela Vida"

O crime ocorreu em um momento crítico para a segurança pública de Divinópolis. A Polícia Militar lançou na última quarta-feira, 16, a "Juntos Pela Vida", uma ação integrada que envolve forças de segurança, igrejas, centros espíritas e lideranças comunitárias para reduzir os homicídios na cidade.  

Até agora, 13 assassinatos haviam sido registrados em 2025, sendo que 10 das vítimas tinham passagens pela polícia. O subcomandante do 23º Batalhão, major Hélcio Tavares Rezende, destacou que a maioria dos crimes está ligada ao tráfico de drogas, mas também há casos de extorsão e conflitos interpessoais.  

Entre as medidas anunciadas está a criação da Patrulha de Prevenção a Homicídios, que atuará em áreas prioritárias (não divulgadas publicamente) com blitzes, abordagens e inteligência policial. A PM também pretende fortalecer parcerias com escolas e associações de bairro para ampliar a rede de prevenção.  


Operação x realidade


A "Juntos pela Vida", mobiliza PM, líderes religiosos e moradores para prevenir crimes. Porém, a execução no Bela Vista – bairro não classificado como área prioritária na operação – revela a complexidade do problema. O tenente Lucas Bicalho admite. 

— Mesmo vítimas sem passagem podem ter vínculos indiretos com o crime — revelou.  

Falhas na Segurança 

Enquanto a operação tenta frear a violência, especialistas e moradores criticam a falta de políticas eficazes de segurança. 

A socióloga e assistente social Lidiani Vanessa, doutoranda em Ciências Sociais pela PUC, aponta que o aumento de homicídios está ligado a fatores estruturais. 

— O acesso facilitado a armas de fogo, a ineficiência do Estado em coibir o crime organizado e a falta de oportunidades para jovens periféricos alimentam essa violência — disse. 

A socióloga também critica as abordagens atuais já que a operação pede ajuda às comunidades. 

— A polícia falha miseravelmente na prevenção. Quando a ação é em bairros nobres, a polícia age de forma diferente. Na periferia, as abordagens são mais violentas e desorganizadas. A ausência de câmeras nos uniformes policiais em Minas Gerais agrava esse cenário, pois não há transparência — destacou. 
Dados do Mapa da Violência corroboram. 

— Divinópolis reflete o Brasil: mortes por armas de fogo crescem entre pobres, enquanto a polícia age com seletividade —completa Lidiani.

Greve e cortes orçamentários

Além dos desafios operacionais, as forças de segurança em Minas Gerais enfrentam uma grave crise financeira. No início do mês, dia 8, centenas de policiais, bombeiros e agentes penitenciários bloquearam a avenida Afonso Pena, em Belo Horizonte, em protesto contra o governo Romeu Zema (Novo), que, segundo eles, não cumpriu a promessa de recomposição salarial.  

O sargento Walter Carvalho, fundador da Associação Central Única dos Militares Estaduais (Cume), afirmou. 

— Há seis anos não temos reajuste. O governador Zema prometeu corrigir as perdas inflacionárias em três parcelas, mas pagou apenas uma. Enquanto isso, policiais estão sobrecarregados, com efetivo reduzido e sem condições de trabalho — revela.   

A situação piorou com o anúncio de cortes orçamentários na Polícia Militar, determinados pelo governo na última sexta-feira, 18. Um decreto de contingenciamento suspendeu treinamentos, diligências e compras de equipamentos, alegando "equilíbrio fiscal". 

Cenário de desafios

O registro de mais um homicídio na cidade escancara a complexidade do problema da violência, que exige não apenas ações repressivas, mas políticas sociais, investimentos em inteligência e melhores condições para as forças de segurança.  

Enquanto a operação "Juntos Pela Vida" tenta mobilizar a sociedade, a falta de recursos, a insatisfação policial e as críticas às abordagens violentas mostram que o caminho para reduzir os crimes ainda é longo e cheio de obstáculos. 

Número de homicídios em 2025 

Homicídios em 2025

| Mês      | número de homicídios |  

|———-|———————-|  

| Janeiro  |  3 |  

| Fevereiro| 5 |  

| Março    | 4 |
| Abril |    | 2 |

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