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Educação

Abandono escolar despenca e chega ao menor índice dos últimos anos em MG

Por Bruno
Abandono escolar despenca e chega ao menor índice dos últimos anos em MG

Lucas Maciel

Menos alunos abandonando os estudos, menos reprovações e mais estudantes concluindo cada etapa da educação na idade correta. Esse é o cenário revelado pelos dados do Censo Escolar 2025, divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) na última semana, que apontam uma melhora consistente nos indicadores da rede estadual de ensino em Minas Gerais.

O levantamento mostra que o estado reduziu de forma expressiva a evasão escolar nos últimos anos e alcançou o menor índice de abandono da série histórica recente. Na rede estadual, o indicador caiu de 7,5% em 2022 para 2,5% em 2025, representando uma redução de cerca de dois terços no período analisado.

Números

Os dados do Censo Escolar indicam que a queda no abandono não foi pontual, mas parte de uma tendência contínua de recuperação do fluxo escolar em Minas Gerais.

Entre 2022 e 2025, a taxa de abandono caiu de 7,5% para 2,5% em todo o estado. Já na rede estadual, o avanço foi ainda mais expressivo em curto prazo: o índice recuou de 3,26% em 2024 para 1,64% em 2025, praticamente pela metade em apenas um ano.

A redução coloca Minas entre os estados com melhor desempenho na permanência dos estudantes na escola, segundo os dados oficiais do Inep.

Reprovação também recua 

Além da queda no abandono, o levantamento mostra redução significativa nas taxas de reprovação. Em Minas Gerais, o índice caiu de 8% para 2,3% no mesmo período analisado.

Com isso, cresce o número de estudantes que conseguem avançar de ano dentro do tempo esperado, o que impacta diretamente na diminuição da distorção idade-série e na regularização da trajetória escolar.

O indicador de distorção idade-série também apresentou melhora: caiu de 20,3% para 13,7%, segundo os dados do Censo Escolar 2025.

Principais estratégias

Entre os fatores associados à redução do abandono escolar está o programa Busca Ativa Escolar, que tem como objetivo identificar estudantes que deixaram de frequentar as aulas e reintegrá-los à rede de ensino.

De acordo com os dados apresentados pelo levantamento, a estratégia contribuiu para o retorno de 94 mil estudantes em 2024 e outros 68 mil em 2023. Apenas nos primeiros meses de 2025, cerca de 45 mil jovens já haviam retomado os estudos por meio da iniciativa.

A metodologia é desenvolvida em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e utiliza ferramentas digitais para monitoramento de estudantes em risco de evasão.

Permanência na escola

Além da Busca Ativa Escolar, outros programas são apontados pelo governo do Estado como parte do conjunto de ações que contribuiu para a melhora dos indicadores.

Entre eles está o Trilhas do Futuro, que amplia a oferta de cursos técnicos gratuitos integrados ao ensino médio, aproximando a formação escolar do mercado de trabalho.

Outro fator destacado é o investimento em infraestrutura e alimentação escolar, que já ultrapassa R$ 1,5 bilhão, segundo dados do governo estadual. A estrutura física das escolas e a garantia de merenda são apontadas como elementos que influenciam diretamente na permanência dos alunos.

O uso de ferramentas digitais também passou a ter papel importante no acompanhamento da frequência escolar. O Diário Escolar Digital (DED+) e painéis de monitoramento permitem identificar rapidamente alunos infrequentes e agir antes que o abandono ocorra.

Ensino fundamental 

Os dados do Censo Escolar 2025 também mostram melhora significativa no ensino fundamental da rede pública em todo o país.

A taxa de aprovação alcançou 97% entre 2007 e 2025, enquanto a reprovação caiu de 13% para 2,4% no período. Já o abandono escolar recuou de 5,2% para 0,6%.

O levantamento aponta ainda que a melhoria foi generalizada, com destaque para grupos historicamente mais vulneráveis. Estudantes indígenas tiveram aprovação de 92,9%, enquanto comunidades quilombolas chegaram a 95,3%.

Na educação especial, o índice de aprovação atingiu 96,7%, e estudantes pretos e pardos também registraram 96,7% de sucesso escolar, aproximando-se da média nacional.

Redução das desigualdades

As escolas rurais também apresentaram evolução, com taxa de aprovação de 96%, reduzindo a diferença em relação às escolas urbanas, que registraram 97,1%.

Os dados indicam ainda taxas de abandono consideradas residuais em praticamente todos os recortes analisados, reforçando a tendência de melhoria no fluxo escolar e de redução das desigualdades educacionais.

Segundo o Inep, os indicadores ajudam a monitorar a qualidade da educação básica e servem de base para políticas públicas e para o acompanhamento de metas do Plano Nacional de Educação.

Cenário nacional

Em nível nacional, os dados do Censo Escolar apontam queda de 62% na reprovação, 61% no abandono e 28% no atraso escolar entre 2022 e 2025 no ensino médio da rede pública.

O avanço é atribuído a um conjunto de políticas voltadas à permanência dos estudantes, como programas de incentivo financeiro, ampliação do ensino integral, expansão da educação técnica e ações de conectividade nas escolas.

Especialistas apontam que a redução do abandono representa um avanço importante, mas destacam que o desafio agora é garantir não apenas a permanência, mas também a qualidade da aprendizagem.

Desafio atual

Apesar da melhora nos indicadores de fluxo escolar, pesquisas educacionais indicam que o desempenho em aprendizagem ainda é um ponto de atenção no país.

Dados recentes mostram que uma parcela reduzida dos estudantes conclui o ensino médio com domínio adequado de competências em língua portuguesa e matemática, o que reforça a necessidade de políticas voltadas à qualidade do ensino.

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