Advogado não é super-herói, é mais um ser humano

Eduardo Augusto Silva Teixeira
A advocacia é uma das poucas profissões definidas e registradas na Constituição Federal do Brasil, tamanha sua relevância social.
A profissão está definida no artigo 133 que estabelece: "o advogado é indispensável à administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no exercício da profissão, nos limites da lei".
O diploma constitucional define a advocacia, o advogado como um profissional essencial para a administração da Justiça, destacando sua inviolabilidade por atos e manifestações no exercício da profissão, INTEGRALMENTE.
Essa inviolabilidade é uma prerrogativa profissional que visa garantir a liberdade e a independência do advogado na defesa dos direitos de seus clientes, seja no ambiente administrativo e judicial.
Acontece que, essa garantia constitucional não impede que o ser humano seja atingido em sua atuação como advogado, atente-se.
E por que estamos abordando essa situação? É porque muitos acreditam que o advogado é uma espécie de super-herói, esses dos filmes, das revistas em quadrinhos, do imaginário das pessoas – o advogado é gente, gente como você leitor, que vive, que sofre, que morre.
Lembro um dia em que conversando com um colega muito atuante e maravilhado com a profissão, respeitado pelos colegas e pela sociedade, sem tempo para nada, tudo era a sua profissão, com vistas ao seu sucesso e a sua família, morrer numa mesa de cirurgia, por falta do tempo de um checape de sua saúde física, era tarde demais.
As coisas no mundo da advocacia não são mil maravilhas, até porque a nossa atuação, essa de defender direitos de pessoas físicas e/ou jurídicas, bate de frente com adversários, com barreiras invisíveis, e até imagináveis; não é fácil ser advogado, sobretudo, no Brasil, onde vivenciamos tempos difíceis de instabilidade social, política, institucionais, etc.
Em 2023 um estudo feito pelo jornal Washington Post dos Estados Unidos concluiu que advogar é a profissão mais estressante dentre todas as demais profissões, de lá para cá, as coisas pioraram e muito no Brasil...
Estresse nosso do dia a dia é arriscado e pesado, imaginem quando o advogado além de seus problemas cuida dos problemas e causas de seus clientes, diariamente, isso eleva e muito seu estresse, porque acaba que vivenciamos as dores de nossos assistidos.
A OAB, vivenciando os mesmos problemas, em 2019 elaborou uma cartilha alertando toda a classe para a preocupação da saúde mental e física dos seus inscritos.
Cito trecho: “inerente à profissão do Advogado, o sofrimento alheio é o que permeia seu dia a dia, o que faz com que a busca dos ideais de justiça, humanidade, cidadania, da preservação de direitos no justo e no ético, lhe ofereça muitas recompensas, mas também um apropriar do sentimento das dores do outro, do futuro, dos ideais. É da profissão, certamente, mas que pode lhe ocasionar transtornos e frustrações que não raro, desencadeiam doenças das mais variadas”.
Nesse caminho a OAB precisa ter um cuidado especial com a saúde mental de seus profissionais, na medida em que a prática da nossa profissão pode ser favorável ao desenvolvimento de transtornos mentais de origem ocupacional.
O advogado deve estar preparado psicologicamente para entender seus limites e sempre se acobertar de uma orientação especializada, seja através de médicos para ter seus exames atualizados, um psiquiatra e/ou psicólogo para análise de sua saúde mental.
O estilo de vida do advogado, incluindo uma boa alimentação, sono de qualidade e atividade física regular é essencial para a saúde mental, pois corpo e mente estão sempre interligados, até mesmo para que este profissional possa desempenhar bem suas atribuições como advogado e cuidar de suas coisas.
Último dia 11, comemoramos o Dia do Advogado, que cada colega advogado (a) cuide de si mesmo, antes mesmo de cuidarmos dos outros, é esse nosso desejo, saúde em primeiro lugar, o resto, vem agregado.
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