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Polícia

‘Agosto Lilás’ termina, mas alerta sobre violência contra mulheres continua

População feminina representa 76% das vítimas de agressões  notificadas em Divinópolis neste 

Por Jonny Reisle · Redação· 3 min de leitura
‘Agosto Lilás’ termina, mas alerta sobre violência contra mulheres continua

O fim do ‘Agosto Lilás’, nesta segunda-feira, 31, encerra o período de mobilização dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, mas os números registrados em Divinópolis mostram que o alerta precisa continuar durante todo o ano. De janeiro a julho de 2026, 288 casos de violência foram notificados no município pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Desse total, 218 tiveram mulheres como vítimas, o equivalente a 76%.

Números assustam

O levantamento também chama atenção para crianças, adolescentes e idosos. Dos 288 casos, 105 envolveram menores de idade e 13 tiveram idosos como vítimas. Ao todo, foram registrados 67 casos de violência sexual.

Entre as faixas etárias, o grupo de 10 a 14 anos concentra o maior número de notificações, com 57 vítimas. Destas, 47 eram meninas. No recorte específico das vítimas femininas, 80 registros envolveram meninas menores de idade.

Março foi o mês com mais notificações entre janeiro e julho, com 69 registros, seguido por abril, com 53. Os dados correspondem às notificações registradas pelos serviços responsáveis e não representam, necessariamente, a totalidade dos episódios de violência ocorridos na cidade.


Dentro de casa

A residência aparece como o principal local das ocorrências envolvendo vítimas femininas, com 167 registros. O número é muito superior ao da via pública, que aparece em 11 casos. O dado reforça a preocupação com situações de violência que acontecem dentro do ambiente doméstico e podem envolver pessoas próximas às vítimas.

Entre os tipos de violência contra mulheres, a física aparece em primeiro lugar, com 159 notificações. Em seguida estão a violência sexual, com 60 casos, e a psicológica, com 44. Também foram registrados episódios de negligência ou abandono, tortura e violência financeira ou econômica.

A violência contra a mulher vai além das agressões físicas. Ameaças, humilhações, controle, abuso sexual e restrições financeiras também podem caracterizar situações de violência e exigem atenção da sociedade e da rede de proteção.


Ações em Divinópolis

Durante o “Agosto Lilás”, a Prefeitura de Divinópolis realizou ações internas e externas de orientação, conscientização e prevenção. As atividades buscaram levar informações à população e aos servidores, além de estimular a identificação de sinais de violência e reforçar a importância do acolhimento e da busca por ajuda.

Com o fim da campanha, a proposta é manter o tema em evidência durante os demais meses do ano. A informação é considerada uma das principais ferramentas para reconhecer situações de violência e orientar as vítimas sobre os caminhos disponíveis para buscar proteção.

Os dados do Sinan, porém, precisam ser interpretados dentro do contexto da Vigilância em Saúde. Eles não correspondem necessariamente ao número de boletins de ocorrência ou denúncias policiais. Além disso, uma mesma ocorrência pode apresentar mais de um tipo ou meio de violência, razão pela qual as categorias não devem ser somadas como se representassem vítimas diferentes.


Capacitação

A necessidade de qualificar os profissionais que atuam no atendimento às vítimas também ganhou destaque durante o mês. Em âmbito nacional, pelo menos 7,5 mil agentes de segurança pública de 27 capitais e 81 cidades do interior participam de uma capacitação voltada ao atendimento de mulheres vítimas de violência. Outros dois mil profissionais já haviam realizado o treinamento nos últimos três anos.

A formação reúne policiais civis, militares e penais, bombeiros, guardas municipais e profissionais das perícias oficiais, com o objetivo de qualificar o atendimento e ampliar a proteção às vítimas.

Também foi anunciada a criação de um grupo de trabalho interministerial para elaborar um protocolo nacional de atendimento a mulheres vítimas de violência sexual, buscando estabelecer procedimentos mais qualificados e humanizados nas delegacias e fortalecer a articulação com outras áreas, como a saúde.


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