Grupo de brasileiros atraído por falsas vagas de emprego fica retido sem passaporte em Madagascar
Duas mineiras estão entre as vítimas; em Divinópolis, pelo menos cinco pessoas já caíram em golpe semelhante, conforme mostrou o Agora na última semana

Um grupo de 23 brasileiros está retido em Madagascar, na costa sudeste da África, sem os passaportes e à espera de ajuda para retornar ao Brasil. Segundo a ONG The Exodus Road Brazil, os brasileiros foram levados ao Camboja com falsas promessas de emprego e, durante o período em que permaneceram no país, eram obrigados a aplicar golpes virtuais contra vítimas no Brasil.
A organização acompanha o caso como uma possível situação de tráfico humano, mas ressalta que a condição de cada integrante do grupo ainda precisa ser investigada individualmente pelas autoridades.
Vítimas
Entre os brasileiros estão duas moradoras de Uberaba, no Triângulo Mineiro. As irmãs viajaram com a promessa de trabalhar em um salão de beleza, mas, segundo a família, acabaram mantidas em cativeiro e forçadas a participar do esquema criminoso.
Golpe
Segundo a ONG, os brasileiros foram levados inicialmente para o Camboja, onde permaneceram por quase cinco meses. As vítimas eram obrigadas a aplicar diferentes tipos de golpes, incluindo falsas abordagens em nome da Polícia Federal e o chamado “golpe do amor”.
No dia 19 de agosto, durante uma operação contra a rede criminosa, eles foram levados pela polícia para Madagascar. Parte do grupo permaneceu detida por cerca de três dias, enquanto outros ficaram aproximadamente cinco dias.
Após serem liberados, os brasileiros continuaram no país sem os passaportes. Com auxílio da ONG, foram acolhidos por uma organização local e levados para uma casa, onde recebem alimentação e outros itens básicos enquanto aguardam uma solução para o retorno.
Resgate
O Itamaraty informou que presta assistência consular aos brasileiros e mantém contato com as autoridades locais. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a repatriação é um recurso excepcional e depende da comprovação de que o cidadão não tem condições de retornar por meios próprios ou com auxílio de familiares.
Golpe em Divinópolis
O caso chama atenção para uma modalidade de golpe que também já fez vítimas em Divinópolis. Na última semana, o Agora mostrou que pelo menos cinco moradores da cidade caíram no golpe da falsa vaga de emprego.
Nos casos registrados no município, os criminosos criavam processos seletivos aparentemente legítimos e chegavam a alugar salas comerciais ou espaços de coworking para realizar entrevistas. Depois, utilizavam os dados coletados para aplicar outras fraudes.
Segundo a Polícia Civil, informações pessoais e reconhecimento facial podem ser usados para contratar empréstimos, financiamentos de veículos e realizar outras operações em nome das vítimas.
Divinópolis registrou 1.533 casos de estelionato em 2026, segundo dados da Polícia Civil, uma média de aproximadamente 6,5 ocorrências por dia.
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