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Saúde

Além do Cuidado: quando uma cirurgia se torna notícia

Por Redação Jornal Agora · Redação· 3 min de leitura
Além do Cuidado: quando uma cirurgia se torna notícia

Uma cirurgia raramente vira notícia. O que chega ao público é o depois: a criança que voltou a se alimentar, o adolescente que voltou a sorrir, a família que recomeçou. Por trás dele existe uma decisão institucional que quase nunca aparece: a de investir em tecnologia, conhecimento e pessoas para que aquele resultado deixe de ser exceção e passe a ser rotina. É ela que transforma um procedimento em notícia.

No São João de Deus Complexo de Saúde, essa decisão tem nome: Refaces, o Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e Deformidades Craniofaciais. O Refaces nasceu diante de um vazio assistencial concreto: Minas Gerais não dispunha de oferta suficiente, em qualidade e em quantidade, para o tratamento das deformidades craniofaciais. São pacientes que não precisam de uma cirurgia isolada, mas de uma linha de cuidado que acompanha o crescimento do rosto ao longo de anos. O serviço foi estruturado assim: assistência multidisciplinar integral, com quinze especialidades articuladas, acolhendo o paciente dos primeiros dias de vida aos 21 anos.

O segundo passo foi atualizar a terapêutica. Parte relevante do que ainda se praticava nesse segmento estava em contrafluxo assistencial, defasada em relação à literatura internacional. Com apoio irrestrito da direção, o Refaces incorporou à assistência ao paciente do SUS tecnologia até então restrita a poucos centros.

A primeira delas foram as reconstruções faciais com próteses customizadas de titânio, as chamadas próteses paciente-específico. O trabalho começa muito antes da sala cirúrgica: a partir dos exames de imagem, a correção é planejada em software, em três dimensões, e a peça é fabricada sob medida para aquele rosto e aquele defeito. O titânio é altamente biocompatível e bem tolerado pelo organismo. O resultado é uma cirurgia mais previsível e mais curta, com menor morbidade, menor tempo de internação e reconstrução de alta qualidade funcional e estética. Essa etapa só foi possível pela parceria construída entre o São João de Deus e a CPMH, empresa brasileira de dispositivos customizados.

A segunda inovação foi a incorporação da tecnologia robótica às cirurgias bucomaxilofaciais, em parceria com a Brainlab — iniciativa pioneira no país nesse segmento assistencial. A tecnologia opera por navegação transoperatória em tempo real: os instrumentos cirúrgicos são calibrados e transportados para a tela do navegador, e o cirurgião passa a enxergar exatamente onde está a ponta do seu instrumento em relação a estruturas vitais — nervos, vasos, órbita, base do crânio. É precisão milimétrica em regiões onde, sem esse recurso, restariam apenas referências indiretas. Não se trata de substituir o cirurgião, e sim de lhe dar visão onde antes havia inferência.

O ganho é direto para quem está na mesa cirúrgica: menor risco, prognóstico mais favorável, menos tempo de anestesia e de internação, menor necessidade de reintervenções — e melhor uso do recurso público. Em outras palavras: um padrão tecnológico até aqui associado ao segmento privado de alto custo passou a estar disponível, em Divinópolis, para o paciente do SUS.

Inovar exige visão de vanguarda e exige coragem — a coragem de sustentar o novo antes que ele se torne consenso. Esses dois elementos têm estado presentes na gestão atual do São João de Deus, na figura da CEO Elis Regina Guimarães e de sua direção, e são eles que posicionam a instituição em patamar assistencial equivalente ao de grandes referências de alta complexidade.

Thiago Rodrigues de Aguiar — Coordenador do Serviço de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial e Deformidades Craniofaciais (Refaces) do São João de Deus Complexo de Saúde. Graduado em Odontologia. Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial (CRO-MG 32.304).


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