Alimentação e saúde lideram alta da inflação em abril

Da Redação
Após registrar alta de 0,33% em janeiro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no país, segue acompanhando as projeções do mercado e do Banco Central. Em abril, a inflação oficial do Brasil, registrou alta de 0,67%.
O dado foi divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e mostra uma desaceleração em relação ao mês de março, quando o índice havia alcançado 0,88%. Apesar da redução no ritmo de crescimento, o resultado representa a maior inflação para o mês nos últimos quatro anos.
Mesmo com a desaceleração em comparação ao mês anterior, os dados indicam que a inflação ainda permanece em um nível que exige atenção das autoridades econômicas.
— O cenário reforça a necessidade de medidas de controle por parte do governo e do Banco Central, principalmente por meio da política monetária e do acompanhamento da taxa básica de juros, a Selic — avaliou o economista, Leandro Maia.
A expectativa é de que o índice encerre o ano em torno de 3,95%, valor que permanece dentro do intervalo da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
Acumulado
Com o resultado registrado nos últimos meses, a inflação acumulada no ano alcançou 2,60%, enquanto o índice acumulado em 12 meses chegou a 4,39%. Embora o percentual ainda permaneça dentro da meta estabelecida pelo Banco Central do Brasil, que pode oscilar entre 1,5% e 4,5%, os números demonstram que a inflação continua em um patamar elevado.
Esse cenário reflete o aumento contínuo dos preços de produtos e serviços essenciais, como alimentos, combustíveis, energia elétrica e medicamentos, itens que impactam diretamente o custo de vida dos brasileiros.
— Mesmo sem ultrapassar o limite da meta inflacionária, a elevação dos preços reduz o poder de compra das famílias, especialmente das classes de menor renda, que destinam grande parte do orçamento às despesas básicas — pontuou Maia.
Grupos
A maior variação da inflação no período foi registrada pelo grupo de alimentação e bebidas, que apresentou aumento de 1,34%, tornando-se o principal responsável pelo avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Em seguida, destacou-se o grupo da saúde e cuidados pessoais, com alta de 1,16%. Juntos, esses dois setores responderam por aproximadamente 67% do resultado total da inflação do mês.
Os demais grupos pesquisados apresentaram variações mais moderadas, todas abaixo de 1,00%. Os menores índices foram observados nos setores de transportes e educação, ambos com variação de apenas 0,06%. Por outro lado, o grupo artigos de residência registrou alta de 0,65%.
Impacto
O avanço da inflação nos grupos da alimentação e bebidas, saúde e cuidados pessoais, já começa a ser sentido de forma mais intensa pelos moradores de Divinópolis.
A aposentada Eliene Rocha, moradora da região central da cidade, relatou que a principal dificuldade está nas compras do supermercado.
— Cada vez que vou ao mercado, levo menos produtos e pago mais caro. Carne, café, leite e verduras subiram muito. A gente acaba cortando algumas coisas para conseguir fechar o mês — afirmou.
Nos estabelecimentos comerciais, os empresários também enfrentam desafios para equilibrar os custos e manter as vendas. O comerciante Roberto Silva, proprietário de uma mercearia no bairro Bom Pastor, explicou que os reajustes têm sido frequentes.
— Os fornecedores aumentam os preços quase toda semana. A gente tenta não repassar tudo para o consumidor, mas chega um momento em que fica impossível absorver os custos — comentou.
O setor farmacêutico também percebe mudanças no comportamento dos consumidores. Segundo a gerente de farmácia Juliana Ferreira, muitas pessoas estão pesquisando mais antes de comprar medicamentos e produtos de higiene pessoal.
— Tem cliente levando apenas o essencial ou procurando marcas mais baratas. O aumento nos remédios pesa muito, principalmente para idosos e pessoas que fazem tratamento contínuo — destacou.
Para o economista Leandro Maia, os números da inflação mostram uma pressão concentrada justamente em áreas fundamentais para a população.
— Quando alimentação e saúde sobem acima da média, o impacto social é muito maior, porque são despesas que as famílias não conseguem evitar. Isso reduz o poder de compra e afeta principalmente as classes média e baixa — explica.
Produtos básicos
Outro dado que chama atenção no cenário inflacionário é o comportamento da alimentação consumida em casa, que apresentou variação de 1,64% no período.
Entre os itens que mais subiram, a cenoura liderou com aumento expressivo de 26,63%, seguida pelo leite longa vida, que registrou alta de 13,66%. A cebola também apresentou forte elevação, com 11,76%, enquanto o tomate subiu 6,13%. Já as carnes, um dos produtos de maior peso na alimentação doméstica, tiveram aumento de 1,59%.
Esses reajustes refletem fatores como condições climáticas, aumento dos custos de produção, transporte e oscilações na oferta de produtos agrícolas.
— O resultado é percebido diretamente pelos consumidores, que enfrentam dificuldades para manter o padrão de compras diante dos preços mais elevados nos supermercados e feiras — observou o economista.
Por outro lado, alguns produtos apresentaram redução nos preços, ajudando a amenizar parcialmente o impacto da inflação. O café moído registrou queda de 2,30%, enquanto o frango em pedaços ficou 2,14% mais barato.
Alimentação
A alimentação fora de casa também apresentou aumento nos preços, registrando alta de 0,59% no período analisado.
Entre os principais destaques, o preço do lanche apresentou desaceleração, passando de 0,89% em março para 0,71% em abril. Já o item refeição registrou movimento contrário, subindo de 0,49% em março para 0,54% em abril.
Mudança de hábito
O aumento constante nos preços da alimentação, tanto dentro quanto fora de casa, continua impactando diretamente o orçamento das famílias em Divinópolis. Com refeições mais caras em restaurantes, lanchonetes e até nos supermercados, muitos consumidores têm precisado mudar hábitos para conseguir equilibrar as contas no fim do mês.
A auxiliar administrativa Fernanda Oliveira contou que reduziu a frequência com que almoça fora durante a semana.
— Antes eu comia em restaurante quase todos os dias por causa do trabalho. Agora estou levando marmita de casa porque ficou muito pesado no orçamento. Qualquer almoço simples já custa bem mais do que há alguns meses — relatou.
O motorista Celso Augusto de Melo também percebeu diferença nos gastos com alimentação.
— Até o lanche ficou caro. Um sanduíche com refrigerante pesa bastante no bolso quando a gente soma tudo no final do mês. Hoje procuro lugares mais baratos e evito sair para comer nos finais de semana — afirmou.
Já a aposentada Lúcia Martins disse que o aumento no supermercado obrigou a família a adaptar o cardápio.
— A carne subiu muito, alguns legumes também. A gente pesquisa mais os preços e troca alguns produtos por opções mais em conta. Comer fora virou exceção aqui em casa — comentou.
Para muitos consumidores, a estratégia tem sido aproveitar promoções e cozinhar mais em casa. O estudante Rafael Souza explicou que os colegas da faculdade também mudaram os hábitos.
— Muita gente passou a comprar ingredientes para fazer comida em casa. Comer em praça de alimentação todos os dias ficou inviável — destaca.
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