Festas juninas aquecem comércio e impulsionam vendas em Divinópolis

Jorge Guimarães
Junho vem chegando e trazendo consigo o colorido das bandeirinhas, o som animado do forró e o aroma irresistível das comidas típicas que aquecem o coração dos brasileiros. É tempo de celebrar as tradicionais festas juninas, uma das manifestações culturais mais queridas do país, marcadas pela celebração, pela fé e pela união entre famílias e amigos.
Mas, para a alegria de vários segmentos ligados as tradições, junho além de sabores inesquecíveis é também sinônimo de bons faturamentos. Milho verde, pamonha, canjica, curau, bolo de fubá, pé de moleque e quentão tomam conta das mesas, transformando cada arraial em um verdadeiro festival gastronômico. É a temporada mais saborosa do ano, onde cada prato carrega memórias afetivas e o gostinho acolhedor da roça.
Preparativos
Assim, com a chegada do mês de junho, o clima das tradicionais festas juninas já começa a tomar conta de Divinópolis. Em diferentes pontos da cidade, comerciantes, famílias, escolas, igrejas e clubes aceleram os preparativos para uma das épocas mais queridas do ano.
Para quem trabalha diretamente com produtos ligados ao período, o movimento já é perceptível. A comerciante Ana Paula Ribeiro, dona de uma loja de tecidos e fantasias no Centro, contou que a procura aumentou nas últimas semanas.
— Assim que chega maio, o pessoal já começa a procurar vestido caipira, chapéu de palha e acessórios. As escolas fazem muitas encomendas e as famílias também entram no clima. É uma época muito boa para o comércio — afirmou.
Nas padarias e confeitarias, a produção de quitutes típicos também começa cedo. O empresário Kelmert Bueno, proprietário de uma quintada e cafeteira tradicional do bairro Bom Pastor, destacou que os pedidos de bolo de milho, pé de moleque e paçoca já cresceram.
— A festa junina mexe com a memória afetiva das pessoas. Todo mundo quer aquela comida típica feita com carinho. A gente já começou a reforçar a produção porque a procura aumenta bastante — explicou.
Quem trabalha com decoração também comemora o período. A artesã Juliana Mendes disse que as encomendas de bandeirinhas, painéis e artigos rústicos praticamente dobraram neste ano.
— As igrejas, escolas e clubes querem tudo bem colorido e personalizado. É uma tradição que passa de geração em geração e deixa a cidade mais alegre — comentou.
Nas escolas, os ensaios das quadrilhas já fazem parte da rotina dos alunos. A professora Patrícia Almeida acredita que as festas juninas vão além da diversão.
— É um momento importante de convivência, de valorização da cultura popular e também de união das famílias. Os alunos ficam ansiosos pelos ensaios e apresentações — destacou.
Consumidores
Entre os consumidores, a expectativa também é grande. A aposentada Maria das Dores Ferreira, moradora do bairro São José, já organiza a festa da família.
— A gente espera o ano inteiro por essa época. Tem comida boa, música, dança e reúne todo mundo. É uma tradição que não pode acabar — disse sorrindo.
As celebrações ganham vida em diferentes espaços, das festanças de rua aos eventos comunitários.
— Nesse ano, minha filha vai dançar quadrilha na escolinha e já estou fazendo o vestidinho dela. Ela vai toda a caráter, com direito a maria chiquinha e tudo mais — contou a corretora de imóveis Rogéria Martins.
Assim como Rogéria, muitos pais e responsáveis se envolvem com carinho nos detalhes, fazem trajes caipiras, ensaiam com as crianças e se organizam para prestigiar as apresentações, que enchem de orgulho e emoção.
— É bonito ver como todo mundo se envolve. As crianças ficam empolgadas, os pais ajudam e as escolas se dedicam para fazer bonito. As festas juninas têm esse poder de reunir e encantar — afirmou a pedagoga Ana Cláudia Menezes.
Supermercados
Os supermercados já começam a registrar maior movimentação nas prateleiras e projetam um aumento entre 10% e 15% nas vendas de produtos típicos da estação.
— Itens como milho, amendoim, canjica, paçoca, leite condensado e ingredientes para bolos e doces tradicionais têm apresentado uma procura muito maior nos últimos dias — afirmou o gerente de supermercados Sérgio Antônio de Oliveira.
Segundo ele, a expectativa do setor é bastante positiva para este ano.
— Nossa projeção é de um crescimento entre 10% e 15% nas vendas desses produtos em comparação ao mesmo período de 2025. Esse aumento é impulsionado pela forte tradição cultural das festas juninas, que continuam mobilizando as famílias e estimulando o consumo — destacou.
O gerente destaca também os itens de maior saída nesta época do ano.
— Produtos como amendoim, pipoca, pé de moleque embalado, canjica seca, fubá e farinha de milho são os destaques nas gôndolas e tendem a ter alta demanda, já que compõem a base das receitas mais tradicionais da culinária junina — concluii.
Oportunidade
E para aproveitar o aumento da procura por itens prontos ou semiprontos, outro segmento que cresce a cada ano, muitas famílias encontram nesse período uma importante oportunidade para complementar a renda.
Para o quitandeiro João Batista Silveira a praticidade é um dos fatores que mais influencia o consumo.
— Muita gente não tem tempo de preparar tudo em casa, então procura os produtos prontos ou quase prontos. Isso ajuda muito quem trabalha com quitandas caseira, porque conseguimos atender essa necessidade e aumentar a renda — afirma.
Já para Ana Cláudia Barbosa, o período junino representa uma verdadeira transformação nas vendas.
— Além de manter a tradição viva, essa época nos permite melhorar a renda da família. Produzimos com cuidado, com sabor caseiro, e percebemos que as pessoas valorizam muito isso — avaliou.
A busca por praticidade, sem abrir mão dos sabores tradicionais, tem impulsionado a venda de produtos caseiros como pamonha, canjica, curau e quentão, produzidos de forma artesanal em pequenas cozinhas e negócios familiares.
— Esse período é muito esperado por nós. A demanda cresce bastante e conseguimos vender bem mais do que em outros meses do ano — contou Elza Vasconcelos, que prepara doces típicos em casa com a ajuda da família.
Segundo ela, as encomendas começam semanas antes das festas e se intensificam nos fins de semana.
— A combinação entre tradição cultural e busca por praticidade fortalece o mercado de produtos juninos e garante novas oportunidades para pequenos produtores, que encontram nas festas uma forma importante de sustento e crescimento econômico — destacou o economista, Leandro Maia.
Novas tendências
Com a crescente preocupação com a saúde e a busca por opções mais saudáveis, o varejo explora versões saudáveis das comidas juninas.
Além disso, o comércio online e o delivery ganharam relevância nos últimos anos. Supermercados e lojas aproveitam esse canal para vender kits juninos, oferecendo comodidade aos clientes.
— As festas com sua diversidade de sabores, não só enriquecem a cultura e a tradição brasileira, mas também proporcionam uma excelente oportunidade para o comércio varejista aumentar suas vendas. Ao adaptar suas estratégias para atender às demandas específicas desse período, os varejistas podem atrair mais clientes, impulsionar suas receitas e contribuir para a celebração dessas festividades tão queridas pelo público — finalizou o economista.
Tradição
As festas juninas em Minas Gerais representam muito mais do que tradição: são momentos de encontro, memória afetiva e celebração cultural.
— A nossa família sempre celebrou essas datas com muita alegria e fé. As noites frias de junho, ao lado de uma fogueira, na roça, são aguardadas por todos nós, quando reunimos a família em torno das datas — compartilhou o engenheiro Kleber Miranda, ao recordar as tradições vividas ao longo da vida.
A esposa dele, Rogéria, destacou o encanto que envolve os festejos.
— O som do forró, as luzes das barracas, o cheiro de comida no ar e a devoção aos santos homenageados criam um cenário que toca o coração e desperta memórias afetivas — afirmou.
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