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Após aumento de casos de doenças respiratórias, Divinópolis decreto de estado de emergência em saúde

Após aumento de casos de doenças respiratórias, Divinópolis decreto de estado de emergência em saúde

Lucas Maciel

A situação da saúde pública em Divinópolis continua crítica, principalmente por conta do avanço dos casos de doenças respiratórias entre crianças. A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto, principal porta de entrada para casos de urgência, está superlotada, operando com 145% da capacidade total — sendo 120% apenas no setor de pediatria. 

Segundo dados da assessoria da Prefeitura, até a tarde desta terça-feira, 13, 53 pacientes aguardavam transferência para internação.

Diante desse cenário de colapso na rede pública, a Prefeitura de Divinópolis publicou um decreto que oficializa a situação de emergência em saúde pública por 90 dias. A medida permite a adoção imediata de ações excepcionais, como a contratação emergencial de leitos, aquisição de insumos, reforço de equipes e remanejamento de servidores para garantir o atendimento à população.

Decreto

O Decreto nº 16.690/25, assinado ontem pelo prefeito Gleidson Azevedo (Novo), tem validade de 90 dias e autoriza a adoção de medidas excepcionais para reforçar o atendimento nas unidades de saúde.

O cenário, segundo o município, é crítico. A UPA, única porta de entrada para urgência e emergência na cidade, opera com 145% da capacidade total — sendo 120% apenas no setor de pediatria. A situação é agravada pela indisponibilidade de leitos pediátricos na rede privada, o que pressiona ainda mais a estrutura pública.

Além disso, 53 pacientes aguardam transferência hospitalar, dos quais 5 são crianças – incluindo casos graves com necessidade de UTI, de acordo com a Prefeitura.

— O decreto leva em consideração o atual cenário epidemiológico, com aumento significativo na circulação de vírus respiratórios como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e a Influenza A, especialmente entre crianças — informou a Prefeitura, em nota.

A administração também reforçou que todos os órgãos do município deverão priorizar o apoio às ações da saúde durante o período de emergência. O decreto foi encaminhado ao governo do Estado, ao governo federal, ao Tribunal de Contas de Minas Gerais, à Câmara Municipal e ao Conselho Municipal de Saúde.

Prioridade 

Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito Gleidson Azevedo (Novo) confirmou, na manhã da última segunda-feira, 12, que está tomando providências diante da crise. Ele afirmou que a saúde das crianças é prioridade absoluta de sua gestão. 

— Saúde será sempre prioridade total do meu governo. A gente venceu a covid no mandato passado e agora vamos vencer mais essa batalha, que são as doenças respiratórias, principalmente com as nossas crianças — comentou. 

O prefeito informou, também, que conversou com o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti, que teria se comprometido a apoiar a cidade.  

— Ele [Fábio] acabou de falar que é para eu fazer um decreto emergencial, que ele vai mandar recurso para a gente abrir mais leitos no hospital São João de Deus — contou.

Além disso, ainda segundo Azevedo, o decreto emergencial é parte de um plano de contingência para garantir atendimento aos casos mais graves e reduzir a sobrecarga na UPA.

Leitos extras

Uma das atitudes tomadas pelo Executivo foi a contratação, na última sexta-feira, 9, de leitos extras no Complexo de Saúde São João de Deus (CSSJD) para ampliar a capacidade de atendimento diante da crise.

O acordo prevê dez leitos de enfermaria pediátrica e dois de UTI, voltados exclusivamente para pacientes de Divinópolis. A medida visa aliviar a sobrecarga na UPA e garantir cuidados a crianças em estado grave. 

O investimento é de R$ 1,5 milhão, com recursos do orçamento municipal.

Estado

A situação, no entanto, não é restrita a Divinópolis — pelo contrário. Como forma de reforçar a rede de saúde diante da crescente dos casos em todo o estado, o Governo de Minas anunciou a abertura de 50 novos leitos em hospitais da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) e a antecipação de R$ 8 milhões em recursos para municípios que decretaram situação de emergência em saúde pública.

As medidas visam reduzir a pressão sobre as unidades durante o pico de doenças respiratórias no outono e inverno. Do total anunciado, R$5,7 milhões serão destinados exclusivamente às cidades que já haviam oficializado até a última sexta-feira, 9, a situação de emergência, com o objetivo de garantir resposta rápida ao aumento da demanda. 

— Começamos a enviar os recursos a todos os municípios no ano passado, para que se preparassem para 2025 — afirmou o secretário estadual de Saúde, Fábio Baccheretti. 

Além de Divinópolis, outras 13 cidades já formalizaram decretos de emergência, entre elas Belo Horizonte, Betim, Ipatinga e Uberlândia.

Números

Dados do Estado revelam a gravidade do cenário: até 26 de abril, Minas Gerais registrou 26.817 internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e 397 mortes em 2025. A maior parte dos casos graves envolve crianças menores de 1 ano e idosos acima de 60.

Em Divinópolis, a situação segue a mesma tendência. Somente em abril, a UPA Padre Roberto contabilizou 637 atendimentos por síndromes respiratórias — quase o dobro da média dos meses anteriores. 

Os números vêm subindo mês a mês desde janeiro e devem atingir o pico entre maio e julho, segundo a Secretaria de Estado da Saúde.

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