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Tarifaço de Trump pode afetar o Centro-Oeste mineiro

Por Portal Agora
Tarifaço de Trump pode afetar o Centro-Oeste mineiro

Da Redação 

A tarifa de 50% que será imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil pode gerar grandes impactos no Centro-Oeste mineiro. 

De acordo com o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (NEPES) da UNA Divinópolis, a expectativa é que a alíquota gere consequências desastrosas em certos setores.

Produtos afetados  

A tarifa pode reduzir as exportações brasileiras, derrubar os preços internacionais, diminuir a renda dos produtores rurais, prejudicar indústrias locais ligadas ao agronegócio, impactar o comércio e aumentar a instabilidade econômica. Entre os produtos que devem ser diretamente afetados estão o café, a carne bovina, a soja e o suco de laranja.

— No caso do café, por exemplo, mesmo que o Sul de Minas seja o maior produtor, o  Centro-Oeste mineiro possui uma base significativa de pequenos e médios cafeicultores que podem sofrer com a queda dos preços internacionais, decorrente da menor competitividade brasileira no mercado norte-americano — explica o diretor do NEPES, Wagner Almeida.

O impacto, segundo o professor, deve ser grande.

— Situação semelhante pode ocorrer com os pecuaristas da região, especialmente os que atuam na pecuária de corte e fornecem para frigoríficos exportadores — afirma.

Ranking

Minas Gerais ocupa a terceira posição entre os estados brasileiros no ranking de exportações aos EUA, com US$ 4,62 bilhões movimentados em 2024 — o que representa 2,3% do PIB estadual. Os principais produtos exportados pelo Estado incluem café (33,1%), ferro e aço (29,2%) e máquinas e materiais elétricos (4,6%). 

Segundo o estudo da FIEMG, a nova tarifa pode reduzir o PIB mineiro em até R$ 21,5 bilhões (queda de 2%), com prejuízo de R$ 3,16 bilhões na massa salarial e eliminação de até 187 mil postos de trabalho. Setores estratégicos da economia mineira, como siderurgia, transporte, produtos minerais não metálicos e serviços, estão entre os mais impactados. 

A produção de ferro-gusa e ferroligas, por exemplo, pode registrar retração de até 11,9% no Estado. Em um cenário de retaliação brasileira com taxas também de 50%, os impactos no PIB do Estado chegam a 2,85%. Já no cenário mais grave, com retaliação mútua e fuga de investimentos, as perdas podem chegar a R$ 63,8 bilhões no PIB de Minas e mais de 443 mil empregos comprometidos. 

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