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Política

As peças se movem

Por Bruno
As peças se movem

Ainda é cedo para cravar cenários eleitorais em Minas Gerais. Faltam definições, alianças e, principalmente, candidaturas oficializadas. Mas já não é cedo para falar de eleição. Os movimentos se intensificaram, as declarações ficaram mais frequentes e os bastidores estão cada vez menos silenciosos. Em política, quando as peças começam a se mover, é porque o jogo já começou.

O PT ainda aguarda uma resposta de Patrus Ananias. O ex-ministro, respeitado internamente e com trajetória consolidada, segue refletindo sobre a possibilidade de disputar o Palácio Tiradentes. A demora na decisão revela um partido que ainda procura seu melhor caminho em Minas, um estado onde o presidente Lula venceu em 2022, mas onde a esquerda continua enfrentando dificuldades para construir um projeto estadual competitivo.

Do outro lado, o PL vive um dilema diferente. O partido ainda não sabe se terá candidatura própria ou se embarcará no projeto de Cleitinho Azevedo (Republicanos). O senador, por sua vez, continua adiando a decisão, mas cada vez menos gente acredita que ele ficará fora da disputa.

O silêncio também fala

Há um detalhe curioso nesse cenário. Quanto mais Cleitinho evita cravar uma candidatura, mais ele se torna assunto.

As recentes declarações do governador Mateus Simões (PSD) são um exemplo disso. Em poucos dias, o atual chefe do Executivo voltou a dizer que uma candidatura do senador seria um "desastre político", tanto em caso de derrota quanto de vitória. Argumentou que muitas das propostas defendidas pelo parlamentar seriam inviáveis financeiramente e difíceis de colocar em prática.

O raciocínio é legítimo. Faz parte do debate político. Mas também revela algo importante: o nome de Cleitinho está no centro das preocupações do cenário eleitoral mineiro.

Afinal, na política, ninguém costuma gastar tanto tempo comentando aquilo que considera irrelevante.

Cada vez menos mistério

Cleitinho segue repetindo que ainda não decidiu. Primeiro, disse que a resposta viria após a Copa do Mundo de Clubes. Agora, fala em agosto. O discurso é de cautela.

Os movimentos, porém, apontam em outra direção.

As agendas pelo estado aumentaram, os aliados falam cada vez mais abertamente sobre a candidatura e até os adversários já passaram a tratá-lo como concorrente. Talvez o principal sinal de que o senador está próximo de entrar na disputa seja justamente este: a política mineira já se comporta como se ele fosse candidato. Os números? Nem se fala. Ele segue liderando as pesquisas e com larga vantagem para o segundo.

E, muitas vezes, a percepção dos outros diz mais do que as palavras do próprio interessado.

Minas no centro do debate

A tendência é que a disputa pelo governo de Minas seja cada vez mais nacionalizada. O estado continua sendo um dos principais colégios eleitorais do país e tem peso decisivo nas estratégias dos grandes partidos.

Não por acaso, as movimentações se intensificam. A esquerda busca um nome capaz de liderar o palanque de Lula. A direita tenta definir seu desenho eleitoral. Os partidos menores observam, calculam e aguardam. Todos sabem que a eleição mineira terá influência direta na política nacional.

Onde vamos parar?

Enquanto os políticos fazem cálculos eleitorais, uma notícia vinda do Piauí trouxe um choque de outra natureza.

Uma técnica de enfermagem tentou sair de uma maternidade levando uma recém-nascida dentro de uma bolsa. A criança só voltou aos braços da mãe porque uma tia desconfiou da situação e resolveu agir.

É difícil encontrar uma explicação racional para uma cena como essa. A investigação seguirá seu curso, a Justiça apontará responsabilidades e os laudos médicos ajudarão a esclarecer o caso. Mas há situações que ultrapassam o aspecto jurídico e atingem diretamente o sentimento coletivo.

Porque algumas notícias nos obrigam a fazer uma pergunta inevitável: onde vamos parar?

Nos últimos anos, o noticiário parece ter perdido a capacidade de surpreender. Casos de violência extrema, golpes contra idosos, crueldade contra animais, crimes cada vez mais absurdos e episódios que parecem desafiar qualquer lógica passaram a fazer parte da rotina.

Talvez o mais preocupante seja justamente isso. O espanto dura pouco. A indignação ocupa um dia, dois no máximo, e logo é substituída pelo próximo absurdo. Uma sociedade que se acostuma ao inacreditável corre o risco de deixar de reconhecê-lo. E esse talvez seja um dos sinais mais preocupantes do nosso tempo.

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