Audiência pública reúne comunidade acadêmica em defesa da Uemg

Da Redação
Audiência pública, no plenário da Câmara de Divinópolis, debateu o futuro da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) na noite desta segunda-feira, 16. Professores, estudantes e servidores públicos estiveram presentes e lotaram o ambiente no encontro proposto pela vereadora Kell Silva (PV), que foi marcado por críticas ao governo de Minas e forte defesa da manutenção da Uemg como universidade pública estadual.
A audiência foi motivada pelos Projetos de Lei (PL) 3.733/2025 e 3.738/2025, enviados pelo governador Romeu Zema (Novo) à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), como parte do “pacote” de medidas para adesão do Estado ao Programa de Pleno Pagamento da Dívida dos Estados (Propag). A proposta prevê a transferência da gestão e do patrimônio da Uemg para a União, com o objetivo de abater parte da dívida do Estado com o governo federal.
Audiência
Estiveram presentes na audiência nove vereadores de Divinópolis: Kell Silva (PV), Washignton Moreira (Solidariedade), Vitor Costa (PT), Israel da Farmácia (Progressistas), Flávio Marra (PRD), Josafá Anderson (Cidadania), Hilton de Aguiar (AGIR), Matheus Dias (Avante), Wesley Jarbas (Republicanos).
A mesa da audiência pública contou com a presença de autoridades como as deputadas estaduais Lohanna França (PV) e Beatriz Cerqueira (PT), além da reitora da Uemg, Lavínia Rosa Rodrigues; do diretor do campus Divinópolis, André Amorim Martins; da diretora eleita da unidade, Camila Fernanda Costa Cunha; além de representantes do corpo docente, discente e servidores administrativos.
Importância da Uemg
A reitora Lavínia Rosa Rodrigues abriu as falas das lideranças acadêmicas destacando a história e a relevância da universidade para Divinópolis.
— A universidade é um patrimônio que vem sendo construído, essa unidade de Divinópolis já existe há mais de 60 anos, com uma produção de pesquisas, produções acadêmicas muito ricas, e que contribui de forma indelével para o desenvolvimento da cidade. O mais importante de se dizer aqui hoje é, que queremos melhorar as condições da nossa universidade, mas principalmente que o diploma de uma universidade estadual é tão importante quanto qualquer outro diploma de uma universidade federal — afirmou.
A diretora eleita Camila Fernanda Costa Cunha apresentou dados que evidenciam a relevância da instituição para o município. Segundo ela, somente entre 2024 e 2025 foram desenvolvidos 324 projetos de pesquisa e extensão, com mais de R$3 milhões em bolsas estudantis. A clínica-escola de psicologia atendeu mais de mil pacientes desde 2022, o que movimenta a economia e gera investimentos para Divinópolis.
— Apesar do governo não ter feito seu estudo de caso sobre a universidade, nós fazemos e demonstramos por meio dos números que 61% dos estudantes vieram de outras cidades para estudar na Uemg e que 83% não conseguem continuar os estudos se ocorrer a privatização. Por fim, 98% disseram que não tem condições de pagar qualquer tipo de estudo — pontuou.
Críticas ao governo Zema
O diretor do campus, André Amorim Martins, fez duras críticas ao governo de Romeu Zema durante a audiência pública. Em sua fala, ele questionou a proposta de federalização e defendeu a importância histórica e social da universidade para o estado.
— Se este governador ainda não sabe a importância de Minas Gerais, certamente a unidade de Divinópolis o fará conhecer do que a Uemg é capaz, uma vez que se ele propõe extinguir a universidade Divinópolis vai dar o tom de que ele não merece ser o governador de Minas Gerais — declarou.
A deputada Lohanna França alertou sobre os riscos da proposta durante o debate sobre a possível federalização.
— A gente está resistindo a esse movimento de sucateamento que não é brincadeira. E ao governador que odeia a educação. Zema não gosta da educação, ele colocou no plano de governo em 2018, privatizar a Uemg — declarou.
Ela também propôs o encaminhamento de uma Moção de Repúdio ao governo do Estado e aos projetos de lei em tramitação. A vereadora Kell Silva, ao final da audiência, confirmou que a nota de repúdio será elaborada pelos vereadores e encaminhada para a assembleia legislativa, solicitando que os dois projetos em tramitação sejam retirados ou arquivados.
Governo federal descarta
O governo estadual justifica a proposta como parte do plano para reduzir a dívida de R$ 165 bilhões com a União, oferecendo a gestão da Uemg em troca de um abatimento de R$ 500 milhões na dívida. Durante reunião de apresentação dos projetos para adesão de Minas ao Propag, o vice-governador Mateus Simões (Novo) afirmou que a federalização é uma forma de não prejudicar a universidade.
— Se eu federalizo, eu não prejudico os alunos e os professores passam a fazer parte de uma carreira federal — argumentou.
Porém, o governo federal, por meio do Ministério de Educação, se manifestou de forma contrária à medida e afirmou que não há previsão de federalização da instituição.
O Ministério da Fazenda reforçou que o decreto que regulamenta a Propag trata apenas da transferência de bens, e não de federalização de universidades. Além disso, a lista de imóveis divulgada pelo governo de Minas ainda não foi formalmente encaminhada à União.
Mobilização estudantil
A audiência em Divinópolis faz parte de uma série de mobilizações estaduais. No dia 28 de maio, cerca de 500 pessoas protestaram na Assembleia Legislativa, em Belo Horizonte.
A reitora Lavínia Rosa Rodrigues se reuniu com o deputado Dorgal Andrada, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da ALMG, no dia 3 de junho, para entregar uma nota oficial do Conselho Universitário (Conun), na qual a instituição se posiciona contrária aos PLs.
O corpo acadêmico das unidades já se organiza para uma nova mobilização no dia 1º de julho, em Belo Horizonte, com o objetivo de pressionar a votação dos projetos na Assembleia Legislativa.
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