Bárbara Heliodora

João Carlos Ramos
Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira (São João del-Rei – Capitania de Minas Gerais, batizada em 3 de dezembro de 1759 – São Gonçalo da Campanha do Rio Verde, 24 de maio de 1819). Ela foi proprietária rural, mineradora e uma figura extremamente ligada à Inconfidência Mineira. Casou-se com o famoso inconfidente Alvarenga Peixoto em 1781, tendo filhos antes do casamento. Homenageando-a, escreveu os imortais versos: — "Bárbara bela do Norte, estrela que meu destino tu sabes guiar. De ti ausente, triste somente, as horas passo a suspirar. Isto é castigo que amor me dá. Por entre as penhas, de incultas brenhas, cansa-me a vista de ti buscar. Porém não vejo, mais que o desejo, sem esperança de te encontrar.
Isto é castigo que amor me dá. Eu bem queria, a noite e o dia, sempre contigo poder passar, mas orgulhosa, sorte invejosa, desta fortuna me quer privar. Isto é castigo que amor me dá. Tu entre os braços, ternos abraços, da filha amada podes gozar. Priva-me a estrela de ti e dela, busca dois modos de me matar. Isto é castigo que amor me dá."
Bárbara Heliodora é considerada a primeira poetisa brasileira. Existem nomes que o vento leva para longe da história, principalmente os das mulheres, porém o de Bárbara permaneceu como "A musa da Inconfidência". Tanto foi amada como também amou a causa e o objeto de seu grande amor, o poeta Alvarenga Peixoto. Por ter vivido em uma era de atraso e repressão, principalmente para com as mulheres, chegaram até nós pouquíssimos textos seus, sendo o destaque esse que segue: "CONSELHOS PARA MEUS FILHOS
Meninos, eu vou ditar, as regras do bem viver, não basta somente ler, é preciso ponderar, que a lição não faz saber. Quem faz sábios é o pensar..."
O tempo é mau e ingrato, sendo tecido pelos homens. Seu nome virou apenas lenda. A igreja em que foi sepultada foi demolida e os ossos levados para uma vala comum. Tentaram apagar sua memória, mas uma mulher como ela não pode ser esquecida para sempre. Somente em 2024, duzentos e vinte e sete anos depois, uma porção de terra do seu túmulo foi levada para o Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Hoje, ela descansa no Panteão dos Inconfidentes. Diziam que foi uma reparação histórica, porém foi muito pouco para aquela que tanto amou o Brasil. Ela escrevia à luz de uma vela, quando o mundo lhe dizia: — Cala-te! As pedras reluzentes são pertencentes unicamente aos homens. O ouro, no entanto, era dela, que sabia resplandecer de sonho, sabendo que um dia o Brasil seria gigante. A forca e a solidão levaram seus amigos de lutas e ternuras, porém ela, como uma vela ao vento, permaneceu para testemunhar que uma mulher não é feita apenas de ossos, antes memória viva de uma vitória invisível.
Nós, com a alma em êxtase e alegria transbordante, te amamos, grande Bárbara Heliodora! Em tempo, venho solenemente dizer que fui eleito para ocupar a cadeira de número 31 da Academia de Letras, História e Genealogia da Inconfidência Mineira (em BH), tendo Bárbara Heliodora como minha Patronesse.
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