Minha mãe

João Carlos Ramos
Nasci na humilde cidade de Ladainha, Vale do Mucuri, em 12 de agosto de 1956, exatamente às 12 horas. Segundo a Astrologia, nasci no berço do sol, tendo o sucesso total na casa 10 do meu mapa astral. Tudo para mim dá certo, na hora certa. Miguel é meu Anjo protetor e o Dragão sempre tem sido derrotado em lugares secretos. Jesus Cristo é meu amigo pessoal e conversamos sobre tudo o que acontece e acontecerá. Contudo, quero falar sobre a minha mãe! Seu nome era Maria, falecida em 1990, por insuficiência respiratória. Analfabeta, nunca conseguiu escrever seu nome, sendo porém dona de uma sabedoria inigualável e tendo alcançado o pico da perfeição piramidal. Orava, principalmente pelos pobres inimigos que só conseguiam odiar, sem causa. Modelo para todas as mulheres. Caridosa ao extremo, alimentava os famintos e cobria os nús. Nunca a vi passeando, porém sempre em companheirismo com seu Anjo, pelas campinas verdes da bondade. Não herdei nada, exceto o caráter. Me dizia sempre que eu iria longe, mas deveria ter cuidado com a fama...
Uma mãe nunca erra sobre o destino de seu filho. Ao visitá-la no leito de morte, ela me disse algo apenas com os olhos, ois estava com os aparelhos ligados, esperando o fim, no Hospital São João de Deus: “Cuidado, meu filho”! Eu te entreguei para Deus! Nunca fume, nem beba e honre sempre a esposa que Deus te deu. Rigorosíssima, ela era do tempo da vara de marmelo, para os filhos desobedientes. "Se eu pegar algum filho fumando, eu faço ele comer o cigarro na frente de todo mundo e pode chamar a polícia pra mim. Perguntarei ao soldado se ele tem mãe”! Parecia doida, mas era por amor. Se alguém falasse mal de seus filhos ela virava uma loba parida. “Jamais verei meus filhos presos por malandragem ou com câncer por causa do maldito cigarro”. dizia ela. Quero dar um alerta para o mundo : A era tecnológica, somente conseguiu produzir abrolhos e alguns cactos do deserto. Não existem mais mães, como antigamente. Homenageio minha mãe neste momento com o poema de Carlos Drummond de Andrade:
PARA SEMPRE
Porque Deus permite que as mães vão embora?
Mãe não tem limite. É tempo sem hora.
Luz que não apaga quando sopra o vento e chuva desaba.
Veludo escondido na pele enrugada
Água pura. Ar puro.Puro pensamento.
Morrer acontece com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça é eternidade.
Porque Deus se lembra, mistério profundo
de tirá-la um dia ?
Fosse eu rei do mundo
baixava uma lei: Mãe não morre nunca!
mãe ficará sempre ao lado de seu filho
e ele, velho embora
Será pequenino, feito um grão de milho.
jocarramos@gmail.com
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
