Bombeiros mineiros voltam ao Brasil após 14 dias de missão na Venezuela

Lucas Maciel
Depois de duas semanas em meio a escombros, estruturas instáveis e um dos maiores desastres humanitários dos últimos anos na América do Sul, os bombeiros militares de Minas Gerais que integraram a missão brasileira na Venezuela retornaram ao país neste sábado, 11. Entre eles estava um militar de Divinópolis, que participou das operações de busca e resgate em áreas devastadas pelos terremotos que atingiram o país no fim de junho.
A equipe desembarcou em Minas neste fim de semana e, antes de retornar às atividades e ao convívio familiar, passou por uma série de protocolos médicos e psicológicos previstos pelo Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG).
Missão
O retorno marca o encerramento de uma missão que colocou os militares diante de um cenário de destruição em larga escala. Segundo o balanço mais recente, divulgado pelas autoridades venezuelanas neste domingo, 12, a tragédia já provocou a morte de 4.490 pessoas e deixou mais de 16 mil feridos. Milhares de pessoas seguem desaparecidas.
As cidades de Caraballeda e Punta Caraballeda, próximas à região de La Guaira, foram algumas das áreas mais atingidas pelos tremores e se transformaram em verdadeiros campos de ruínas.
Força-tarefa brasileira
A missão humanitária brasileira reuniu 82 especialistas em desastres dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Paraná.
Os militares embarcaram levando toneladas de equipamentos específicos para operações em estruturas colapsadas, incluindo ferramentas de corte, sistemas de elevação de cargas, equipamentos de iluminação, detectores de vida e materiais de atendimento emergencial.
Durante as operações, as equipes realizaram cerca de 90 intervenções em áreas destruídas pelos terremotos.
Os trabalhos exigiram extremo cuidado. Antes de qualquer tentativa de resgate, era necessário avaliar a estabilidade das estruturas e os riscos de novos desabamentos.
Em muitos casos, as equipes precisaram trabalhar em áreas de difícil acesso, cercadas por concreto, ferragens e edificações que poderiam ceder a qualquer momento.
Recuperação de vítimas
Com o passar dos dias, as chances de encontrar sobreviventes diminuíram consideravelmente.
Durante a missão, a força-tarefa brasileira localizou e retirou dos escombros 23 vítimas em óbito. Entre elas estavam 11 homens, nove mulheres e três pessoas cuja identificação de sexo não pôde ser determinada.
As autoridades venezuelanas não anunciam novos resgates com vida há mais de uma semana, o que aumentou ainda mais a complexidade e o peso emocional da operação.
Mesmo assim, as equipes continuaram atuando em meio ao calor intenso, às dificuldades de acesso e às condições sanitárias precárias nas regiões afetadas.
Além das milhares de mortes, o desastre deixou mais de 17 mil pessoas sem moradia, atingiu mais de 850 edificações e provocou prejuízos estimados em cerca de R$ 191 bilhões.
Mineiros na linha de frente
Os bombeiros de Minas tiveram participação direta nas ações de busca e salvamento urbano, integrando equipes multidisciplinares em algumas das áreas mais críticas da tragédia.
Entre os militares estava um bombeiro de Divinópolis, que passou os últimos dias atuando lado a lado com especialistas de outros estados brasileiros e equipes internacionais.
Retorno acompanhado
Assim que desembarcaram em Minas Gerais, os militares foram submetidos a uma inspeção médica protocolar, conforme informou a corporação.
A avaliação incluiu um checklist clínico para identificar possíveis riscos de contaminação, infecções ou qualquer condição de saúde que necessite de acompanhamento.
Todos os integrantes da missão também receberam encaminhamento para exames laboratoriais.
Além do monitoramento físico, os bombeiros passarão por atendimento psicológico. O acompanhamento faz parte do protocolo de saúde ocupacional do Corpo de Bombeiros e busca identificar possíveis impactos emocionais decorrentes da exposição prolongada a cenários de destruição, perdas humanas e situações de elevado estresse.
Segundo a corporação, o objetivo é garantir uma reintegração segura dos militares às atividades profissionais e ao convívio familiar.
Tragédia
Mesmo com o encerramento da participação brasileira, as buscas na Venezuela continuam. Voluntários e equipes locais seguem trabalhando em meio aos escombros na tentativa de localizar desaparecidos.
Organizações internacionais também demonstram preocupação com a situação humanitária no país. A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) alertou para os riscos de surtos de doenças em razão da falta de água potável, problemas de saneamento e dificuldades no atendimento médico.
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