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Acidentes

Empresário acusado de matar companheira e simular acidente na MG-050 vai a júri popular

Por Bruno
Empresário acusado de matar companheira e simular acidente na MG-050 vai a júri popular

Lucas Maciel

O empresário Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, irá a júri popular acusado de matar a companheira, Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, e simular um acidente de trânsito na MG-050 para tentar esconder o crime. A decisão foi proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes, do Tribunal do Júri de Belo Horizonte, e divulgada nesta segunda-feira, 13. Ainda não há data definida para o julgamento.

O caso ganhou repercussão em todo o estado pela crueldade da dinâmica apontada pelas investigações e pela tentativa de fazer a morte parecer uma tragédia nas estradas.

Denúncia

Segundo a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Henay foi morta por asfixia no dia 14 de dezembro de 2025, em um apartamento no bairro Nova Suíça, na Região Oeste de Belo Horizonte. O crime teria ocorrido após a vítima comunicar ao companheiro o desejo de colocar fim ao relacionamento.

De acordo com os autos, inconformado com a decisão, Alison matou a companheira e, em seguida, colocou o corpo dela no banco do motorista do veículo. O empresário teria percorrido parte do trajeto entre Belo Horizonte e a região Centro-Oeste de Minas sentado no banco do passageiro, conduzindo o carro de forma irregular para criar a impressão de que Henay ainda dirigia o automóvel.

A viagem terminou na MG-050, em Itaúna, onde ele provocou uma colisão contra um micro-ônibus na tentativa de fazer parecer que a mulher havia morrido em decorrência do acidente.

Imagens foram cruciais

As investigações da Polícia Civil apontaram diversas inconsistências na versão apresentada pelo empresário. Um dos elementos considerados decisivos foram as imagens das câmeras de segurança da praça de pedágio, que registraram uma situação considerada incomum pelos investigadores.

As gravações mostraram Alison no banco do passageiro conduzindo o veículo, enquanto Henay permanecia imóvel no banco do motorista.

A funcionária do pedágio chegou a perceber o nervosismo do homem e se ofereceu para acionar atendimento médico após ele afirmar que a mulher estaria passando mal. O pedido de ajuda, porém, foi recusado.

As imagens foram posteriormente analisadas pela Polícia Civil e se tornaram uma das principais provas do caso.

Laudos periciais também apontaram que a vítima apresentava lesões incompatíveis com um simples acidente de trânsito e compatíveis com asfixia por compressão cervical.

Prisão durante o velório

A repercussão do caso aumentou ainda mais no dia seguinte ao crime. Alison de Araújo Mesquita foi preso durante o velório de Henay, realizado em Divinópolis.

Posteriormente, a defesa informou que o empresário confessou ter matado a companheira e simulado o acidente para tentar encobrir o feminicídio.

O Ministério Público o denunciou por feminicídio qualificado, pelas circunstâncias de violência doméstica e familiar, emprego de meio cruel e utilização de recurso que dificultou a defesa da vítima. Ele também responde por fraude processual, por ter tentado alterar a cena do crime e dificultar as investigações.

Na denúncia, o MPMG afirma que a conduta demonstrou "extrema objetificação da mulher" e um "acentuado grau de misoginia".

Relacionamento marcado pela violência

As investigações apontaram ainda que o relacionamento do casal era marcado por episódios de agressões físicas e psicológicas.

Henay, natural de Divinópolis, vivia havia cerca de sete meses com o companheiro em Belo Horizonte. Conforme a Polícia Civil, testemunhas relataram discussões frequentes e episódios de violência.

A investigação também identificou indícios de tentativa de eliminação de provas e pesquisas realizadas pelo investigado relacionadas a acidentes de trânsito, medicina legal e legislação, elementos que, segundo a polícia, reforçam a hipótese de uma tentativa de construir uma versão de morte acidental.

Outro caso de feminicídio

A decisão que leva Alison de Araújo Mesquita ao Tribunal do Júri ocorre poucos dias após outro caso de violência contra a mulher ganhar um desfecho na região.

Na última sexta-feira, 10, Júlio César Henrique da Silva foi condenado a 37 anos, dois meses e dez dias de prisão por matar a ex-sogra, Maria Gorete, de 56 anos, e tentar matar a ex-companheira, Lorraine Reisla de Oliveira, de 30 anos, em Divinópolis.

O crime ocorreu em agosto de 2025, na comunidade de Buritis, na zona rural do município.

Segundo o Ministério Público, Júlio não aceitava o fim do relacionamento e foi até a residência onde estavam Lorraine e a mãe dela. Armado com uma pistola, efetuou diversos disparos contra as duas.

Maria Gorete morreu no local. Lorraine sobreviveu, mas sofreu graves sequelas, perdeu a visão e teve a rotina completamente transformada em consequência dos ferimentos.

Após o crime, Júlio se apresentou espontaneamente à Polícia Civil e permaneceu preso durante toda a tramitação do processo.

Durante o julgamento, os sete jurados reconheceram a responsabilidade do acusado pelos crimes, resultando na condenação.

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