Café inicia 2026 com leve queda nos preços e maior previsibilidade

Jorge Guimarães
Após dois anos marcados por forte valorização e estoques em níveis críticos, o mercado de café começa a dar sinais de normalização em 2026. O período de euforia observado entre 2024 e 2025, impulsionado por oferta restrita e alta demanda global, dá lugar agora a um cenário de maior equilíbrio entre produção e consumo.
Quedas
Logo no início de 2026, os preços do café passaram a apresentar tendência de queda, influenciados principalmente pela expectativa de uma safra recorde no Brasil. A produção nacional está estimada em 66,2 milhões de sacas, o que representa um aumento expressivo de 17,1% em relação ao ciclo anterior. Esse avanço na oferta contribui diretamente para a redução da pressão sobre os preços no mercado internacional, pelo motivo de que o Brasil é o maior produtor do grão.
No caso do café arábica, a retração já é evidente: em fevereiro de 2026, o tipo registrou queda de cerca de 14%, refletindo a perspectiva de maior disponibilidade do produto. Já o café robusta apresenta um comportamento mais estável, sustentado pela elevada produção no Vietnã, um dos principais produtores mundiais da variedade.
Encerramento de ciclo
Com isso, o setor encerra o ciclo de preços recordes observado entre 2024 e 2025, entrando em uma nova fase caracterizada por maior previsibilidade e acomodação dos valores.
— Para produtores, o cenário exige atenção redobrada à gestão de custos e produtividade, enquanto para consumidores, a tendência pode significar alívio gradual nos preços ao longo do ano — analisou o economista, Lázaro Ribeiro.
Forma gradual
Com a queda nos preços do café, consumidores e comerciantes começam a perceber um cenário mais favorável, ainda que o alívio aconteça de forma gradual.
Para quem consome a bebida diariamente, a expectativa é positiva. A auxiliar administrativa Juliana Martins comemorou.
— O café faz parte da minha rotina, todo dia. Se o preço cair mesmo, já ajuda bastante no orçamento do mês — disse.
Já o aposentado Mauro Lucio Oliveira destacou a frequência de consumo.
— Aqui em casa não pode faltar café. Quando sobe muito, a gente sente. Então qualquer redução já faz diferença — destacou.
Do lado dos estabelecimentos, donos e funcionários de lanchonetes também observam a mudança com cautela.
— A gente ainda está sentindo os reflexos dos preços altos dos últimos anos, mas já começamos a perceber uma leve melhora nos custos. Se continuar assim, dá até para pensar em segurar o preço para o cliente — explicou a gerente de uma lanchonete no centro, Ana Paula Ribeiro.
Já o dono de uma lanchonete de bairro, Marcos Silva, reforçou que o repasse não é imediato.
— Mesmo com a queda no preço do café, outros custos ainda estão altos, como energia e insumos. Mas, aos poucos, a tendência é melhorar e isso pode refletir sim no valor final — explicou.
Projeções
As projeções de mercado apontam que o preço do café deve continuar em trajetória de queda ao longo de 2026, mas sem retornar aos níveis mais baixos registrados em anos anteriores. A combinação entre aumento da oferta e desafios persistentes na produção ajuda a explicar esse cenário de redução moderada.
No varejo, essa tendência já começa a ser observada, ainda que de forma gradual. Segundo o gerente de supermercado Walter Wagner, os preços vêm recuando, mas ainda refletem os custos acumulados dos últimos anos.
— A gente percebe que o café já não está subindo como antes e até teve uma leve queda, mas está longe de voltar ao preço que o consumidor estava acostumado — definiu o gerente.
Ele explicou que fatores ligados à produção continuam impactando o valor final do produto.
— Os produtores ainda enfrentam muitas dificuldades, como clima instável e custos altos. Isso impede que o preço caia mais rapidamente nas prateleiras — pontuou.
Walter também destacou que o repasse ao consumidor ocorre de maneira cautelosa. Apesar disso, o gerente vê um cenário mais estável em comparação aos últimos anos.
— O mercado está se ajustando. A tendência é de queda, sim, mas dentro de um novo patamar de preços, diferente do que a gente via antes. O consumidor pode esperar algum alívio, mas não uma volta aos valores antigos — concluiu.
Mercado
Nas últimas semanas, consumidores têm notado uma mudança significativa nas gôndolas dos supermercados: as embalagens de 500g de café passaram a aparecer com mais frequência em promoção, variando conforme a marca e o tipo do produto. Depois de um longo período de preços elevados, esse movimento já começa a trazer certo alívio para quem não abre mão da bebida no dia a dia.
A diarista Renata Souza contou que tem aproveitado as ofertas sempre que encontra.
— Antes estava muito caro, eu até diminuí o consumo lá em casa. Agora, quando vejo promoção, já levo duas ou três embalagens para garantir — disse.
O eletricista Sonato Mendes também percebeu a diferença.
— Não está barato como antigamente, mas essas promoções ajudam bastante. A gente fica mais atento aos encartes e escolhe pelo preço — observou.
De acordo com o gerente de supermercado Sérgio Antônio de Oliveira, esse aumento nas promoções reflete uma mudança no cenário do mercado.
— As indústrias já estão repassando uma leve queda nos preços, e isso permite que a gente trabalhe melhor as ofertas, principalmente nas embalagens de 500g, que têm grande saída — detalhou.
Ele destacou ainda o comportamento do consumidor diante desse novo momento.
— O cliente está muito mais sensível ao preço. As marcas em promoção são, disparadas, as mais procuradas. Muitas vezes, ele troca de marca sem problema, desde que encontre um valor mais em conta. Com isso, o café volta a ganhar espaço no carrinho de compra – concluiu.
Preços
A reportagem visitou duas lojas de rede de supermercados e constatou um certo equilíbrio de preços entre as marcas e tipos, pois em sua maioria, são os mesmos fornecedores. O que chamou atenção foi que em uma delas os preços, de pacotes de 500 gramas, variavam de R$ 19,98 a R$ 28,90, dependendo do tipo e das marcas.
— Diante das constantes oscilações do mercado e do impacto direto no bolso das famílias, comparar valores entre estabelecimentos é essencial para garantir o melhor custo-benefício na hora das compras — concluiu o economista.
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