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Economia

Divinópolis encerra greves, reajusta salários e define novos preços no transporte público

Por Bruno
Divinópolis encerra greves, reajusta salários e define novos preços no transporte público

Lucas Maciel

A população de Divinópolis pode, enfim, respirar mais aliviada neste feriado de 21 de abril. Após enfrentar uma das semanas mais críticas e instáveis dos últimos anos, marcada pelo risco real de colapso em serviços essenciais e paralisações que afetaram diretamente o dia a dia de milhares de famílias, a cidade retoma sua normalidade. 

O cenário de conflito, que envolveu o fechamento total de garagens de ônibus e ameaças de interrupção na limpeza urbana, foi resolvido após uma maratona de negociações conduzidas pela prefeitura. 

O desfecho traz vitórias salariais para os trabalhadores, mas também uma mudança profunda na gestão financeira: a partir de 1º de maio, o transporte coletivo terá novos valores de tarifa e os recursos antes usados para "congelar" as passagens serão redirecionados para a educação.

Fim do impasse na limpeza urbana

A última peça desse complexo quebra-cabeça foi resolvida na manhã desta segunda-feira, 20. Os motoristas da empresa Engesp, responsáveis pela coleta de lixo em Divinópolis, aprovaram em assembleia realizada às 6h30 a proposta de reajuste salarial apresentada após diversas rodadas de conversa. A decisão encerrou oficialmente a possibilidade de uma paralisação que poderia comprometer o saneamento e a saúde pública do município.

A prefeita Janete Aparecida (Avante) acompanhou pessoalmente a votação na garagem da empresa. 

— Assumo o compromisso com cada colaborador de que, na nova licitação, vamos buscar garantir melhores condições de trabalho. É fundamental reconhecer a importância desse serviço — afirmou a prefeita.

Além das questões financeiras, o encerramento do movimento trouxe um forte apelo à cidadania e à empatia da população. A chefe do Executivo relatou situações de desrespeito enfrentadas pelos trabalhadores durante as rotas, como moradores que humilham os profissionais ou se negam a oferecer água gelada em dias de calor intenso. 

— Tem gente passando, rechaçando, tampando o nariz e humilhando esses trabalhadores. Pedem água e a pessoa tem coragem de encher da torneira, não tem coragem nem de colocar uma água gelada para eles. Vamos ser mais humanos e tratar bem o nosso pessoal — destacou Janete.

Crise no transporte 

No setor de transporte público, o clima foi de confronto aberto até o último sábado, 18. A greve total iniciada na madrugada de sexta-feira, 17, deixou a cidade sem ônibus e cerca de 280 profissionais parados. A situação só foi destravada após a prefeitura mediar um acordo entre o Consórcio TransOeste e o sindicato da categoria (Sinttrodiv). 

Os motoristas garantiram um piso salarial de R$ 3.180,00 a partir de maio e um ticket alimentação de R$ 830,00, além da manutenção do plano de saúde.

Reajuste na tarifa

Com o fim do movimento grevista, a prefeitura publicou o Decreto Municipal nº 17.325/26, que reajusta as tarifas após cinco anos sem correções. A medida é fundamentada na necessidade de manter o equilíbrio econômico-financeiro do contrato de concessão. A partir de 1º de maio, a tarifa comum (padrão), paga em dinheiro, passará para R$ 6,00. Já a tarifa especial, para quem utiliza o cartão Divpass, será de R$ 5,50.

Durante o anúncio oficial, a prefeita Janete Aparecida justificou que o reajuste é inevitável para garantir que o serviço não seja interrompido por falta de recursos das empresas para operar as linhas.

— Está há cinco anos sem nenhum reajuste, sabemos que não será o que gostaríamos, mas será o mais justo possível — declarou a prefeita.

Fim dos subsídios

Os dados técnicos que baseiam o aumento são expressivos e revelam o tamanho do desafio financeiro enfrentado pelo município. 

O custo total do sistema de transporte em Divinópolis é de quase R$ 7 milhões por mês. De acordo com os estudos da Secretaria Municipal de Trânsito, Segurança Pública e Mobilidade Urbana (Settrans), a "tarifa técnica" — o valor real do custo por passageiro — hoje seria de R$ 6,58. No entanto, o governo municipal optou por fixar valores menores para reduzir o impacto direto no bolso do cidadão.

O sistema acumulou um déficit de mais de R$ 10,2 milhões apenas entre janeiro e abril de 2026, situação agravada pela alta de 26% no preço do óleo diesel em Minas Gerais. Diante desse cenário, a administração municipal tomou a decisão estratégica de encerrar o pagamento do complemento tarifário (subsídio). Até então, a prefeitura injetava recursos públicos para manter a passagem a R$ 4,15, mas o novo decreto prevê que esses R$ 8 milhões previstos para 2026 serão redirecionados para a educação.

— Divinópolis está no caminho certo. Sei que é difícil para a população esse reajuste, mas o reajuste e o fim do subsídio darão condição para que a gente possa estar cobrando um transporte ainda melhor — afirmou Janete Aparecida.

Regras de transição

Para os passageiros, o Decreto 17.325/26 estabelece regras para que a mudança não seja imediata no saldo atual dos cartões. Os créditos eletrônicos do cartão Divpass que foram comprados antes da publicação do decreto terão uma validade de 60 dias pelo valor antigo. Somente após esse prazo é que o sistema passará a debitar o valor reajustado de R$ 5,50.

Além disso, todos os veículos que operam no sistema deverão portar avisos visíveis informando sobre os novos valores. O documento foi assinado pela prefeita e pelos secretários Matheus da Silva Tavares (Governo), Lucas Lopes Estevam (Trânsito) e pelo procurador-geral Leandro Luiz Mendes.

Com o fim das greves, a administração municipal agora foca na fiscalização rigorosa dos contratos e na preparação da nova licitação prevista para o próximo ano. A expectativa é que, com o equilíbrio das contas e a valorização das categorias, Divinópolis siga com seus serviços essenciais funcionando com qualidade e transparência.

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