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Economia

Preço do leite volta a subir em Minas e surpreende consumidores

Por Bruno
Preço do leite volta a subir em Minas e surpreende consumidores

Da Redação 

A crise persistente no setor leiteiro brasileiro tem se consolidado como um dos maiores desafios do agronegócio nacional. Produtores em diversas regiões enfrentam um cenário cada vez mais apertado, marcado pela combinação de baixa rentabilidade, elevação constante dos custos de produção e crescente concorrência de produtos importados. Esse conjunto de fatores tem reduzido significativamente as margens de lucro e ampliado a sensação de insegurança dentro das propriedades rurais.

Aumento dos custos 

Nos últimos anos, o aumento das despesas com insumos, como ração, energia, combustíveis e mão de obra, não foi acompanhado por uma valorização proporcional do preço pago ao produtor, sendo em Minas Gerais, com média próxima de R$ 2,11 por litro em janeiro e fevereiro. Valor este que representa uma queda de 23,3% em relação ao mesmo período do ano passado. 

Como resultado, muitos pecuaristas operam no limite da viabilidade econômica, e alguns acabam abandonando a atividade. A situação é ainda mais delicada para pequenos e médios produtores, que possuem menor capacidade de absorver oscilações de mercado.

Importações 

Outro fator de forte impacto é o volume crescente de importações de leite em pó, especialmente provenientes da Argentina e do Uruguai, que juntos somam mais de 2 bilhões de litros por ano em equivalente leite. Esses produtos chegam ao mercado brasileiro com preços competitivos, pressionando ainda mais os valores pagos internamente e afetando toda a cadeia produtiva, desde o produtor até a indústria.

Mercado

Assim, o início de 2026, o mercado de leite em Minas Gerais apresenta uma mudança significativa de cenário após um período prolongado de desvalorização ao longo de 2025. Os preços nas gôndolas dos supermercados voltaram a subir, refletindo principalmente a redução da oferta de matéria-prima e a intensificação da disputa entre laticínios pela captação do leite.

Essa menor disponibilidade está ligada a fatores como o desestímulo enfrentado pelos produtores no ano anterior, quando muitos reduziram a produção ou até deixaram a atividade devido à baixa rentabilidade. Com menos leite disponível no campo, a indústria precisou reagir, aumentando a concorrência para garantir o abastecimento, o que acabou impactando toda a cadeia até chegar ao consumidor final.

Como consequência desse movimento, o preço do leite UHT tem registrado elevações expressivas em diversas regiões do estado. Em alguns casos, já há relatos de valores próximos a R$ 10 por litro, conforme e tipo e a marca, dependendo da localidade e da rede de varejo. Esse patamar chama a atenção, especialmente após um período em que os preços estavam mais acessíveis, evidenciando a volatilidade do setor.

Alerta

A tendência de alta, no entanto, levanta preocupações tanto para consumidores quanto para o próprio mercado. Para as famílias, o leite é um item essencial na alimentação, e aumentos significativos impactam diretamente o orçamento doméstico. 

Já para o setor produtivo, apesar da recuperação momentânea dos preços, permanece a incerteza quanto à estabilidade desse movimento e à capacidade de manutenção de margens mais sustentáveis no médio prazo.

— O comportamento recente dos preços do leite em Minas Gerais reforça a complexidade da cadeia produtiva, que segue sujeita a oscilações de oferta e demanda, além de fatores estruturais que ainda precisam ser equacionados para garantir maior equilíbrio ao setor — avaliou o gerente de supermercado Sérgio Antônio de Oliveira.

Divinópolis

O aumento expressivo no preço do leite nos primeiros meses de 2026 tem pesado diretamente no bolso do consumidor, que continua sendo o elo mais impactado dessa cadeia. Nas gôndolas dos supermercados, o produto, essencial no dia a dia das famílias, passou por uma escalada significativa, surpreendendo quem acompanha as compras básicas.

Para se ter uma ideia, em Divinópolis, no início do ano, o leite UHT, nas versões integral, desnatado e semidesnatado, era encontrado entre R$ 2,98 e R$ 3,68, sendo hoje um cenário bem diferente: o menor preço gira em torno de R$ 4,99, podendo chegar a R$ 10,90, dependendo da marca e do tipo. Esse salto representa um aumento médio de cerca de 59% em apenas três meses, considerando os produtos mais consumidos.

Diante dessa realidade, consumidores relatam dificuldades para manter o item na rotina alimentar. 

— Está muito pesado no orçamento. Antes eu levava três ou quatro caixas sem pensar muito, agora preciso reduzir e procurar promoção — afirmou a dona de casa Lúcia Martins. 

Já o aposentado João Batista de Morais comentou que tem buscado alternativas. 

— O leite sempre foi básico aqui em casa, mas com esse preço a gente acaba diminuindo o consumo ou substituindo quando dá — relatou.

Varejo

Do lado do varejo, a percepção é de que o aumento não é isolado, mas resultado de uma série de fatores que vêm pressionando toda a cadeia. O gerente de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira, explicou que o reajuste tem origem principalmente na indústria e na produção. 

— A gente também sente esse impacto. Os fornecedores repassaram aumentos sucessivos, e não tem como o supermercado absorver tudo isso sozinho. Infelizmente, parte acaba chegando ao consumidor — destacou.

Ele ainda ressaltou a dificuldade em equilibrar preços e vendas. 

— Quando o preço sobe muito, o consumo cai. O cliente pesquisa mais, troca de marca e até deixa de levar. Isso afeta diretamente o volume de vendas e mostra como a situação está delicada para todos os envolvidos — analisou. 

Assim, mesmo com as explicações do setor, a percepção geral é de que o consumidor segue arcando com a maior parte desse reajuste, em um momento em que o leite deixa de ser um item acessível para se tornar, cada vez mais, um produto de impacto no orçamento familiar.

— Assim, a crise no setor leiteiro não se limita a uma questão econômica, mas também envolve aspectos sociais e estruturais, exigindo soluções coordenadas que promovam a sustentabilidade da atividade no longo prazo – finalizou.

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