Cesta básica registra nova alta

Jorge Guimarães
A alta nos preços da cesta básica tem gerado grande preocupação entre os consumidores de Divinópolis. Moradores relatam que o aumento já está impactando diretamente o orçamento familiar, tornando cada vez mais difícil equilibrar as contas do mês.
Itens essenciais do dia a dia, como o leite e o pão francês, registraram elevação significativa no último mês, pressionando especialmente as famílias de baixa renda. Muitos consumidores afirmam que o planejamento financeiro está sendo comprometido, obrigando ajustes na lista de compras e cortes em outros gastos.
Divinópolis
O custo médio do conjunto de alimentos em Divinópolis atingiu R$ 661,52 em julho, marcando uma alta de 0,11% em relação a junho, quando o valor era de R$ 660,81. Foi o que apontou a pesquisa realizada pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômico-Sociais (Nepes), da Faculdade Una Divinópolis. Este é o sétimo mês consecutivo de aumento, preocupando consumidores e famílias que já sentem o impacto no orçamento.
Segundo o economista Lazaro Ribeiro, apesar de o aumento parecer pequeno, ele se mantém constante há vários meses, o que acaba pesando no bolso das famílias, principalmente daquelas com renda limitada.
— Esse tipo de reajuste contínuo afeta diretamente o planejamento financeiro e a capacidade de consumo das pessoas — avalia.
Ele ainda destacou que é importante que os consumidores fiquem atentos às promoções e às alternativas mais econômicas, sem comprometer a qualidade da alimentação.
— A situação reforça a necessidade de atenção redobrada ao consumo e busca por alternativas mais acessíveis — pontua Lazaro.
Ribeiro reforça que a tendência é acompanhar a evolução dos preços, pois fatores como clima, safra e custos de transporte influenciam diretamente na composição da cesta básica, impactando diretamente o dia a dia das famílias divinopolitanas.
Anual
A pesquisa também revela aumentos expressivos no último ano. Entre julho de 2024 e julho de 2025, o custo médio da cesta registrou elevação de 13,1%. Já no acumulado dos últimos 12 meses, de agosto de 2024 a julho de 2025, a alta chega a 18,7%, pressionando ainda mais o orçamento das famílias.
O economista Lazaro Ribeiro comentou sobre o impacto desses números.
— Estamos diante de um cenário de aumento consistente, que afeta diretamente o dia a dia das famílias, especialmente as de menor renda. Mesmo que os aumentos mensais pareçam pequenos isoladamente, o efeito acumulado ao longo do ano é bastante significativo — analisa.
Ele reforça a importância do planejamento financeiro.
— É essencial que as famílias façam escolhas conscientes na hora das compras. Pequenas estratégias de economia podem aliviar o impacto desses reajustes ao final do mês — avalia.
Ribeiro também observa que fatores como inflação, custos de produção e transporte continuam influenciando a composição da cesta básica, e alerta que a tendência de alta exige atenção constante por parte dos consumidores.
Preços
A pesquisa identificou aumentos expressivos em alguns itens essenciais. A banana registrou alta de 37,13%, o pão francês subiu 10,36% e o leite, 5,95%, pressionando o orçamento das famílias.
Por outro lado, houve quedas significativas nos preços de outros produtos: o tomate caiu 40,93%, a batata 28,06% e o feijão 13%, aliviando parcialmente os gastos com a alimentação.
Segundo organizador da pesquisa e professor da Faculdade Una Divinópolis, Wagner Almeida, a redução no preço do tomate, da batata e do feijão está ligada ao excesso de oferta desses produtos, resultado da boa colheita de 2024/2025.
— Essa situação permite que os preços no varejo fiquem mais acessíveis para os consumidores —comenta.
Almeida reforça que essas variações refletem a dinâmica do mercado agrícola e os efeitos diretos da produção na vida das famílias, mostrando que, embora alguns itens fiquem mais caros, outros podem compensar parte do aumento no custo da cesta básica.
Consumidores
A reportagem ouviu consumidores que relataram como estão se virando em tempos atuais.
—Antes eu comprava leite para o mês todo, agora tenho que reduzir a quantidade e só compro os que estão nas promoções. O preço está pesando demais no orçamento — contou a dona de casa Maria de Lourdes Silva.
Já o aposentado Antônio Ribeiro destacou que o pão francês, hábito diário de muitas famílias, também tem se tornado um desafio.
— Todo dia eu comprava pão para o café da manhã, mas agora já não dá mais. Precisei substituir por biscoitos, que estão mais em conta — diz.
Pesquisa
A pesquisa constante desta edição foi realizada entre os dias 22 e 28 de julho de 2025 com o levantamento de preços em sete supermercados de Divinópolis, os quais possuem em sua estrutura açougue, padaria e hortifruti. Estes itens, chamados de Cesta Básica de Alimentos, são num total de 13, seria suficiente para o sustento e bem-estar de um trabalhador em idade adulta, durante um mês, contendo quantidades balanceadas de todos os nutrientes necessários à manutenção da saúde.
Salário mínimo
Um trabalhador que recebe o salário-mínimo líquido, com desconto de 7,5% da Previdência Social, precisou comprometer, em média, 47,2% da renda para comprar a cesta básica no mês passado. Em junho, esse percentual havia sido de 47,1%, mostrando uma leve alta na pressão sobre o orçamento familiar.
De acordo com a determinação constitucional, o salário mínimo deve ser suficiente para suprir as despesas de um trabalhador e de sua família. Considerando esse critério, estima-se que, em julho, o salário necessário para manter uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 5.557,43, ou seja, 3,6 vezes o piso atual de R$ 1.518,00. Em junho, o valor estimado era de R$ 5.551,47.
— O cenário evidencia a dificuldade das famílias que recebem o mínimo em suprir suas necessidades básicas, reforçando a importância de políticas públicas e estratégias de economia doméstica para amenizar o impacto do aumento contínuo dos preços da cesta básica — finaliza o economista.
Alternativas
O aumento constante nos preços da cesta básica tem provocado mudanças nos hábitos de consumo em Divinópolis. Muitas famílias têm substituído produtos frescos, como frutas e vegetais, por alimentos industrializados e de maior validade. Da mesma forma, itens de higiene e limpeza de marcas tradicionais têm sido deixados de lado em favor de alternativas mais econômicas.
Segundo o gerente de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira, o que a gente nota é que há uma mudança de hábito entre os consumidores. Muitos optando por produtos de menor custo para manter o poder de compra. Isso vale,segundo ele, para alimentos, itens de higiene e limpeza, entre outros.
— A situação evidencia como a alta dos preços influencia diretamente o cotidiano das famílias, que buscam estratégias para equilibrar o orçamento sem abrir mão de necessidades básicas – avaliou.
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