Preços de hortigranjeiros têm queda, aponta pesquisa

Jorge Guimarães
O consumidor teve uma boa notícia no mês passado em relação ao setor de hortigranjeiros. Em Minas Gerais, várias hortaliças apresentaram queda nos preços, reflexo que também chegou aos pontos de venda em Divinópolis. Levantamento realizado na CeasaMinas, em Contagem, mostram que produtos bastante consumidos no estado, como cenoura, batata, cebola e alface, registraram redução significativa no atacado.
Números
A pesquisa apontou que os preços de 58 produtos, responsáveis por 97% da oferta de hortigranjeiros no entreposto de Contagem, apresentaram queda de 3,81% no preço médio de frutas, hortaliças e ovos. O resultado é comemorado pelo consumidor e analisado com otimismo pelo setor.
Para o economista Lázaro Ribeiro, a retração nos preços é reflexo da combinação entre maior oferta e condições favoráveis de mercado.
— Quando analisamos um grupo tão representativo de produtos, a queda de quase 4% mostra que houve equilíbrio entre produção e demanda. Esse movimento contribui diretamente para aliviar a inflação dos alimentos, item que pesa bastante no orçamento das famílias — avaliou.
Segundo Ribeiro, o impacto positivo vai além da mesa do consumidor.
— Com preços mais acessíveis, o consumo tende a crescer, beneficiando também os produtores e comerciantes, que veem o giro de mercadorias aumentar. É um cenário em que todos ganham: o consumidor compra mais, os produtores escoam melhor a safra e o comércio fortalece suas vendas — destacou.
O economista ainda ressaltou que a continuidade desse movimento depende de fatores como clima, logística e custos de produção, mas a tendência atual é animadora.
— Se mantida a estabilidade, podemos esperar um segundo semestre com maior previsibilidade para o setor de hortigranjeiros, o que dá mais segurança tanto para quem produz quanto para quem consome — concluiu.
Mercado
Nas feiras e supermercados da cidade, os clientes já notam a diferença no bolso.
— Na última compra, percebi que a cenoura e a batata estavam bem mais em conta. Isso ajuda bastante na hora de fechar as contas do mês — relatou a dona de casa Maria Lúcia Martins.
O aposentado Antônio Carlos também destacou o alívio.
— A cebola e a batata estavam pesando muito no orçamento, e agora conseguimos comprar com mais tranquilidade — disse.
Ainda segundo Ribeiro, a redução dos preços é resultado de fatores sazonais e de condições favoráveis de produção.
— O período trouxe maior oferta de algumas hortaliças, o que naturalmente pressiona os preços para baixo. Além disso, a logística de distribuição foi menos impactada por questões climáticas, o que também contribuiu para a queda nos valores — explicou.
O especialista também diz que a expectativa é de que o cenário continue positivo no curto prazo, beneficiando o consumidor e incentivando o aumento do consumo de produtos frescos e saudáveis.
— A queda nos preços melhora o poder de compra das famílias e ajuda a movimentar o comércio local — destacou.
Pesquisa
Lazaro Ribeiro avaliou ainda que, em um cenário de variação constante de preços, especialmente no setor de hortigranjeiros, a melhor arma do consumidor continua sendo a tradicional pesquisa de preços. Segundo ele, a prática permite que o comprador aproveite ao máximo a dinâmica do mercado, já que as promoções são frequentes e fazem parte da lógica da livre concorrência, que regula a oferta e a demanda.
— O consumidor precisa entender que o mercado é dinâmico, e isso se reflete diariamente nas prateleiras. Produtos como frutas, verduras e legumes estão sujeitos a variações que dependem da safra, do clima, da logística e até de estratégias de venda. Por isso, quem pesquisa consegue não só economizar, mas também planejar melhor suas compras — destacou Ribeiro.
A reportagem conversou também com a professora Alice Maria Pereira, que reforçou essa percepção enquanto realizava sua pesquisa em uma rede de supermercados. Ela contou que a variação é tão grande que costuma sempre verificar os preços antes de comprar.
— Para se ter uma ideia, na semana passada comprei aqui mesmo, batata bolinha e cebolas pequenas a R$ 0,99. Hoje, já não encontro esses preços e nem esses produtos. Ainda bem que comprei bastante da última vez — relatou.
Para o economista, depoimentos como o de Alice mostram como a pesquisa ativa se traduz em benefícios reais para o consumidor.
— A concorrência estimula as promoções e, ao mesmo tempo, garante que o consumidor tenha opções. O importante é estar atento e não abrir mão de comparar preços — concluiu.
Concorrência
Ainda sobre concorrência, o gerente de uma rede de supermercados, Sérgio Antônio de Oliveira, destaca a sua relevância para o equilíbrio do mercado e os benefícios diretos que chegam ao consumidor. Segundo ele, é justamente a disputa entre os pontos de venda que estimula as promoções, amplia a variedade de produtos e garante preços mais acessíveis.
— A concorrência é saudável porque obriga todos os estabelecimentos a buscarem eficiência. Se um mercado oferece descontos em hortifruti, por exemplo, o outro precisa se movimentar para não perder clientes. Isso resulta em mais opções e em preços melhores — avaliou Oliveira.
Já o dono de restaurante Rolando Meneses destacou que essa dinâmica é fundamental também para quem trabalha com alimentação fora do lar, já que o custo dos insumos impacta diretamente no cardápio e na gestão do negócio.
— Para nós, que compramos em grande quantidade, cada variação no preço faz diferença. Quando há concorrência entre supermercados e distribuidores, conseguimos negociar melhor e manter o cardápio acessível para os clientes — frisou.
Ovos
Já os ovos de granja apresentaram significativa retração nos preços ao longo de julho, registrando uma deflação acumulada de 10,56% no período. O movimento surpreendeu parte do setor, já que a queda foi atribuída, principalmente, à redução na demanda, em um momento em que também se verificou uma leve contração da oferta, impactada pelas baixas temperaturas registradas no mês.
Ribeiro explica que, mesmo com a menor disponibilidade de produto no mercado, a procura reduzida foi determinante para a desvalorização. O consumo de ovos, geralmente aquecido por seu valor nutricional e custo competitivo em relação a outras proteínas, acabou perdendo fôlego diante de mudanças no comportamento do consumidor e da sazonalidade típica dessa época do ano.
— Assim, a combinação entre menor demanda e ajustes na produção resultou em preços mais baixos para o consumidor final, criando um cenário que, embora positivo para quem compra, acendeu o alerta entre produtores e comerciantes. O setor agora avalia os próximos meses, atentos à recuperação da procura e às condições climáticas que ainda podem influenciar a oferta – finaliza o economista.
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