Caminhada inclusiva abre o Abril Azul em Divinópolis

Da Redação
A manhã desta quarta-feira, 1º, foi marcada por mobilização, informação e empatia em Divinópolis, com a realização da caminhada inclusiva em alusão ao início do Abril Azul — mês dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A ação reuniu famílias, autoridades, instituições e a população em geral em um movimento que reforça a importância da inclusão e do respeito às pessoas autistas. Nesta quinta-feira, 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, data que fortalece ainda mais o debate ao longo de todo o mês.
Nova prefeita presente
A prefeita de Divinópolis, Janete Aparecida (Avante), ressaltou a necessidade de políticas públicas voltadas ao público autista e a ampliação do debate sobre o tema.
— O número de crianças e até adultos que se descobrem autistas é muito grande. Precisamos entender que há diferenças, mas são pessoas que precisam viver dentro da inclusão. É necessário que as pessoas saibam identificar, reseitar e compreender símbolos e comportamentos. Essa caminhada representa exatamente isso: inclusão, respeito e responsabilidade do poder público — afirmou.
Momento especial
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB Divinópolis e uma das organizadoras da ação, Wandreiane Melo, celebrou a adesão da população ao movimento.
— Cada ano que passa, mais pessoas participam, e isso é muito importante para que consigamos fazer uma inclusão de verdade. A nossa mensagem é que as pessoas busquem conhecer as diferenças, porque através do conhecimento a gente cria respeito e promove inclusão — destacou.
Grupo de apoio
Presente no evento, a presidente da Associação Olhares Notáveis, Iara Mendes, destacou a relevância da iniciativa para ampliar o conhecimento da sociedade sobre o tema.
— Essa ação é de extrema importância. 2 de abril é comemorado o Dia Mundial do Autismo e esse movimento é para sensibilizarmos a sociedade. Hoje, com tanto acesso à informação, as pessoas ainda são extremamente desinformadas sobre o que é o transtorno do espectro autista. Temos lema que usamos muito, que é ‘entender para verdadeiramente incluir’ — afirmou.
Mães atípicas
Entre os participantes, mães de crianças autistas compartilharam experiências e desafios enfrentados no dia a dia. Cristhiane Cardoso relatou a própria vivência ao lado do filho Enzo, de 9 anos.
— Quando iniciamos a gestação, nunca tem essa previsão de que vai ter uma criança do espectro autista. Foi uma novidade, uma surpresa e um desafio muito grande como mãe enfrentar o que é o autismo. A maior parte da população não tem esse conceito — disse.
Ela também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelas famílias.
— Vemos que a dificuldade é muito grande, tanto em relação aos tratamentos, acesso à escola e aos preconceitos. Muitas vezes, as pessoas confundem comportamentos com birra ou crise. Existe criança de suporte 1, 2 e 3, então é fundamental levar essa informação à população — completou.
Rosa Dias, mãe de Helena, de 10 anos, que possui nível de suporte 3, reforçou a importância da conscientização para garantir inclusão efetiva.
— Essa conscientização é muito importante para poder conscientizar, de fato, a população sobre a importância de incluir e abraçar a causa. Hoje já conseguimos perceber mais entendimento das pessoas em espaços públicos, e isso é uma vitória para nós — refletiu.
Organização e segurança
A participação das forças de segurança também foi destacada durante o evento. O sargento Harley, da Polícia Militar, enfatizou o papel da instituição na promoção da empatia e da informação.
— Para nós é uma alegria muito grande participar de um evento como esse. Uma caminhada assim traz visibilidade e empatia. Muitas pessoas ainda têm dúvidas sobre o autismo, então esse momento é importante para mostrar quem são essas pessoas e como elas estão inseridas na sociedade — disse.
Inclusão é pauta central
A deputada estadual Lohanna França (PV) chamou atenção para a necessidade do cumprimento das leis já existentes voltadas à inclusão.
— O que as famílias pedem não é favor, nem privilégio. É o cumprimento da lei. Questões como professor de apoio e acesso às terapias não podem ser uma luta constante. A caminhada também traz essa demanda de legalidade — afirmou.
Ela também destacou uma legislação recente de sua autoria.
— Conseguimos aprovar uma lei que garante a prioridade da manutenção do professor de apoio na troca de ano letivo, caso seja desejo da família. Isso é fundamental para garantir continuidade no aprendizado e adaptação da criança — explicou.
A Caminhada Inclusiva marca apenas o início de uma série de atividades previstas para o Abril Azul em Divinópolis, que contará com ações educativas, eventos e campanhas ao longo de todo o mês, reforçando a importância da informação, da empatia e do respeito às pessoas com TEA e suas famílias.
Mês especial
Ao longo de toda a duração de abril, você verá um conteúdo especial promovendo a conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista aqui no Agora, seja pelo impresso, ou em nossas redes sociais, em parceria com a Oficina do Brincar.
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