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Alta de doenças respiratórias preocupa sistema de saúde 

Alta de doenças respiratórias preocupa sistema de saúde 

Da Redação

Minas Gerais enfrenta um novo período de alerta na saúde pública em 2026 diante do avanço das doenças respiratórias. Dados da Secretaria de Estado de Saúde apontam que o estado já registrou 6.189 notificações de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) neste ano, o que representa uma média de cerca de 70 casos por dia. O crescimento ocorre justamente no período mais crítico para esse tipo de doença, entre os meses de março e maio, e já provoca pressão sobre hospitais e unidades de pronto atendimento em diversas regiões.

Época seca e fria

De acordo com autoridades de saúde, a tendência é de agravamento nas próximas semanas, com aumento das internações, principalmente entre crianças e idosos, grupos mais vulneráveis às complicações respiratórias. Em Belo Horizonte, por exemplo, centenas de crianças já precisaram de internação apenas nos primeiros meses do ano, cenário que tem levado o estado a ampliar leitos e reforçar equipes médicas para atender à demanda crescente.

Casos em foco

A preocupação das autoridades se concentra nos casos mais graves, especialmente aqueles que evoluem para insuficiência respiratória e exigem atendimento especializado e internação hospitalar. Diante disso, o governo estadual anunciou a abertura de novos leitos em unidades de referência, além do reforço no quadro de profissionais de saúde, numa tentativa de evitar o colapso do sistema diante do avanço da doença.

Superlotação há um ano

O cenário atual reacende um alerta já vivido recentemente em cidades do interior, como Divinópolis, que enfrentou uma situação crítica em 2025. Naquele período, o aumento expressivo de doenças respiratórias levou à superlotação da Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que chegou a operar com 150% da capacidade.

Na ocasião, a unidade registrava grande volume de pacientes, incluindo casos leves e graves, o que comprometeu a dinâmica de atendimento. Em média, cerca de 50 pacientes aguardavam transferência para hospitais da rede, evidenciando a dificuldade do sistema em absorver a demanda.

Lição do passado

A situação se agravou a ponto de o município decretar estado de emergência em saúde pública, diante do crescimento dos casos de SRAG e da circulação de vírus como Influenza A e o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), que atingiram principalmente o público infantil. O setor de pediatria chegou a registrar ocupação acima da capacidade, com relatos de superlotação ainda mais intensa em determinados dias.

Além disso, o aumento da procura por atendimento, inclusive por pacientes com sintomas leves, contribuiu para a sobrecarga da unidade. A orientação das autoridades de saúde, à época, foi para que casos de menor gravidade fossem direcionados às unidades básicas, a fim de preservar a UPA para atendimentos de urgência e emergência.

Alerta ligado

O paralelo entre os dois momentos — o cenário atual em Minas Gerais e a crise enfrentada anteriormente em Divinópolis — reforça o risco de novas situações de sobrecarga no sistema de saúde, especialmente em cidades de médio porte, que dependem da regulação de leitos hospitalares para dar vazão aos atendimentos mais graves.

Especialistas alertam que o aumento sazonal das doenças respiratórias exige planejamento antecipado e ações coordenadas entre municípios e estado. A ampliação de leitos, a contratação de profissionais e o fortalecimento da atenção básica são apontados como medidas essenciais para evitar o colapso do sistema.

Imunização

Outro ponto destacado pelas autoridades é a importância da vacinação como principal forma de prevenção. A campanha contra a gripe já está em andamento, com foco em grupos prioritários, além da oferta de imunizantes contra outras doenças respiratórias. A adesão da população é considerada fundamental para reduzir a circulação de vírus e, consequentemente, a pressão sobre os serviços de saúde.

Com o avanço dos casos e a proximidade do inverno, a expectativa é de que o número de atendimentos continue crescendo nas próximas semanas. Diante desse cenário, o histórico recente de Divinópolis serve como alerta para gestores e profissionais da saúde, que buscam evitar a repetição de episódios de superlotação e garantir atendimento adequado à população em meio ao aumento das doenças respiratórias no estado.

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