Divinópolis soma 314 violações contra mulheres e tem mais de 1,2 mil casos pendentes na Justiça

Lucas Maciel
Divinópolis já registrou 314 violações contra mulheres em 2025, segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania. Os casos incluem maus-tratos, exploração sexual e tráfico de pessoas, e refletem um cenário ainda preocupante. Além disso, mais de 1,2 mil processos por violência de gênero na cidade seguem pendentes na Justiça, conforme levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Para tentar agilizar o atendimento e reforçar a proteção das vítimas, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) lançou um novo aplicativo que monitora, em tempo real, ocorrências relacionadas à violência contra mulheres. A ferramenta permite classificar o risco das vítimas e priorizar atendimentos, garantindo que situações graves recebam uma resposta mais rápida.
A iniciativa integra as ações do “Agosto Lilás", mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência doméstica e familiar. Durante todo o período, órgãos de segurança, entidades de apoio e instituições de ensino promovem uma série de ações com o objetivo de estimular denúncias e orientar mulheres sobre os canais de ajuda disponíveis.
Dados
Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, em 2025, Divinópolis já registrou 314 violações contra mulheres. Em todo ano de 2024, foram registrados 728 casos no total, o que mostra a dimensão da violência enfrentada na cidade. No entanto, apenas 44 denúncias foram formalizadas junto à Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos.
Essa realidade também aparece nos números do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que indicam um volume significativo de processos ainda pendentes na Justiça. Até junho de 2025, a cidade registrou 266 pedidos de medidas protetivas, dos quais 259 foram concedidos, representando 97%, com um tempo médio de três dias entre o início do processo e a concessão da primeira medida.
Em Minas Gerais, o número de pedidos chega a 28.640, com 93% deferidos e tempo médio de cinco dias para a primeira decisão. No ano anterior, esses números foram ainda maiores, com 461 pedidos em Divinópolis e quase 58 mil em Minas Gerais, mostrando a dimensão do problema.
Em relação aos feminicídios, o Município tem cinco casos pendentes e um julgamento realizado em 2025, com tempo médio de 168 dias para a análise. No estado, são 1.800 casos, com 584 já julgados e um tempo médio de 284 dias.
A violência doméstica também preocupa, com mais de 1.200 processos pendentes em Divinópolis e quase 130 mil em Minas Gerais, embora a cidade tenha julgado 180 casos e o estado 24.628 até junho deste ano.
Aplicativo
Para reforçar o combate à violência contra a mulher, a PM lançou um novo aplicativo que monitora, em tempo real, todas as ocorrências relacionadas a esses crimes. A ferramenta, que entrou em funcionamento recentemente, permite que as equipes de atendimento classifiquem o risco das vítimas com base em informações como o tipo de violência sofrida, histórico de denúncias e existência de medidas protetivas.
Segundo a chefe do Centro de Jornalismo da PMMG, major Layla Brunnela, o sistema garante que as ocorrências mais graves recebam prioridade no atendimento, tornando a resposta policial mais rápida e eficaz.
— Todas as comandantes e militares envolvidos no atendimento de proteção à mulher recebem atualizações em tempo real, o que possibilita um acompanhamento mais próximo e estratégico das vítimas — comentou.
Além de acelerar o atendimento emergencial, o aplicativo também auxilia no pós-atendimento.
Agosto Lilás
A iniciativa faz parte das ações da Polícia Militar durante o “Agosto Lilás", mês dedicado à conscientização e enfrentamento da violência doméstica. Instituída por lei em 2022, a campanha marca o mês em que foi sancionada a Lei Maria da Penha, uma das principais legislações de proteção às mulheres no Brasil, que completa 19 anos em 2025.
Durante todo o mês, a PM e outras instituições realizam diversas atividades, como palestras, operações preventivas, distribuição de materiais educativos e visitas a vítimas, com o objetivo de ampliar o debate sobre a violência de gênero e estimular a denúncia.
Denúncias
Durante o “Agosto Lilás", a PM reforça a divulgação dos principais canais de denúncia disponíveis para a população. Segundo a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Luana Ersinzon, denunciar é um passo fundamental para a quebra do ciclo de violência.
— A violência contra a mulher, infelizmente, ainda é uma realidade presente em todas as regiões do Brasil. Por isso, é fundamental que as vítimas saibam que não estão sozinhas — afirmou.
Em situações de risco iminente, a orientação é ligar para o 190, número da Polícia Militar, que atende emergências 24 horas. Para denúncias anônimas, o Disque 180 oferece um canal gratuito e sigiloso, funcionando também 24 horas por dia, com atendimento especializado para mulheres em situação de violência.
Além disso, em Divinópolis, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) está disponível para registro de ocorrências e acolhimento. A delegacia funciona na avenida Antônio Olímpio de Morais, nº 909, no Centro, e conta ainda com a Deam Online, que opera 24 horas para facilitar o acesso das vítimas.
— Ao buscar ajuda e formalizar uma denúncia, a mulher dá um passo importante para romper com o ciclo de agressões e acionar uma rede de proteção que pode garantir sua segurança e dignidade. A informação e o acolhimento fazem toda a diferença nesse processo — finalizou a coordenadora.
Qualquer pessoa pode fazer denúncias, mesmo que não seja a vítima direta, contribuindo para o combate à violência contra a mulher e a proteção da comunidade.
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