Carnaval nas cidades históricas deve atrair milhares de foliões em MG

Lucas Maciel
Depois do sucesso do Pré-Carnaval do Divino, que abriu a temporada de folia em Divinópolis, os olhares agora se voltam para o Carnaval oficial. Em Minas Gerais, as cidades históricas voltam a figurar entre os destinos mais procurados por foliões que buscam festas tradicionais, seguras e com forte identidade cultural.
Em 2026, esse movimento foi reforçado com o lançamento do Carnaval da Liberdade e da Tranquilidade nas Cidades Históricas, apresentado na manhã de sexta-feira, 6, durante coletiva realizada no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte. A iniciativa reúne programação diversa em diferentes regiões e reafirma o papel desses municípios na preservação de manifestações culturais ligadas ao Carnaval mineiro.
Organizado pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), em parceria com a Cemig e a Associação das Cidades Históricas de Minas Gerais, o projeto abrange 47 municípios e posiciona o estado como um dos principais polos do Carnaval tradicional no país.
Tradição
O lançamento contou com a participação de grupos que representam a diversidade da folia mineira, como o bloco Zé Pereira da Chácara, de Mariana, acompanhado da Charanga Oi’to Tontos, além do Bloco de Percussão Ponto de Cultura Tapera Real, de Conceição do Mato Dentro, da Batucada das Minas e da Charanga Pop, de Tiradentes, e do bloco BatCaverna, de Diamantina.
A presença dos grupos reforçou o caráter descentralizado do Carnaval em Minas, que se estende para além da capital e mantém viva a tradição de blocos históricos e manifestações populares.
Entre os principais símbolos dessa herança está o próprio Zé Pereira da Chácara, que completa 180 anos em 2026 e integra a lista dos blocos mais antigos do Brasil, ao lado do Zé Pereira dos Lacaios, de Ouro Preto.
Patrimônio cultural
A iniciativa reúne destinos reconhecidos nacional e internacionalmente. Entre eles estão quatro patrimônios culturais da humanidade: Ouro Preto, Diamantina, Congonhas e o complexo das Cavernas do Peruaçu, em Januária.
Além do valor histórico, a expectativa é de impacto direto no turismo e na economia criativa. Ouro Preto estima receber cerca de 60 mil foliões, com movimentação aproximada de R$ 20 milhões. Em São João del-Rei, a projeção chega a R$ 50 milhões. Já Diamantina espera público de 40 mil pessoas por dia. Em 2025, o município registrou mais de 350 mil foliões e cerca de R$ 30 milhões gerados.
Segundo a secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Botega, o Carnaval nas cidades históricas combina valorização cultural com geração de emprego e renda, mantendo as tradições locais como eixo da programação.
O vice-presidente da Associação das Cidades Históricas e prefeito de Diamantina, Geferson Burgarelli, destacou que, após um período de perda de público com o crescimento do Carnaval de Belo Horizonte, o movimento voltou a crescer, com retomada do interesse pelos festejos tradicionais.
Programação
Em Mariana, a programação ocorre de 12 a 17 de fevereiro, com desfiles de blocos, escolas de samba e shows no centro histórico, tendo como destaque as celebrações pelos 180 anos do Zé Pereira da Chácara.
No mesmo período, Ouro Preto reúne mais de 50 blocos de rua, além de escolas de samba e atrações musicais. Distritos como Lavras Novas e São Bartolomeu mantêm o chamado Carnaval da Tranquilidade, voltado a quem busca programação cultural combinada com experiências junto à natureza.
Na região do Campo das Vertentes, São João del-Rei e Tiradentes preservam o perfil que consagrou o Carnaval local, com marchinhas, blocos tradicionais e ocupação dos centros históricos, atraindo turistas interessados em vivências culturais.
Em Itabira, o tema A Cor Dessa Cidade inspira um carnaval descentralizado, com pré-Carnaval, concursos, blocos de rua e atividades em bairros e distritos turísticos.
No Sul de Minas, Aiuruoca realiza a 86ª edição do Aiurufolia, considerado o primeiro Carnaval antecipado do Brasil, tradição iniciada em 1938. Já Bom Jardim de Minas promove o BJ Folia 2026, com blocos tradicionais, marchinhas e shows diurnos.
Também integram a programação municípios como Bom Jesus do Amparo, Sabará, Caeté e Lagoa Santa, que apostam em carnavais familiares, comunitários e seguros, com atividades para crianças e ocupação cultural dos espaços públicos.
Destinos consolidados
Com propostas que vão da festa intensa ao descanso em meio ao patrimônio histórico, o Carnaval nas cidades históricas mantém Minas Gerais como referência nacional de folia tradicional. A combinação entre cultura, turismo e identidade local explica por que, ano após ano, esses destinos seguem entre os mais procurados por quem prefere trocar o litoral por experiências ligadas à memória e às manifestações populares do estado.
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