Casos de violência nas escolas envolvendo adolescentes acende alerta e preocupa

Da Redação
Um adolescente de 17 anos foi agredido nesta terça-feira, 25, na Escola Municipal Professora Hermínia Corgozinho, no bairro Bela Vista, em Divinópolis, se tornando a segunda vítima de violência física em ambiente escolar neste mês. O caso reacende o debate sobre segurança nas instituições de ensino e o aumento de conflitos entre adolescentes e jovens, enquanto autoridades buscam medidas para conter a escalada de agressões.
Caso recente
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado por volta das 9h50 após relatos de briga na instituição de ensino, na rua Viriato Corrêa. O adolescente apresentava um corte no supercílio direito e dores que sugerem uma possível fratura no nariz. Uma colega, que teve uma crise de ansiedade durante o ocorrido, também foi atendida, mas liberada no local.
O jovem agredido foi encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde ficou em observação médica. A Polícia Militar (PM) registrou o caso, mas as circunstâncias exatas da agressão ainda não foram divulgadas.
Em nota, a Prefeitura afirmou que o “Projeto Olhares”, que oferece acompanhamento psicossocial, está auxiliando os alunos envolvidos.
— Medidas serão adotadas, e contamos com a colaboração de toda a comunidade escolar — disse o comunicado.
Aluno de 14 anos
Menos de duas semanas antes, outro estudante, de 14 anos, foi atingido no rosto por um colega de 15 anos na Escola Estadual São Vicente, no bairro Niterói. O motivo teria sido uma acusação de que o agressor estaria usando drogas na escola.
A vítima, após ser socorrida, teve uma convulsão durante o registro do Boletim de Ocorrência (BO) e precisou de avaliação neurológica no Complexo de Saúde São João de Deus. O agressor, que não tinha passagem pela polícia, foi apreendido e liberado após a mãe prestar esclarecimentos.
Onda de violência
Os dois casos não são isolados. Nos últimos meses, Divinópolis registrou:
- Injúria racial: Uma funcionária chamou uma aluna de "macaca" e foi presa em flagrante.
- Agressão a professora: Uma docente foi atacada pela mãe de um aluno no bairro Interlagos.
Diante do cenário, a vereadora Ana Paula Quintino (Avante) propôs a instalação de câmeras de segurança nas escolas municipais.
— Vamos destinar emendas para isso. A escola deve ser um local de aprendizado, não de violência — afirmou.
O que está por trás do descontrole?
A psicóloga Ana Sarah analisa que múltiplos fatores contribuem para a violência juvenil:
Segundo ela, o acesso a diversos conteúdos na internet sem supervisão dos pais é um deles.
— Muitos jovens acessam fóruns, grupos de whatsapp, telegram, facebook, perfis no tiktok onde recebem conteúdos relacionados a diversos tipos de violência, discursos de ódio e incentivo a comportamentos desadaptativos — revela.
Outro fator apontado pela profissional é o bullying não combatido.
— O bullying e outras formas de preconceito que são praticados no ambiente escolar e também digital, que frequentemente são normalizados em muitos locais — acrescenta.
Ana Sarah cita também a ausência dos pais ou de figuras de amor e cuidado.
— Crianças e adolescentes precisam de um ambiente seguro para se desenvolverem, um pouco além de terem segurança alimentar e moradia (o que muitos nem isso têm), eles precisam de figuras de cuidado presentes, que monitorem, que ofereçam afeto, proteção e acolhimento — frisa.
A influência do ambiente em que vivem é outro ponto abordado pela psicóloga.
— É muito comum que jovens reproduzam comportamentos, formas de afeto que presenciam em casa ou em suas comunidades — revela.
A profissional destaca também a forma como são tratados.
— A desregulação emocional e a violência também são resultados de apegos inseguros, desenvolvidos em famílias onde a relação para com o jovem é de violência, desinteresse e/ou negligência — enfatiza.
De acordo com ela, a violência é sintoma de algo maior.
— Falta de acolhimento, negligência e exposição a discursos de ódio — resume.
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