Ceia de Natal reúne tradição, adaptação e novas opções

Jorge Guimarães
A ceia de Natal segue sendo um dos momentos mais simbólicos do calendário brasileiro, reunindo famílias em torno da mesa para celebrar união, fé e confraternização. Em Divinópolis, assim como em outras cidades do país, o ritual se mantém vivo, mas vem sendo adaptado à realidade econômica das famílias, que buscam alternativas para manter a tradição sem comprometer o orçamento.
Planejar
Para muitos consumidores, o planejamento começa semanas antes. A auxiliar administrativa Ana Paula Martins, conta que, neste ano, a família decidiu continuar a dividir as despesas.
— Somos quatro irmãos e cada um ficou responsável por um item da ceia. Um compra as carnes, outro as bebidas, outro as sobremesas. Assim ninguém fica sobrecarregado e conseguimos manter uma mesa farta — relata.
Segundo ela, a estratégia virou regra nos últimos anos diante do aumento do custo de vida.
Situação semelhante vive a família do pedreiro João Batista Silva.
— Antes, meus pais arcavam com tudo. Hoje, cada família contribui um pouco. O importante é estarmos juntos, não importa se tem peru ou não — afirma.
Para ele, a ceia deixou de ser sinônimo de ostentação e passou a representar mais simplicidade e união.
Churrasco
Há também quem tenha optado por substituir a ceia tradicional por alternativas mais acessíveis e práticas. É o caso da comerciante Renata Souza, que neste Natal escolheu fazer um churrasco.
— A gente percebeu que os cortes para churrasco saem mais em conta do que os itens tradicionais da ceia. Além disso, agrada todo mundo e dá menos trabalho — explica.
Segundo ela, a decisão foi bem aceita pela família, que aprovou a mudança sem abrir mão da confraternização.
Carne bovina
E por falar em churrasco, em tradicional açougue na cidade já sente o reflexo positivo das confraternizações e das festas de fim de ano. Desde o início do mês, o movimento tem sido intenso, impulsionado tanto pelas ceias natalinas, quanto pelos encontros entre amigos, empresas e famílias, que cada vez mais optam pelo churrasco como alternativa à ceia tradicional.
O empresário Kilderson Oliveira avalia que as vendas já apresentam crescimento expressivo neste período.
— Já registramos um aumento em torno de 30% a 40% nas vendas, devido às confraternizações e às tradicionais festas de fim de ano — destaca.
Mesmo diante do reajuste nos preços das carnes, a procura segue aquecida. Segundo Kilderson, houve aumento médio entre 8% e 10% tanto na carne bovina, quanto na suína. Ainda assim, o consumidor não deixou de comprar, apenas passou a fazer escolhas mais estratégicas.
— A preferência neste período é pela carne suína, com boa saída do pernil, do lombo e das carnes recheadas, que são muito procuradas para a ceia — explica.
Mas o empresário ressalta que o churrasco continua sendo unanimidade entre os clientes.
— A turma também não abre mão de um bom churrasco. As carnes de primeira têm uma ótima saída, principalmente para as confraternizações, que costumam reunir mais pessoas — avalia.
De acordo com ele, o cenário mostra que, apesar da alta nos preços, o consumidor segue disposto a celebrar.
Supermercados
O movimento intenso confirma que, independentemente do formato escolhido, o Natal segue aquecendo o comércio. O gerente de loja Sérgio Antônio de Oliveira destaca que o fluxo de clientes aumentou significativamente nas últimas semanas.
— Já percebemos um crescimento expressivo no movimento, principalmente neste último fim de semana. As pessoas estão comprando aos poucos, comparando preços e aproveitando promoções — observa.
Entre os produtos mais procurados, Sérgio aponta as carnes, como frango, pernil suíno e cortes bovinos, além de itens básicos para a ceia.
— O chester, o frango temperado, o pernil, azeite, as massas, além de bebidas como refrigerantes, cervejas e espumantes, estão entre os campeões de vendas. Panetones e chocotones também seguem com boa saída — afirma.
O gerente explica que, mesmo com consumidores mais cautelosos, a expectativa é positiva.
— Nossa projeção é de um aumento entre 12% e 15% nas vendas em relação ao mesmo período do ano passado. O Natal ainda é uma data muito forte para o varejo alimentar — destaca.
Preços
A ceia deste ano apresenta um cenário misto. Alguns itens tradicionais registraram queda, o que ajudou a aliviar o orçamento das famílias. Produtos como o azeite, cebola, batata, cenoura e tomate ficaram mais baratos, em média 10%, em relação ao mesmo período do ano anterior, refletindo maior oferta e boas condições climáticas em regiões produtoras. Algumas frutas, como melancia, melão e manga, também apresentaram recuo nos preços.
Por outro lado, itens típicos da ceia natalina tiveram aumento. Carnes nobres, como o bacalhau, que bateu nos quase 80%, e alguns cortes bovinos, também ficaram mais caras, assim como nozes, castanhas e frutas secas, muito utilizadas nas receitas de fim de ano.
Diante deste cenário, o comportamento do consumidor mudou.
— A gente pesquisa bastante, troca marcas e adapta o cardápio — conta a aposentada Maria do Carmo Ferreira.
— Se o bacalhau está caro, a gente faz um peixe mais simples. O importante é manter o clima de Natal — diz.
Para especialistas do setor, a ceia de Natal de 2025 reflete um consumidor mais consciente, que não abre mão da celebração, mas busca equilíbrio financeiro.
— Dividir despesas, adaptar receitas e escolher alternativas mais econômicas são estratégias cada vez mais comuns. Mesmo com ajustes e mudanças, o significado da data permanece. Seja com uma ceia tradicional, um churrasco ou um cardápio mais simples, o Natal continua sendo marcado pelo encontro, pela partilha e pelo desejo de dias melhores no ano que se aproxima — pontua o economista.
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