Cleitinho admite que pode enfrentar Nikolas Ferreira em 2026: ‘o povo escolhe’

Lucas Maciel
A mais recente pesquisa de intenção de voto para o governo de Minas Gerais confirmou o que os levantamentos anteriores já apontavam: Cleitinho Azevedo (Republicanos) segue como o principal nome na disputa. O senador aparece isolado na liderança, com 40,6% das menções no cenário estimulado do Instituto Paraná Pesquisas, abrindo vantagem de mais de 25 pontos sobre os adversários.
Entre os demais nomes citados, o cenário se mostra fragmentado. Alexandre Kalil (PDT), Rodrigo Pacheco (PSD) e Marília Campos (PT) aparecem tecnicamente próximos, enquanto Nikolas Ferreira (PL) desponta como uma das principais apostas do campo conservador, o mesmo grupo político que impulsiona Cleitinho e que deve concentrar as atenções na reta inicial da corrida eleitoral.
Mesmo com a consolidação nas pesquisas, Cleitinho adota cautela e evita confirmar a candidatura. Em entrevista exclusiva ao Agora, o senador afirmou que a decisão sobre disputar ou não o governo mineiro será tomada apenas em março do próximo ano, indicando que ainda avalia apoios e estratégias dentro de seu campo político.
Cenário
A liderança de Cleitinho se mantém sólida em todos os cenários avaliados pelo Instituto Paraná Pesquisas. No levantamento principal, divulgado na última quarta-feira, 8, em que os nomes dos pré-candidatos foram apresentados aos eleitores, o senador do Republicanos aparece com 40,6% das intenções de voto, isolado na frente e com mais de 25 pontos percentuais de vantagem sobre os demais concorrentes.
Alexandre Kalil (PDT) aparece em segundo lugar, com 13,5%, seguido de Rodrigo Pacheco (PSD), com 13%, e Marília Campos (PT), com 10,6%. Mateus Simões (Novo) marca 5,9%, enquanto 10,4% afirmaram que votariam em branco, nulo ou em nenhum dos nomes apresentados, e outros 5,9% não souberam ou preferiram não responder.
Quando Cleitinho é retirado do cenário, a disputa se torna mais fragmentada. Nesse caso, Alexandre Kalil sobe para 19,1%, Rodrigo Pacheco para 17% e Marília Campos para 15%. Mateus Simões aparece com 12,2%, enquanto a soma de brancos, nulos e indecisos chega a 36,7%.
Em um terceiro cenário, que inclui o nome de Aécio Neves (PSDB), Cleitinho não é testado, mas os números reforçam seu peso político. O tucano aparece com 21,4%, empatado tecnicamente com Alexandre Kalil, que registra 17,8%, seguido de Marília Campos, com 14,7%, e Mateus Simões, com 11,2%. Mesmo sem seu nome, a parcela de eleitores que opta por branco, nulo ou indecisos permanece alta, com cerca de 35.
Durante a entrevista para o Agora, realizada na última sexta-feira, 10, Cleitinho comentou sobre o que o motiva, a partir das pesquisas, e o cenário atual da corrida eleitoral.
— O que me motiva são as pessoas, as que me param na rua, no telefone, em todos os lugares. As pesquisas não me deixam mentir. Acho que saiu uma que mostra que se as eleições fossem agora, eu poderia ganhar até no primeiro turno, com 50% mais um — contou.
Apoios
Enquanto a decisão sobre sua candidatura ainda não é tomada, Cleitinho Azevedo também comentou sobre a importância de apoios partidários para uma eventual campanha ao governo de Minas Gerais. O comentário do senador surge após o PL divulgar uma nota afirmando que teria como prioridade apoiar Nikolas Ferreira em uma eventual candidatura, mas que poderia avaliar apoio a Cleitinho caso o deputado não se lançasse.
— O Nikolas, naturalmente, também lidera pesquisas e é do PL, então eles vão dar prioridade para o Nikolas, não vai ser para mim. Eles podem me dar prioridade, a partir do momento que o Nikolas não vier candidato, isso eu tenho muita maturidade para entender — destacou.
Ele também ressaltou que, caso o PL opte por apoiar outro candidato, aceitará a decisão de forma madura, reconhecendo que o partido pode ter outras alternativas ou considerar propostas mais alinhadas a outro nome.
— Se o PL quiser me apoiar ou outros partidos, eu tenho a humildade para aceitar apoio se eu vier candidato, eu tenho que entender que a gente não ganha sozinho — completou.
Disputa com Nikolas?
Um dos principais pontos da disputa pelo governo de Minas Gerais é a possibilidade de Cleitinho e Nikolas Ferreira (PL) concorrerem em chapas diferentes. O senador comentou que já fez gestos para abrir mão de sua candidatura, mas que, diante da falta de sinais do deputado federal, precisará considerar sua própria participação na corrida eleitoral.
— Eu acho que pode ter possibilidade [de duas chapas separadas], porque eu já fiz vários gestos para ele dizendo que eu abriria mão, mas o tempo está passando e não tem esse gesto dele pra mim, então vai chegar uma hora que às vezes se continuar, que eu tenho que ir e não dá para abrir mão — comentou ao Agora.
Para Cleitinho, a decisão não se resume apenas a estratégias partidárias ou gestos individuais, mas deve considerar o que o eleitor mineiro entende como melhor para o estado.
— Se isso acontecer, sempre tendo o respeito, o que o povo mineiro achar melhor para administrar, o povo escolhe, isso é democracia — disse o senador.
A fala evidencia a cautela de Cleitinho, que mantém espaço para negociação, mas não descarta entrar na disputa caso perceba que sua candidatura seja necessária.
Decisão
Apesar da consolidação nas pesquisas e das articulações políticas em curso, Cleitinho Azevedo manteve a decisão sobre a candidatura ao governo de Minas Gerais para março do próximo ano, data próxima ao prazo final para registro das candidaturas na Justiça Eleitoral.
O senador afirmou que está tranquilo em relação ao calendário e que pretende avaliar cuidadosamente todas as possibilidades antes de definir se irá ou não disputar o pleito.
Além disso, o parlamentar comentou sobre rumores de que poderia integrar uma chapa como vice na disputa à Presidência da República. Cleitinho esclareceu que, até o momento, não houve conversas formais nesse sentido e que qualquer definição dependerá de negociações concretas com partidos e aliados no momento apropriado.
— Não conversei com ninguém, isso são apenas boatos e conversas. Não tem como eu falar sem ter conversado — finalizou.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
