Comércio sente diferença nas vendas e espera melhora

Rafael Camargos
O movimento dos consumidores nas lojas de todo o país caiu 6,6% no ano de 2016 em relação a 2015, de acordo com o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio. Este foi o pior resultado do varejo desde o início do levantamento, realizado há 16 anos. Em Divinópolis, comerciantes e vendedores notaram a queda, que influenciou diretamente na economia do município. Porém, dados mostram leve melhora.
Segundo a Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), no ano passado, o número de consultas realizadas para compras a prazo, comparando-se com 2015, cresceu 5,98%.
A mesma pesquisa mostra que o número de registro junto ao SPC Brasil, no comparativo com o mesmo período do ano anterior, novembro/15, sofreu queda de 25,62%.
Já o número de cancelamentos de registros, comparando-se com mesmo período do ano anterior, cresceu 52,47%.
Motivo
As dívidas são apontadas como principais responsáveis pelo pé no freio dos consumidores.
O economista Anderson Gonçalves confirma que a queda foi acarretada pelo endividamento.
— Notamos que o pontapé inicial para o declínio foi o alto índice de endividamento, aliado a alta taxa de desemprego. Outro fator está relacionado aos recordes de saques da conta-poupança para pagamentos de dívidas. Tudo isso causa a diminuição nas vendas, com isso o consumo vai diminuindo e deve permanecer assim por mais algum tempo — explica.
Para o economista, este ano deve apresentar uma melhora, mas a alteração não deve influenciar tanto no comércio.
— Nos últimos meses, fizemos uma pesquisa e notamos permanência do desemprego, mas ele não está aumentando. Se isso continuar, faz com que o consumo aumente. Mas a tendência é que mantenha o patamar de 6% a 8% — finalizou.
Comércio
A vendedora Luciana Silva, 37 anos, lida há 12 anos com o comércio. Segundo ela, a queda foi nítida e a crise financeira foi um dos principais motivos na diminuição das vendas.
— Com certeza, a crise financeira foi uma das principais responsáveis por isso, acredito que quem tinha dinheiro guardou ou para pagar as contas ou para outras necessidades e quem não tinha não comprou mesmo — explicou.
A jovem vendedora Regiane Nascimento, de 22 anos, tem menos experiência que Luciana (dois anos), mas contou que também sentiu a diferença de anos anteriores.
— Já trabalhei em outros estabelecimentos, como supermercado, fábricas e realmente a crise é uma das principais responsáveis. Como consumidora, tento me controlar, faço compras só à vista e, como vendedora, entendo o consumidor — contou a jovem.
O empresário José Márcio, de 22 anos, começou o próprio negócio há seus meses, em meio à crise. À reportagem, ele contou que o ano foi de surpresas e de superação
— Tudo começou quando eu trabalhava em uma loja e, infelizmente, meu patrão morreu e eu saí da empresa. Peguei o dinheiro que recebi e abri a loja. Eu sempre quis ser dono do meu próprio negócio e, para fazer isso, pesquisei e acreditei. Foi tudo muito difícil, mas 2016 foi uma surpresa, porque o ano foi bom — relatou.
Serasa
O pior resultado tinha sido em 2002, por causa da crise do racionamento de energia elétrica, quando houve recuo de 4,9%. Os economistas da Serasa explicam que as dificuldades enfrentadas pelos consumidores, como juros altos nos crediários, desemprego em alta e baixa na confiança, impactaram negativamente a atividade varejista.
A maior retração foi no segmento de veículos, motos e peças, cuja queda foi de 13% frente ao mesmo período do ano passado. A segunda maior queda foi de 12,6%, observada nas lojas de tecidos, vestuário, calçados e acessórios. Houve recuo de 11,1% nas lojas de móveis, eletroeletrônicos e equipamentos de informática.
Retrações menores ocorreram nas lojas de material de construção (-5,4%) e nos supermercados, hipermercados, alimentos e bebidas (-7,0%). Somente o segmento de combustíveis e lubrificantes se manteve no terreno positivo, com alta de 1,8%.
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