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Cultura

Concursos literários: ampliar a voz dos novos poetas

Por Bruno
Concursos literários: ampliar a voz dos novos poetas

Cláudio Guadalupe

As instituições públicas e privadas de nossa cidade, como a Secretaria Municipal de Cultura, a Secretaria Municipal de Educação (SEMED), a 12º Superintendência Regional de Ensino, a Câmara Municipal de Vereadores e entidades como a OAB, ACID, sindicatos, deveriam, em conjunção, realizar  concursos municipais de literatura, para ampliar a presença de novos autores. Lembremos que já houve esta experiência no Município, de realização de concurso literário pelo Município, na época do Governo de Aristides Salgado (1982/1988).

Mas ainda temos experiências exitosas de concursos literários, na Ordem dos Advogados – OAB e na Câmara Municipal de Vereadores / Escola Legislativa, em parceria com a Academia Municipal de Letras- ADL. 

Hoje, vamos apresentar os resultados do 6º Varal Literária da Câmara Municipal de Vereadores, que premiou três autores em dois gêneros, crônica e poesia, nas três categorias: Internacional, Nacional e de Divinópolis. Foram quase 600 participantes de vários países, de todos os estados do Brasil e especialmente, de autores de nossa cidade. Iremos apresentar, na categoria poesia, os poetas vencedores do concurso:

1º lugar: Bruno Nogueira Torres, com a poesia “A cidade amarela”

2º lugar: Amanda de Almeida Fonseca, com a poesia “Promessa que se ergue”

3º lugar: Cláudio Gonçalves Guadalupe, com a poesia “Mil tons”

Em primeiro lugar apareceu o autor Bruno Nogueira Torres, com o poema “A Cidade Amarela”. Seu poema faz-nos reportar à infância, nas pequenas cidades. Leiamos o 

o seu belo poema abaixo.

A CIDADE AMARELA

Na xícara esmaltada da infância,

a vilã lactose era abrigo, 

a perigosa cafeína, aventura.

Um gole de leite com café,

um convite para a vida sem pressa!

O suco de abacaxi gelava o copo de alumínio,

bebida de reis, não de energéticos.

O metal não era veneno, era abraço.

O abacaxi, um ótimo problema para se descascar!

E nas ruas, a luz dos postes amarelos,

pintava o chão em tons de mel,

um convite às brincadeiras sem fim.

O pique-esconde era a única rede social,

O grito da mãe, o único toque de recolher.

Hoje, a luz azul das telas

corta a noite, cada um em sua ilha.

O mundo em um mapa de pixels,

e a cidade amarela virou memória.

Mas na minha xícara esmaltada, ainda sinto

o gosto daquela cidade amarela.

Em segundo lugar, a voz feminina de Amanda de Almeida Fonseca, com um poema que homenageia a Cruz dos Povos em nossa cidade.

PROMESSA QUE SE ERGUE

Ergue-se ao céu uma cruz inacabada,

mas já completa em sua devoção.

Cada tijolo é prece ofertada,

cada doação, um ato de coração.

Os pés cansados sobem em silêncio,

na peregrinação que o amor conduz.

Entre passos, cantos e esperanças,

a fé floresce na sombra da Cruz.

Divinópolis, cidade escolhida,

onde o Espírito sopra e guia os caminhos.

Ali, a Cruz de Todos os Povos anuncia:

nunca estamos sós, seguimos divinos.

E quando a obra enfim resplandecer,

não será pedra, nem ferro, nem chão.

Será um farol eterno de fé e esperança,

unindo povos na mesma oração.

Em terceiro lugar, o poeta Cláudio Guadalupe, reconhecido pela sua participa-

ção nos movimentos culturais da cidade, seja no Coletivo  ARTEFERIA ou na Academia  Divinopolitana de Letras – a AD, apresentou o poema “MIL Tons”, que  homenageia o cantor mineiro, Milton Nascimento.

MIL TONS

Os olhos carregam lembranças

A voz aguda recolhe ventos

Os dentes brancos de piano

Alma de um blues americano

As mãos carregadas de urgências

Mil acordes ásperos dissonantes

Braços nus que vibram ritmos

De um cansaço negro africano

A presença notívaga transpira

Na pele banta de cor secular

Partilha encontros e desencontros

Dos povos, as vis agruras e danos

Os pés são trajetos antigos

De uma dança com tambores

Ressoam história de cidades mineiras

No limiar dos sonhos e enganos

Mil tons de sua boca

Mil faces de sua paz

Mil sons em sua toca

Milton é destino e força

Neste tempo que jaz

E outro virá de seu amor

Musical e de terna raça!

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