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Conta de luz pode aumentar mais de 5% em Minas Gerais

Por Bruno
Conta de luz pode aumentar mais de 5% em Minas Gerais

Jorge Guimarães

O consumidor mineiro, que vinha experimentando um período de alívio nas contas de energia elétrica com a manutenção da bandeira tarifária verde nos últimos meses, voltou a sentir o peso dos custos no orçamento a partir de maio. Isso porque a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu alterar a bandeira para a cor amarela, sinalizando aumento no custo de geração de energia e cobrança adicional nas faturas. 

Além da cobrança extra causada pela bandeira amarela, os consumidores de Minas Gerais poderão enfrentar um novo aumento em breve. A Aneel propôs um reajuste de 5,2% na tarifa dos clientes residenciais da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). O percentual integra a proposta preliminar do reajuste tarifário anual da concessionária e ainda será analisado pela agência reguladora em reunião deliberativa a ser realizada hoje em Brasília.

Impacto

Caso o reajuste seja aprovado, o impacto será percebido gradualmente pelos consumidores a partir das faturas emitidas em junho, com vencimento em julho, afetando assim diretamente no bolso da população, especialmente das famílias de baixa e média renda, que destinam parcela significativa do orçamento às despesas básicas. 

Segundo a Cemig, ainda não há definição oficial sobre os percentuais que serão aplicados aos consumidores. De acordo com a proposta preliminar, o efeito médio para todas as classes de consumidores da Cemig Distribuição será de 6,5%. Atualmente, a companhia atende cerca de 9,5 milhões de clientes em Minas Gerais.

O reajuste nas tarifas de energia elétrica tem sido influenciado por diversos fatores econômicos e estruturais do setor elétrico. Entre os principais motivos estão o aumento dos custos de geração de energia e o crescimento dos incentivos à geração distribuída, especialmente por meio da energia solar.

A Cemig informou que o índice proposto é o menor entre as grandes distribuidoras do país. Empresas de energia de estados como Rio de Janeiro e São Paulo tiveram reajustes superiores a 10% em 2026.

Modelo tarifário 

O gerente de Regulação de Distribuição da Cemig, Giordano Bruno Braz de Pinho Matos, explicou a dinâmica do modelo tarifário brasileiro e o papel das distribuidoras nesse processo.

 — As distribuidoras são o elo direto com o cliente e têm uma função central no equilíbrio financeiro do setor. É por meio das faturas de energia que esses recursos são arrecadados e destinados a toda a cadeia elétrica, incluindo geradoras, transmissoras, encargos setoriais e tributos definidos pelos governos municipal, estadual e federal — disse.

Segundo o especialista, o impacto do reajuste será percebido pelos clientes da Cemig de forma gradual.

— Na prática, a conta pode trazer valores proporcionais: parte do consumo ainda calculada pela tarifa anterior, referente ao período até 28 de maio, e o restante já com a nova tarifa — esclareceu.

Consumidores 

A notícia de um novo reajuste na conta de energia da Cemig já preocupa consumidores da cidade. 

A aposentada Neusa Aparecida Oliveira, contou que já precisou reduzir gastos dentro de casa para conseguir manter as contas em dia. 

— A gente economiza em tudo: banho mais rápido, luz apagada e até deixando de usar alguns eletrodomésticos. Mesmo assim, a conta continua pesada — relatou.

O repositor de supermercado José Henrique Monteiro também demonstrou preocupação com o impacto do reajuste. 

— Tudo aumenta ao mesmo tempo: combustível, alimentação e agora energia. No fim do mês, sobra cada vez menos — afirmou.

Para comerciantes, a situação também gera apreensão. O proprietário de uma quitanda e cafeteria, Kelmert Bueno, explica que o aumento da tarifa pode afetar diretamente os preços dos produtos. 

— A energia é essencial para manter os equipamentos funcionando. Quando a conta sobe, infelizmente pode acabar refletindo nos custos da produção. Freezer, geladeira, forno, iluminação, tudo depende de energia — refletiu.

Planejamento 

Segundo o economista Leandro Maia, os reajustes na tarifa de energia têm impacto direto na economia doméstica e também na inflação. De acordo com ele, a energia elétrica é um serviço básico e influencia praticamente todos os setores produtivos.

— Quando a conta de energia aumenta, o consumidor perde poder de compra, porque precisa destinar uma parte maior da renda para despesas fixas. Além disso, empresas e comércios também repassam parte desses custos aos produtos e serviços — analisou.

Leandro Maia destacou ainda que o atual cenário econômico exige planejamento financeiro das famílias. 

— O consumidor deve buscar alternativas de economia e controle dos gastos, porque a tendência é de pressão contínua nos custos essenciais, como energia, água e alimentação — explicou o economista.

Energia solar

Com o aumento constante das tarifas de energia elétrica, a busca por alternativas que reduzam os gastos mensais tem crescido em todo o país. Entre as principais opções adotadas por consumidores e empresas está a energia solar, considerada uma solução econômica e sustentável diante dos sucessivos reajustes nas contas de luz.

A instalação de painéis solares em residências, comércios e propriedades rurais permite que o consumidor produza parte da própria energia, diminuindo a dependência da rede elétrica tradicional. Em muitos casos, a redução na conta pode chegar a valores significativos, o que tem despertado o interesse de famílias que buscam aliviar o impacto das despesas fixas no orçamento.

O bancário aposentado Gilson Batista Alencar decidiu investir no sistema há cerca de um ano e afirma que já percebe diferença nas contas. 

— Antes eu pagava valores muito altos de energia. Depois da instalação das placas solares, a conta caiu bastante e ficou mais fácil organizar as despesas da casa — relatou.

Para empresários, a energia solar também tem se tornado uma alternativa estratégica. A comerciante Ana Paula Ferreira explica que o investimento ajudou a reduzir custos operacionais. 

— A energia pesa muito no funcionamento da empresa. Com os aumentos frequentes, vimos na energia solar uma forma de economizar e ter mais previsibilidade nos gastos — afirmou.

Economia financeira 

Além da economia financeira, especialistas destacam os benefícios ambientais da geração solar, considerada uma fonte limpa e renovável. O sistema contribui para a redução da emissão de poluentes e fortalece a diversificação da matriz energética brasileira.

— Apesar do investimento inicial ainda ser considerado elevado por parte da população, linhas de financiamento e condições facilitadas têm ampliado o acesso à tecnologia. A expectativa é que o uso da energia solar continue crescendo nos próximos anos, impulsionado pela necessidade de economia e pela busca por soluções energéticas mais eficientes e sustentáveis — concluiu o economista. 

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