Controlador não vê indícios de superfaturamento em compras da Educação: Presunção da boa fé
Da Redação
O segundo dia de oitivas da CPI da Educação começou com o depoimento do controlador do Município, Diogo Andrade Vieira. Ele esclareceu aos vereadores ser da responsabilidade do setor centralizar os atos administrativos da gestão municipal. Entre as atribuições, citou a participação no processo de compras e no controle orçamentário, com vistas ao cumprimento dos índices constitucionais na Saúde e na Educação.
— O processo de aquisição se inicia nas secretarias responsáveis — apontou.
Sobre as aquisições, relatou que a Controladoria age apenas no último estágio.
— Depois de todo o processo ser instruído, é encaminhado para controle interno e checagem objetiva e formal dos conteúdos dos autos — detalhou.
A análise, destacou, é de tramitação regular e frequentemente dentro do setor, não tendo ele atuado pessoalmente na adesão das atas da Educação.
— Não cabe ao órgão de controle indicar à secretaria como ela realizará as despesas, é um ato privativo e discricionário da pasta — justificou.
Uma vez verificada a presença de todos os documentos necessários, informou Diogo Andrade, os documentos são devolvidos à secretaria. Posteriormente aprovada, eles retornam à Controladoria para publicação do extrato do contrato no Diário Oficial.
— Fazemos a verificação formal do processo, se constam os documentos exigidos na lei. É sim e não as perguntas que respondemos lá no controle interno. (...) Se o processo estiver formalizado corretamente, é encaminhado para a secretaria que assina o contrato — informou.
Quando há erros, o trâmite retorna à pasta para as devidas correções.
Valores
Um dos requisitos para a compra é a apresentação de orçamento. Questionado pela comissão, Diogo respondeu apenas conferir a presença dos documentos para o avanço do procedimento. No entanto, assim como afirmado pelo secretário de Administração, Thiago Nunes, o controlador informou não fazer a análise do conteúdo dos itens, seus valores e das empresas fornecedoras devido à limitação interna e ao alto volume de compras.
— A gente não faz esse tipo de análise. Um município do tamanho de Divinópolis tem milhares de produtos adquiridos mensalmente. É inviável. Minha estrutura interna não comporta essa análise individual de cada item adquirido — informou.
O conhecimento das empresas, relatou, se limita à conferência de declarações, certidões negativas, qualificação jurídica, fiscal, previdenciária e trabalhista para garantir que a fornecedora tem condições de firmar um contrato com o Município dentro das exigências legais.
Orçamentos
O vereador Ademir Silva (MDB) indagou o depoente sobre a ausência de orçamentos realizados em Divinópolis.
— Salvo engano, a legislação não obriga que os orçamentos sejam feitos de Divinópolis — informou.
Como as atas aderir foram de outra regiões, Diogo comentou não estudar o processo de outros municípios, “pois não é nossa função apurar outros entes”.
Minutos depois, o controlador acrescentou que os orçamentos são de responsabilidade da pasta requerente da compra.
— É de competência da secretaria ordenadora da despesa — respondeu.
Em complemento, afirmou que não cabe à Controladoria fazer julgamento sobre os orçamentos dada a presunção de boa fé.
— Se a gente for passar a duvidar de todos os pedidos de compra, vai travar o município — avaliou.
Escolha dos produtos
Durante a oitiva, a relatora da comissão, Lohanna França (PV), perguntou o controlador sobre a escolha dos produtos. Novamente, ele respondeu não interferir na decisão.
— Não cabe ao órgão de controle ficar inquirindo as demais secretarias sobre a conveniência de adquirir o produto a ou b. Cabe às secretarias fazerem a escolha técnica dos produtos — esclareceu.
O controlador negou ter reuniões para discutir materiais, valores ou itens. Seu único contato foi orientar que, com a mudança, em setembro do ano passado, do cálculo do valor mínimo a ser investido na Educação, o investimento a ser alcançado ao fim do exercício financeiro havia aumentado.
Investigação
Diogo informou à comissão que o órgão pode agir de forma mais profunda quando é provocado para realinhamento de preço ou notificação de indícios de irregularidades. No entanto, nas atas em investigação pela CPI, nenhuma formalização foi enviada.
— Nesse caso, por ser uma simples adesão, não foi demandando nenhuma averiguação de forma formal para que atuássemos com uma fiscalização mais detalhada dos autos — informou.
Vantagem ou superfaturamento?
A adesão de ata costumeiramente é escolhida como formato de compra quando é mais vantajosa do que a realização de uma licitação própria, como apresentado na última oitiva. Neste caso, um documento necessário é a declaração de vantajosidade, que chega pronta à Controladoria.
— Acreditamos na idoneidade da servidora que atestou isso. (...) A responsabilidade é dela (...) A gente só analisa se o processo formal está devidamente instruído — reforçou.
Relatora da comissão, Lohanna informou que a declaração foi assinada pela própria secretária de Educação, Andreia Dimas.
Ao decorrer da oitiva, o controlador afirmou, ainda, ver todo o processo dentro da legalidade: “até o que consta hoje, não há provas de superfaturamento”.
Leia também
- CPI da Educação questiona controlador e diretor no segundo dia de oitivas
Greve da Educação pode gerar prejuízo de R$ 3,2 mi para sindicato- CPI da Educação: Responsabilidade pelas compras da Educação é da própria pasta, afirma secretário de Administração
Domingos Sávio celebra aniversário de Divinópolis com mais de R$ 56 milhões destinados à cidade
Diretor de Educação pede CPI mais humana e menos política
Especialistas elencam melhores prefeitos da história
Mais recentes
Veja como foi a agenda dos candidatos a presidente nesta segunda
Zema desiste de participar do 1º debate entre presidenciáveis na Band
Rodrigo Manga, o ‘prefeito tiktoker’, é expulso do Republicanos por apoio à campanha da esposa
Após nove meses, Câmara aprova fornecimento
gratuito de sensores de glicose para diabéticos
Do nosso arquivo
Senador Marcos do Val coloca tornozeleira eletrônica após ordem de Alexandre de Moraes
Justiça italiana mantém prisão de Zambelli durante processo de extradição
Prefeitura reabre inscrições para o Festival Gastronômico “DivinoSabor”
Governo de Minas inicia campanha ‘Agosto Dourado’ para incentivar amamentação
Veja tudo o que publicamos em maio de 2022
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
