De 54 municípios, somente cinco foram eleitas prefeitas

Da Redação
Mesmo após 500 anos da descoberta do Brasil, o país teve apenas uma mulher na Presidência da República: Dilma Rousseff. Na visão de especialistas, o machismo na política continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelas mulheres que buscam espaço nesse cenário democrático. Na região Centro-Oeste de Minas, apenas cinco mulheres foram eleitas prefeitas em seus municípios: Carmo da Mata, Pitangui, Crucilândia, Papagaios e Serra da Saudade.
Em Divinópolis, uma mulher ainda não conquistou o principal cargo do Executivo, mas a vice-prefeita Janete Aparecida, e já foi vereadora, se destaca como uma figura de liderança feminina na política da cidade.
Elas por todas
Exercer democracia é poder escolher mulheres para política. O resultado do Censo 2022 mostrou que Minas Gerais tem 10.524.280 mulheres entre os habitantes do Estado, número que corresponde a 51,24% da população mineira. Apesar de serem maioria, o número de mulheres no comando de prefeituras nos municípios do Estado é pequeno.
Segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no total 155 mil mulheres elegeram ao cargo no país. No Centro-Oeste de Minas Gerais, dos 54 municípios, somente cinco delas conseguiram o feito. Entre as eleitas estão Mônica Borges (PL) de Carmo da Mata, com 4.397 votos (56,71%).
Também reeleita, Maria Lucia Cardoso (MDB) conquistou seu lugar em Pitangui com 9.727 votos, cerca de 60,09% da população. Em Crucilândia, Elizangela (SD) conquistou 2.252 votos, 49,32% dos válidos, logo na primeira candidatura dela.
Em Papagaios, Rislaine (Avante) conquistou seu cargo com 7.914 mil votos da cidade, também na primeira tentativa. Assim como Neusa Ribeiro (PP) que foi eleita com 1.084 votos, cerca de 91,36% dos votos válidos, em Serra da Saudade.
Divinópolis
A cidade escolheu novamente Gleidson Azevedo (Novo) com a vice Janete Aparecida (Avante), para mais um mandato. Já nas cadeiras legislativas, a população elegeu duas mulheres: Ana Paula Quintino (Avante) e a professora Kell Silva (PV).
Não só professora de história, mas histórica. A estreante na política conquistou seu lugar na Câmara com 2.195 votos. Assim como a reeleita Ana Paula do Quintino, que teve 2.487 votos. Ela agradeceu por mais quatro anos de confiança em seu trabalho.
—Nosso trabalho vai continuar dessa forma, a política junto com o olhar humano. E gostaria de agradecer a confiança, porque eu tripliquei a minha votação. Muita gente realmente acreditou no nosso trabalho, e pode ter certeza, vocês não vão se decepcionar no segundo mandato — enfatiza.
As três mulheres destaques da cidade são negras e compõe para leis públicas às minorias. Segundo o TSE, 80 mil das candidatas mulheres eram negras, cerca de 51,61% das candidaturas femininas.
Para Kell, é necessário que haja mulheres nas cadeiras representativas para as criações de leis para mulheres e que sejam feitas por mulheres. Em um ambiente majoritariamente composto por homens, eles não sabem as principais demandas que uma mulher tem ao longo da vida, como a amamentação e a maternidade.
—Nós mulheres precisamos ocupar o espaço de poder para que políticas públicas possam ser feitas para nós mulheres, porque ao longo da história a gente vem tendo demandas silenciadas, demandas que só mulheres conseguem pensar para mulheres. Nós precisamos ter mulheres para fazer com que nós possamos enxergar possibilidades de poder e de vida, independente de qual setor a gente esteja, se seja na política, se seja no empreendedorismo — reforça a vereadora.
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