Carregando clima…
Coluna MG

De Roma Antiga ao Século XIX , a cultura policial e sua história

De Roma Antiga ao Século XIX , a cultura policial e sua história

A polícia, enquanto instituição voltada à manutenção da ordem pública, aplicação da lei e proteção dos cidadãos, é fruto de um processo histórico que atravessa civilizações e séculos. Sua forma moderna se consolidou apenas nos últimos duzentos anos, mas sua função remonta a sociedades antigas como Roma, Grécia e Mesopotâmia.

Durante o Império Romano, a manutenção da ordem era essencial em uma sociedade altamente urbanizada. Inicialmente, essa função era exercida por cidadãos voluntários e soldados, mas com o tempo surgiram unidades especializadas.

Cohortes Urbanae: Criadas pelo imperador Augusto, eram tropas paramilitares urbanas destinadas a combater tumultos e crimes em Roma.

Vigiles Urbani: Outra criação de Augusto, os "Vigiles" funcionavam como uma combinação de corpo de bombeiros e patrulheiros noturnos. Eles agiam especialmente contra incêndios e pequenos crimes.

Praefectus Urbi: Alto magistrado responsável pela ordem na cidade de Roma, com poderes judiciais e administrativos.

A polícia romana era altamente militarizada e ligada diretamente ao imperador, refletindo a centralização do poder e a preocupação com a estabilidade do império.

Com a queda do Império Romano, a Europa entrou em um período de fragmentação política. A função policial foi descentralizada e passou a ser exercida por senhores feudais, igrejas e milícias locais.

Guarda dos castelos e vilarejos: A segurança ficava a cargo dos senhores feudais e seus guardas.

Justiça eclesiástica: A Igreja exercia poder sobre certos delitos, principalmente morais e religiosos.

Cidades Medievais: Com o surgimento de cidades mais autônomas, algumas criaram corporações para vigiar e manter a ordem, como as serjeanties na Inglaterra e os gardes na França. Não havia uma força policial regular e profissional como hoje, a justiça era mais local, muitas vezes arbitrária e baseada em costumes.

O fortalecimento dos Estados nacionais na Europa trouxe a necessidade de controle mais efetivo sobre as populações.

Na França, Luís XIV, no século XVII, criou o posto de tenente de polícia, em Paris. Em 1667, Gabriel Nicolas de La Reynie tornou-se o primeiro chefe da polícia moderna de Paris. Ele organizou rondas, combateu crimes e criou registros criminais.

Na Inglaterra, sntes do surgimento de uma polícia formal, havia os constables e os watchmen, que patrulhavam áreas locais. O sistema era ineficiente e mal remunerado, muitas vezes visto como obrigação comunitária. A polícia ainda era vista com desconfiança, especialmente onde se temia a tirania estatal.

O século XIX foi decisivo para a consolidação da polícia como conhecemos hoje, com estruturas organizadas, disciplinares e com funções civis específicas.

No  Reino Unido, Robert Peel fundou, em 1829, a Metropolitan Police de Londres — a primeira força policial moderna, profissional e civil. Os policiais eram conhecidos como bobbies ou peelers, em homenagem a Peel. A polícia deve conquistar o apoio do público. O uso da força deve ser o mínimo necessário. A função principal é prevenir crimes, não puni-los, eram lemas seguidos.

Na França, a polícia parisiense continuou a evoluir, sendo um modelo para outros países europeus, com departamentos organizados por funções (investigação, patrulha, controle de multidões).

Os Estados Unidos adotaram modelos mistos. A primeira força policial moderna foi criada em Boston (1838), seguida por Nova York (1845). Incorporaram elementos tanto da polícia inglesa quanto de sistemas locais de milícias e patrulhas escravistas no sul.

No Brasil, durante o Império, em 1808, com a vinda da corte portuguesa, foi criada a Intendência Geral de Polícia da Corte e do Estado do Brasil — embrião das polícias civis. Em 1831, surgiu a Guarda Nacional, e em 1837, a Polícia Militar do Rio de Janeiro.

A história da polícia é um reflexo das transformações políticas, sociais e urbanas das sociedades humanas. Desde os soldados urbanos de Roma até os “bobbies” londrinos do século XIX, o papel da polícia se tornou cada vez mais técnico, burocrático e ligado ao Estado de direito. Com o tempo, surgiram discussões sobre direitos civis, limites da autoridade e formas democráticas de controle social — temas que ainda hoje desafiam a função policial no mundo contemporâneo.

Na próxima coluna falarei sobre a cultura da polícia desde o início do século XX aos  dias de hoje, onde mostrarei uma outra face da polícia, com projetos sociais, comunitários e esportivos.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…