Carregando clima…
Notícias

Demissão de 34 profissionais do Samu vira debate na ALMG

Demissão de 34 profissionais do Samu vira debate na ALMG

Jonny Reisle

A demissão de profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Belo Horizonte será tema de uma audiência pública nesta terça-feira, 5, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O encontro, solicitado por parlamentares e entidades ligadas à saúde, busca discutir os possíveis impactos da medida no atendimento à população e avaliar as condições de funcionamento do serviço na capital mineira.

Dezenas desempregadas

O debate ocorre após o desligamento de 34 técnicos de enfermagem que atuavam no Samu de Belo Horizonte. Segundo representantes da categoria, a redução no número de profissionais pode comprometer a qualidade e a agilidade dos atendimentos, especialmente em ocorrências que exigem maior complexidade. 

Atualmente, as ambulâncias de suporte básico operam, em muitos casos, com equipes compostas por motorista e dois técnicos de enfermagem. Com a diminuição desse quadro, há preocupação de que procedimentos essenciais fiquem prejudicados.

Alerta ligado

Entre os principais pontos levantados por trabalhadores e especialistas está o risco de sobrecarga das equipes remanescentes. A rotina do Samu já é marcada por alta demanda, longas jornadas e necessidade de respostas rápidas em situações críticas, como acidentes graves, paradas cardiorrespiratórias e atendimentos clínicos urgentes. A redução de profissionais, nesse contexto, pode aumentar o tempo de resposta e limitar a capacidade de atendimento simultâneo, afetando diretamente a população que depende do serviço.

Procedimentos legais

Além disso, o caso chamou a atenção do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), que acionou a Justiça pedindo a suspensão das demissões. O órgão argumenta que a medida pode representar um retrocesso no atendimento pré-hospitalar e comprometer um serviço considerado essencial. 

Dados apontam que o Samu da capital atende uma população de mais de 2 milhões de habitantes, o que exige estrutura robusta e equipes completas para garantir eficiência.

Versão do Executivo

Por outro lado, a Prefeitura de Belo Horizonte sustenta que as demissões estão relacionadas ao encerramento de contratos temporários firmados durante a pandemia de Covid-19. De acordo com a administração municipal, o modelo atual segue as diretrizes do Ministério da Saúde e não deve causar prejuízos ao funcionamento do serviço. A gestão afirma ainda que mantém o compromisso com a qualidade do atendimento e que o sistema continuará operando dentro dos padrões exigidos.

A audiência pública na ALMG deve reunir representantes do poder público, profissionais da saúde, sindicatos e membros da sociedade civil. A expectativa é que o encontro permita esclarecer os critérios adotados para as demissões, além de discutir alternativas para garantir a manutenção da qualidade do serviço prestado à população.

Cenário em Divinópolis

A situação em Belo Horizonte também acende um alerta para outros municípios mineiros, especialmente em relação à organização regional do atendimento de urgência. O Samu atua de forma integrada, com centrais que regulam ocorrências e, em alguns casos, articulam transferências entre cidades. Por isso, mudanças estruturais em grandes centros podem gerar efeitos indiretos em regiões vizinhas.

Em Divinópolis, no entanto, o cenário é considerado estável. Em contato com a assessoria do Samu local, foi informado que não há previsão de demissões e que o quadro de profissionais permanece completo, atendendo adequadamente à demanda do município. A coordenação destaca que o serviço segue operando normalmente, sem impactos decorrentes das decisões adotadas na capital.

Ainda assim, o debate é importante para todo o estado, já que o fortalecimento do Samu depende de planejamento contínuo, investimentos e valorização das equipes. A manutenção de profissionais qualificados é vista como fator essencial para garantir respostas rápidas e eficazes em situações de emergência.

Cenas dos próximos capítulos

Enquanto isso, a audiência pública deve funcionar como espaço de pressão e diálogo, reunindo diferentes pontos de vista sobre a gestão do serviço. O desfecho das discussões poderá influenciar não apenas o futuro do Samu em Belo Horizonte, mas também contribuir para reflexões mais amplas sobre a política de atendimento de urgência em Minas Gerais.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…