Dengue desacelera em Divinópolis, mas chuvas acendem alerta para novos casos
Município contabilizou 62 novas confirmações entre julho e outubro, com média de um registro a cada dia e meio

Divinópolis registrou um aumento de apenas 62 casos confirmados de dengue entre julho e outubro, período de pouco mais de três meses em que a doença apresentou uma desaceleração significativa no município. Os dados dos boletins epidemiológicos divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa) mostram que o total passou de 2.023 confirmações, em julho, para 2.085 em outubro. Na prática, o crescimento representa uma média de aproximadamente um novo caso confirmado a cada um dia e meio, cenário bastante diferente do observado durante os meses de maior circulação do vírus.
Comparativo
O boletim publicado pela Prefeitura em 9 de julho, com dados extraídos no dia anterior, contabilizava 4.252 notificações e 2.023 casos confirmados de dengue. Já o levantamento mais recente, divulgado em 19 de outubro e atualizado até o dia 16, aponta 4.589 notificações e 2.085 confirmações. No intervalo, foram acrescentadas 337 notificações e 62 confirmações aos registros municipais. Os números estão sujeitos a alterações, conforme ressalva da própria administração municipal.
A diferença entre notificações e confirmações é importante: nem toda suspeita resulta em diagnóstico positivo. No período analisado, o total de notificações cresceu 7,9%, enquanto o número de casos confirmados aumentou aproximadamente 3,1%. A evolução dos dados reforça a desaceleração da doença, embora os registros ainda indiquem circulação do vírus na cidade.
Sazonalidade influencia redução
A diretora de Vigilância em Saúde, Érika Camargos, explicou que a queda está relacionada a um conjunto de fatores, entre eles o comportamento sazonal da dengue e a continuidade das ações de vigilância, prevenção e controle realizadas pelo município.
— A transmissão é influenciada diretamente pelas condições climáticas, como temperatura, umidade e volume de chuvas. O período de maior circulação da doença ocorre, geralmente, entre outubro e maio, quando as condições ambientais favorecem a reprodução do mosquito Aedes aegypti — reforçou.
Dessa forma, a redução observada após os meses de maior transmissão é compatível com o comportamento epidemiológico esperado. A diretora, entretanto, ressalta que não é possível atribuir a diminuição a uma única medida, uma vez que diferentes fatores contribuem para o cenário.
Entre as ações mantidas pela Prefeitura estão as visitas domiciliares dos Agentes de Combate às Endemias (ACE), a identificação e eliminação de criadouros, o tratamento focal quando indicado, os bloqueios de transmissão, os levantamentos dos índices de infestação e os mutirões de limpeza. Também são desenvolvidas atividades de orientação e mobilização da população.
A administração municipal avalia positivamente a redução dos registros, sobretudo em comparação com o período de maior transmissão. A Semusa pondera, contudo, que a diminuição dos casos não significa que o risco tenha sido eliminado.
Chuvas exigem atenção redobrada
Com a aproximação do período chuvoso e a tendência de aumento das temperaturas, a preocupação passa a ser a manutenção do cenário epidemiológico favorável. O acúmulo de água em recipientes e áreas descobertas pode criar condições para a reprodução do mosquito, favorecendo uma nova elevação dos casos.
— A Prefeitura pretende manter o monitoramento dos índices de infestação, as visitas domiciliares, a eliminação de criadouros, o manejo ambiental e os bloqueios de transmissão quando necessários. A intensificação dessas medidas antes e durante o período de chuvas é considerada fundamental para reduzir a proliferação do vetor — afirmou.
A diretora destaca que a queda registrada nos últimos meses não deve provocar uma falsa sensação de segurança. Mesmo em períodos de menor circulação viral, o mosquito permanece presente no ambiente urbano e pode encontrar condições favoráveis para se reproduzir.
População também tem papel decisivo
A manutenção dos números baixos depende, ainda, da participação dos moradores. A orientação da Semusa é que residências, estabelecimentos comerciais e demais imóveis sejam vistoriados semanalmente para identificar possíveis focos do mosquito.
Entre os cuidados recomendados estão eliminar recipientes que acumulem água, manter caixas-d'água bem vedadas, limpar calhas, verificar ralos e descartar corretamente resíduos que possam servir de criadouros. Também é importante permitir o acesso dos agentes de combate às endemias aos imóveis para inspeção e orientação.
A redução dos registros em Divinópolis representa um cenário mais favorável em relação aos meses de maior transmissão, mas a continuidade desse resultado depende da combinação entre vigilância pública e prevenção individual. Com a chegada das chuvas, a manutenção dos cuidados será essencial para evitar que a tendência de desaceleração seja revertida nos próximos meses.
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