Divinópolis amplia monitoramento da leishmaniose após testar 376 cães no Niterói
Iniciativa faz parte da estratégia de enfrentamento da doença no município

A testagem de cães para identificação da Leishmaniose Visceral chegou ao bairro Halim Souki, em Divinópolis, após a conclusão do trabalho realizado no Niterói. As equipes da Vigilância em Saúde iniciaram a nova etapa do Inquérito Censitário Canino nesta segunda-feira, 10, com o objetivo de identificar animais infectados e ampliar as medidas de controle da doença no município.
No bairro Niterói, 376 cães foram submetidos aos testes, concluindo a ação prevista para a região. A iniciativa faz parte da estratégia de enfrentamento da doença no município e tem como objetivo identificar precocemente animais infectados e ampliar as medidas de controle da Leishmaniose Visceral.
A investigação é realizada gradativamente nas regiões consideradas prioritárias a partir dos resultados obtidos em um levantamento epidemiológico realizado anteriormente pela Vigilância em Saúde.
Áreas de transmissão
A primeira etapa do programa contou com um levantamento amostral realizado em diferentes bairros de Divinópolis. O objetivo foi avaliar os índices epidemiológicos da Leishmaniose Visceral e identificar as regiões que apresentavam maior ocorrência da doença entre os cães.
De acordo com os resultados, grande parte dos bairros apresentou índices acima dos parâmetros preconizados, classificando diversas regiões como áreas de transmissão intensa. A partir dessas informações, a Vigilância em Saúde estabeleceu um cronograma para ampliar gradativamente a investigação dos animais.
A diretora de Vigilância Sanitária, Érika Camargos, explicou ao Agora que o município constatou um índice de positividade canina superior ao parâmetro estabelecido pelo Ministério da Saúde.
— Diante desse resultado, como medida de controle e redução da infestação canina e, consequentemente, de prevenção da transmissão da doença para a população humana, está sendo realizada a testagem nos animais das áreas de maior incidência — destacou.
Testagem
A ação no Halim Souki é realizada por uma equipe técnica especializada da Vigilância em Saúde, formada por agentes de combate às endemias, médico veterinário e fiscal de saúde. Os profissionais estão devidamente identificados durante as abordagens aos moradores.
O procedimento começa com um teste rápido realizado nos cães. Quando o resultado é positivo, o animal passa por um exame laboratorial específico para confirmação do diagnóstico. Somente após essa confirmação são adotadas as medidas sanitárias previstas para os casos positivos.
A Prefeitura reforçou, em nota, a necessidade de que os tutores permitam o acesso das equipes aos animais durante as visitas. A participação dos moradores é considerada fundamental para que a investigação alcance os cães das áreas definidas no cronograma da Vigilância em Saúde.
Segundo a Érika, ainda existe resistência por parte de alguns moradores durante as visitas das equipes. Ela ressaltou que a colaboração dos tutores é fundamental para diminuir a transmissão da doença e orientou que os responsáveis procurem o Crevisa caso o animal apresente sinais que possam estar relacionados à Leishmaniose Visceral.
— Devem procurar o Crevisa sempre que o animal apresentar sintomas para leishmaniose telefone do Crevisa (37) 3229-6827 — afirmou.
Casos confirmados
Nos animais que apresentam resultado positivo no teste inicial, a confirmação é feita por meio de exame laboratorial. Após a confirmação, os tutores recebem orientações sobre as medidas sanitárias, de prevenção e de controle da doença.
Conforme explicou Érika, para os cães com diagnóstico confirmado são adotadas as medidas sanitárias cabíveis, seguindo as normas e os protocolos vigentes. Entre as medidas previstas está a possibilidade de realização de eutanásia humanitária.
— Dentre as medidas previstas, inclui-se a possibilidade de realização de eutanásia humanitária. Excepcionalmente, essa medida poderá não ser adotada nos casos em que o tutor formalize, por meio de documento, o compromisso de manter o animal devidamente encoleirado e submetido ao acompanhamento regular de médico-veterinário — destacou.
Doença
A Leishmaniose Visceral é uma zoonose grave transmitida pela picada da fêmea infectada do mosquito-palha. A doença pode atingir seres humanos e outros mamíferos, enquanto o cão é considerado o principal reservatório no ambiente urbano.
A transmissão não ocorre diretamente do cão para as pessoas. Para que a infecção aconteça, é necessária a picada do mosquito-palha infectado, que atua como vetor da doença.
Nos cães, a Leishmaniose Visceral pode evoluir mesmo quando não há sintomas aparentes. Entre os principais sinais estão emagrecimento, lesões de pele persistentes, queda de pelos, crescimento exagerado das unhas, prostração e sangramentos.
Em seres humanos, os principais sintomas são febre prolongada, perda de peso, fraqueza, anemia e aumento do abdômen. O diagnóstico e o tratamento da doença em pessoas são oferecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Prevenção
Além da identificação dos animais infectados, medidas preventivas podem ser adotadas pelos moradores para reduzir os riscos de transmissão. Entre as orientações estão manter os quintais limpos e evitar o acúmulo de folhas, lixo e fezes de animais.
Também são recomendados o uso de coleiras repelentes nos cães, a manutenção de canis e janelas telados e a redução de passeios com os animais nos horários de maior atividade do mosquito-palha.
A Prefeitura orienta que os tutores que identificarem sinais suspeitos nos cães procurem o Crevisa para a realização gratuita do exame diagnóstico. O atendimento, o agendamento e os esclarecimentos de dúvidas podem ser obtidos pelo telefone (37) 3229-6827.
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